Você nunca estará sozinha – Cap 15

O sono das duas estava tranquilo, o dia já havia acordado há algumas horas, aparentemente nada interromperia o merecido descanso. Só aparentemente. Ao som de palmas e alguns singelos gritos, Clara e Vanessa foram acordadas:

– Acorda ai, sua cabaça! Perdeu a hora da academia já, depois tá reclamando! Saiu ontem, né? Tá de ressaca? Levanta, bora malhar! Acorda, Vanessa!

– Que merda é essa? – Clara se assustou com a gritaria.

– Nossa, mano! Não acredito que minha mãe já tá em casa… – Respondeu Vanessa, ainda acordando.

– Ai você me quebra, né, Vanessa? Chegou loucona quebrando garrafa dentro de casa? Desce ai pra gente conversar, a balada ontem foi irada! E vem limpar isso aqui! – Continuou a mãe de Vanessa, aos gritos.

– Sua mãe, Van? A gente precisa se vestir!

– Relaxa, Clara! Não temos quinze anos e ela não vai subir! Se veste tranquila e vamos lá falar com ela.

– Como assim “vamos”? – Clara ficou vermelha no mesmo instante.

– E você vai sair daqui como? Pulando a janela? É só minha mãe, mano… Ela não precisa saber que a gente dormiu juntas… Digo, isso ela vai saber, só não o sentido certo.

– Ahn? – Clara ficou confusa.

– Ai como você é lerda, mano! Minha mãe não aceita muito esse lance de mulher com mulher, ela sabe que eu me relaciono uma ou outra vez, mas eu nunca trouxe nenhuma mina que eu peguei pra casa, entendeu? Então a gente faz a amiga que não vai ter drama.

– Então temos quinze anos sim!

Clara e Vanessa caíram na risada após o comentário da loira e saíram da cama para se vestir. Vanessa foi a primeira e Clara não fez questão de disfarçar o interesse no corpo dela. Observou cada passo e cada movimento enquanto Vanessa se vestia.

– Você tem um corpo do caralho, Van!

– Para, mano! – Respondeu Vanessa, tímida e se escondendo com o cobertor.

– É sério, você é muito gostosa. Já viu o tamanho da sua bunda?

– Olha pro seu peito antes de falar da minha bunda, mano! – Vanessa retrucou rindo.

– Mas o meu é silicone, o seu é genética! Vou dar os parabéns pra sua mãe!

– Você não é nem louca! Levanta e se troca também, vai! Toma essa roupa minha, você não vai colocar aquele vestidinho essa hora do dia, né? Acho que esse short dá, ele aperta ali na cintura. – Falou Vanessa, entregando um short e uma blusa para Clara.

No fundo, Clara estava pouco se importando em ter que se fazer de amiga e isso soar adolescente; a noite tinha sido incrível. Sua maior preocupação era a timidez em encontrar a mãe de Vanessa, e ela nem conseguia entender o motivo.

– Vanessa, porra! Vou ter que subir pra te derrubar dessa cama? – A mãe de Vanessa seguiu gritando.

– A senhora tá que tá, hein, Dona Rafaela? Já to descendo, mãe! Tem uma amiga aqui comigo, espera um pouco!

– Porque você não me avisou antes? Eu aqui gritando igual uma louca!

– Só pra te fazer passar vergonha, mãe!

As duas se vestiram e desceram até a copa, onde a mãe de Vanessa estava terminando de limpar a sujeira feita por elas.

– Nossa, mãe! Eu acho que foi um dos meninos que derrubou a garrafa, não lembro de ter feito isso não, você lembra, Clara?

– Não pode deixar coisa assim no meio da casa, Vanessa! Você parece que nunca teve bicho em casa!

– Tá, mãe, tá! Olha, essa é a Clara, amiga minha!

– Oi, Clara! Prazer, Rafaela! To só terminando de limpar aqui pra ir tomar um banho, pensem numa ressaca! – Dona Rafaela foi até Clara e a cumprimentou com um beijo no rosto.

– Prazer! – Respondeu Clara.

– Ai, mãe! Vai dormir! Vem aqui fora, Clara, quero te mostrar meus bebês!

Clara seguiu Vanessa até o quintal da casa, onde estavam três cachorros e dois gatos:

– Nossa, Van! Quanto bichinho!

– Esse é o Jack, que você já conhece. Aquele ali é o Thor, o Fred e os gatinhos se chamam Rafa, em homenagem à minha mãe, e o outro é o Mingau. Ainda tem outros dois que devem estar escondidos.

– Que amor! – Falou Clara, enquanto brincava com Jack.

– A maioria eu resgatei da rua!

– Você gosta muito de bicho, né?

– Demais, mano! Eles são minha vida, tudo pra mim! Eu tento ajudar como posso, sempre to resgatando algum, indo nos centros de adoção, fazendo feira, levando em clínica… Não me canso nunca!

– Você é linda, menina! Que coração incrível! – Clara se derreteu com Vanessa.

– Eles merecem muito amor, olha essas carinhas! Eu não resisto!

– E eu não to resistindo a você!

– Tá louca? Olha minha mãe ali, mano! – As duas riram.

– Ela tá longe, não ouviu nada não. Sem contar que eu to usando sua roupa, ela só não saca que dormimos juntas se não quiser.

– Cala a boca, Clara!

– Deixa só eu falar mais uma coisa…

– Diga…

– Eu to querendo te beijar! Só um beijinho!

– Você devia ter ficado calada, mano! – Vanessa ficou visivelmente embaraçada.

– Tá, desculpa! Olha, vamos lá no seu quarto de novo, quero pegar meu celular, esqueci lá e queria saber como tá meu filho.

– Vai lá, mano! Você sabe o caminho!

– Para de dar coice, não vou andar pela sua casa sozinha! Vamos!

– Ai que manhosa! Vem!

Seguiram novamente para o quarto de Vanessa, onde Clara começou a procurar seu celular.

– Minha mãe deve estar louca, não avisei que ficaria a noite toda fora!

– Ela não conhece a filha que tem?

– Conhece, por isso mesmo ela deve estar louca, Van!

– Ai, mano, você não existe! Vou pegar algo pra comer lá na cozinha, quer? – Falou Vanessa, já indo em direção a porta do quarto.

– Você não vai sair daqui agora nem fodendo. – Clara tomou a frente de Vanessa e fechou a porta do quarto.

– Claro que eu vou! – Insistiu Vanessa.

– Teimosa do caralho!

Clara puxou Vanessa para um beijo e ela correspondeu. As duas saíram cambaleando pelo quarto, dando risada e com as bocas coladas, ao mesmo tempo. Vanessa tomou o controle da situação ao jogar Clara em sua cama, a loira gostou.

– Que safada, Van!

Vanessa insistiu no beijo e teve sua resposta. Clara entrou no jogo e se animou com a disposição de Vanessa. O beijo continuava sem pausas, enquanto Vanessa segurava as mãos de Clara contra a cama, dominando-a. A situação estava ficando propícia para outro excitante momento entre as duas, quando Vanessa se afastou de Clara aos risos.

– Como assim, já acabou? – Resmungou Clara, surpresa com o afastamento de Vanessa.

– Claro, não era só um beijinho que você queria? Te dei ele, vamos descer e nem faça essa carinha emburrada! Mesmo ficando linda assim.

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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