Você nunca estará sozinha – Cap 7

Vanessa sentiu seu rosto queimar. Ela tinha certeza que estava vermelha, não teve reação a não ser desviar o olhar.

– Vamos, é só uma música, Vanessa! – Insistiu Clara, enquanto segurava a mão de Vanessa. E ela se rendeu.

Devagar, Clara cruzou os braços entre o pescoço de Vanessa e falou próxima ao seu ouvido:

– Pode segurar na minha cintura, não tem problema mão.

E Vanessa atendeu ao pedido de Clara, mesmo desconfiada, mesmo sem conseguir processar tudo o que estava acontecendo entre elas duas. Enquanto a música tocava, Clara tentava decifrar a garota. Insinuava um carinho próximo ao pescoço e Vanessa não ofereceu resistência, estava tudo indo muito bem. E elas dançaram toda a canção.

Quando a faixa acabou, Clara puxou Vanessa para um abraço e as duas deram risada. Foi um abraço longo o suficiente para elas escutarem Dudu chamar Bela ao palco para cantarem There She Goes em homenagem à Clara, essa era uma de suas músicas preferidas.

Ao ouvir a declaração de Dudu a reação de Vanessa foi alertar Clara:

– Você quer ir lá na frente? Vão tocar a música pra você.
– Deixa tocar, eu tenho certeza que eles irão entender a minha ausência, vem cá, dança comigo, me homenageia, mulher! – Vanessa ficou tímida mais uma vez e Clara tratou de quebrar a barreira, puxando-a novamente para próxima de seu corpo e seguiu conduzindo a dança.

Mais uma vez Vanessa sorriu e não resistiu, era a confirmação que Clara queria. No meio da canção Walter apareceu na varanda onde Clara e Vanessa estavam juntas:

– Apareceu a margarida! – Falou Walter, em um tom irônico. Clara interrompeu a dança e respondeu:
– Na verdade eu não apareci, você que me achou!
– Para, gente! – Preocupou-se Vanessa.
– Relaxa que eu não vou atrapalhar o casal não, Clarinha. Tipo, só tava te procurando porque a Belinha pediu, achei sacanagem você estar aqui com uma mina que você nem conhece enquanto seus amigos estão fazendo uma parada super legal pra você.
– Eles são meus amigos, com certeza me entenderão… E se isso não acontecer, foda-se. Vai lá dentro, Walter, aqui eu me resolvo. – Respondeu Clara, num tom um pouco alterado.
– Se altera não, Clarinha. Só fica ligada que a Vanessa é firmeza, não é mina pra você zoar. – Decretou Walter.
– Sai daqui, Walter. – Falou Clara, dando um empurrão no amigo.
– Parem com isso! Ela não tá me zoando, mano! A gente tá de boa aqui, vai curtir com seus amigos, Walter. – Defendeu-se Vanessa.
– Você nem conhece ela, Vanessa!
– Walter, vaza! Ela não quer nada com você, que saco! – Clara ficou irritada e se afastou um pouco para acender um cigarro.

Sem falar mais nada, Vanessa deu as costas para Walter e foi para próximo de Clara. Ele ficou saber como reagir e voltou para dentro do clube, revoltado.

– Ele já foi, mano. Não precisa irritar, cara fala as coisas sem saber. – Vanessa tentou amenizar a situação.
– Eu não to te zoando, Vanessa…
– Esquece isso, a gente só tá curtindo. Vamos beber e dançar, vem cá! – Dessa vez Vanessa quem puxou Clara para um abraço.

Clara sentiu uma imensa vontade de beijar Vanessa naquele momento. Rolou uma grande troca de olhares após o abraço e Clara não se conteve. Suas mãos foram no rosto de Vanessa, que fechou os olhos ao sentir o toque. O beijo foi consequência. Assim que os lábios se tocaram, Vanessa puxou Clara pela cintura, colando seu corpo no dela. Foi um beijo longo, perfeitamente encaixado, como se já tivessem feito aquilo várias outras vezes entre si.

Após o beijo elas se abraçaram novamente. Nada tímida, Clara comentou sobre o que elas acabaram de fazer:

– Caralho, menina… Que beijo gostoso!

Vanessa riu e afundou o rosto no pescoço de Clara, morrendo de vergonha. Clara continuou:

– Eu to falando sério, meu! Isso foi muito bom, ao menos pra mim.
– Para, Clara! Mas foi muito bom mesmo.
– A gente devia fazer isso mais vezes… – Sugeriu Clara aos risos.
– Mano, você é louca! Eu quero beber, vamos!

Vanessa puxou Clara pela mão e entrou no clube. Foram em direção ao bar para pegar bebida para as duas. De lá, avistaram Walter e Dudu, que conversavam enquanto guardavam o material utilizado durante o show, mas sequer deram importância. Pegaram suas bebidas e foram para a pista, onde um DJ tocava alguns clássicos do hard rock.

– Olha a Clara com aquela mina, maluco! A mina é enorme! – Exclamou Dudu.
– Pois é, gostosa pra caralho, piro muito nela… A Clara foi mais ligeira. – Confessou Walter.
– Nunca imaginei a Clara com mina assim, ela zoava pra caralho mina gostosona assim.
– Dudu, brother… Olha o tamanho daquela bunda, não tem Clara que resista! Se eu pego essa mina eu faria estrago!
– É, Walter, mas eu acho que quem fará estrago essa noite é a Clarinha, não você! Vem cá, me ajuda com esse amplificador e para de babar a mina da Clara.
– Aguenta ai, Dudu… Vou dar uma ideia lá na Vanessa.

Walter desceu do palco e foi em direção à Clara e Vanessa, que dançavam juntas. Ele se aproximou dançando, tentando roubar a atenção de Vanessa. Sem sucesso, resolveu ser direto:

– Ai, Clara, deixa eu dançar uma com ela.
– Walter, sai daqui, meu! – Retrucou Clara.
– Deixa, Clara, é só uma música. – Discordou Vanessa, para surpresa de Clara. Imediatamente Walter tomou o lugar de Clara e puxou Vanessa para mais próximo dele.

Clara travou. Ficou parada no meio da pista até entender a cena, resolveu ir buscar outra bebida. Enquanto aguardava encostada no balcão, observava os dois dançando juntos.

Bela, que também foi ao bar pegar outra bebida, notou o olhar da amiga e quis saber o que estava acontecendo:

– O que foi, Clarinha? Sua cara não tá boa!
– Olha o Walter, Belinha! Que raiva dele, meu.
– É a mina que você tava conversando?
– É, a gente se beijou lá fora, estávamos dançando mó na boa e ele foi lá encher o saco.
– Mas porque a garota não negou?
– Sei lá por que! Eles são amigos, acho que ela não quis criar clima com ele.
– E por que você deixou? A mina tá com você, nada a ver ele se meter!
– Eu não tenho direito de cobrar nada, Belinha. A gente só deu um beijo, ela sabe que eu sou casada, não vou empatar a foda de ninguém.
–Te entendo, amiga. Mas o Walter é que tá errado, deixa eu ir arrancar ele de lá, já to bêbada mesmo, qualquer coisa ponho a culpa na maldita!
– Não, Belinha! Tá louca? Deixa eles, vou ficar aqui na boa.
– Na boa? Tem escrito no meio da sua cara que você tá com ciúme!
– Ciúme? Eu nem conheço a menina, Belinha! Só to puta por que ela é gostosa, beija bem pra caralho e o Walter não tá me deixando curtir ela.
– Vai lá e diz isso pra ele!
– Deixa quieto, ela que quis dançar com ele, então que dancem. Vira uma dose comigo?
– Nem precisa perguntar duas vezes!

As duas viraram uma dose de tequila e se abraçaram. Simone viu a cena e correu para participar do momento:

– Abraço coletivo! – Brincou Simone.
– Vocês são loucas! – Disse Clara, meio sufocada entre as duas.
– Meninas, preciso ir no banheiro, já volto. – Bela saiu correndo em direção ao banheiro.

Clara continuou conversando com Simone e notou Vanessa olhando para as duas, enquanto dançava com Walter. Sem pensar duas vezes e notando os olhares de Vanessa, Clara puxou Simone para a pista e as duas começaram a dançar bem próximas.

Vanessa fixou o olhar nas duas, mesmo com Walter na sua frente e notando que ela não estava muito concentrada nele. Não se passou cinco minutos nessa situação e Vanessa não aguentou. Saiu da pista disparada em direção à entrada da boate, com direito a trombada de ombro em Simone e nenhuma satisfação a Walter. Clara adorou.

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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