Você nunca estará sozinha – Cap 13

Elas saíram juntas do bar, de mãos dadas e em passos acelerados. Vanessa já nem sentia o efeito da bebida que havia tomado mais cedo, estava bem para dirigir e assim o fez.

Fizeram quase todo o trajeto em silêncio. Clara arriscava cantarolar um ou outro trecho de alguma música, Vanessa só soltava um sorriso tímido. Meio incomodada, Clara disparou:

– Estamos parecendo duas idiotas assim!

– Eu tava pensando exatamente isso, mano! Eu com quase trinta anos nas costas, toda quietinha levando uma mulher pra minha casa…

– E eu acabei de lembrar: você me xingou no bar?

– Eu não, tá louca, mano?

– Você me xingou sim, de vagabunda! – Falou Clara, rindo da lembrança.

– Ai que mentira, mano! Você tá bêbada e sonhando com as coisas! – Vanessa riu junto.

– Como você é cara de pau! Você me chamou de vagabunda e eu te beijei!

– Eu não sou cara de pau!

– Então assume que me xingou, sua vagabunda! – As duas riram ainda mais.

– Olha só, quem acabou de me xingar foi você! E vagabunda é você!

– Me chama assim de novo, vai…

– Sua vagabunda! – Disse Vanessa, cheia de vontade.

Clara sorriu e abriu a janela do carro no mesmo segundo. Com a cabeça para o lado de fora, ela gritou:

– É oficial, Brasil: eu to apaixonada por essa mulher!

Vanessa se assustou tanto com a atitude da loira que precisou parar o carro para entender a situação e, obviamente, rir. Puxou Clara da janela e buscou explicações:

– O que você tem na cabeça, mano?

– Vontade, Vanessa! Um monte de vontade!

– Olha a hora que você tá gritando na rua, sua doida!

– Você prefere que eu fale baixo?

– Claro, né?

– Então vem cá…

Em um movimento rápido, Clara puxou Vanessa pela blusa e fez com que ela ficasse bem próxima. Com os rostos colados, Clara prosseguiu:

– Eu to apaixonada por você, menina.

Vanessa tentou se distanciar, sem sucesso. Notando que Clara exigia uma resposta, já que continuava segurando sua blusa, ela retrucou desconfiada:

– Você tá bêbada, mano.

– E você não assume o que quer. Dirige, eu to bem afim de te mostrar como eu to bêbada. – Nesse momento Clara soltou Vanessa e se encostou em seu assento.

– Eu já te falei que não tenho medo de você. – Vanessa sorriu e voltou a dirigir em direção a sua casa.

Clara estava entrando em pânico. Vanessa realmente mexeu com ela, não só fisicamente, não só pelo apelo sexual e toda a sensualidade que exalava… Ia além disso. Os poucos encontros entre elas foram suficientes para Clara entender que a companhia de Vanessa era diferente, que a conversa era mais interessante. Ela estava envolvida. Envolvida sentimentalmente num nível que estava assustando. E se Vanessa só estivesse curtindo? Era o que parecia, ela não demonstrava nada além de desejo. Não que isso estivesse incomodando, mas Clara queria mais. Esperava por mais. Clamava por mais.

Antes do silêncio imperar novamente, Clara sondou o terreno, queria saber o que lhe esperava:

– Você mora sozinha, Vanessa?

– Não, moro com minha mãe e um monte de cachorro e gato! Mas ela foi pra balada, vai dormir na casa de uma amiga hoje.

– Como assim sua mãe foi pra balada?

– Ela adora balada, todo final de semana vai pra alguma com as amigas!

– Que moderninha, vou querer conhece-la!

– Minha mãe é uma figura, mano…

– Ela trabalha?

– É aposentada, mas tá sempre trampando como voluntária numas escolas aqui perto de casa, é professora. – Vanessa parou o carro de frente para a garagem da sua casa e abriu o portão eletrônico enquanto respondia.

– Que linda… Chegamos, então?

– Seja bem vinda!

– Trate-me bem que eu voltarei sempre…

– Nem se preocupa que hoje você vai ser muito bem tratada, dona Clara… – Antes de entrar com o carro em sua garagem, Vanessa deu um selinho em Clara.

O portão estava fechando enquanto elas desceram do carro de Vanessa. Curiosa, Clara olhava em todas as direções, avistou um ou dois cachorros e até tentou chamar a atenção deles, sem muito sucesso.

– Eles são tímidos… – Comentou Vanessa. – Vem, entra e fica a vontade!

– Você tá me mandando tirar a roupa? – Brincou Clara.

– Para de ser doida, mulher! Quer beber alguma coisa? Aqui eu posso, não vou dirigir mais!

– Eu tomo o que você for tomar. – Falou Clara, seguindo Vanessa até a copa. Encostou-se na mesa de jantar, e esperou Vanessa continuar ir na geladeira pegar uma cerveja. – Sua casa é muito legal, mó grande!

– Eu adoro isso aqui, tem muito espaço pros meus nenéns brincarem! Eu vou tomar aqui mesmo, você quer um copo?

– Se importa se eu tomar com você?

– Claro que não, mano!

Com a cerveja na mão, Vanessa foi ao encontro de Clara, que continuava encostada na mesa. Abriu a garrafa e ofereceu o primeiro gole para a loira, que não recusou. Vanessa observou cada movimento de Clara, estava achando lindo o jeito que ela articulava, em como jogava o cabelo para o lado, cada sorriso que se formava… A vontade só estava aumentando.

Clara mal devolveu a bebida para Vanessa, que sequer bebeu, mas a colocou de lado, o que gerou estranhamento.

– Você não vai beber, Vanessa?

– A cerveja pode esperar… Já eu…

Vanessa colocou as mãos ao redor da cintura de Clara e puxou o corpo dela contra o seu. Clara adorou aquele repentino movimento. A loira inclinou sua cabeça para trás e fechou os olhos, como quem permite e faz questão de demonstrar que Vanessa estava no caminho certo.

Tão oportunista quanto Clara, Vanessa não pensou duas vezes em mergulhar no pescoço que estava na sua frente, livre, abrindo espaço para a curtição que estava apenas começando.

Ditando todo o ritmo, Vanessa ergueu o corpo de Clara o suficiente para sentá-la na mesa de jantar.

– Você tá doida, menina? – Sussurrou Clara.

– Cala a boca, Clara!

Encaixando-se entre as pernas de Clara, que sequer hesitou em abri-las para aproximar os corpos, Vanessa não economizou nos beijos, que estavam cada vez mais intensos.

Clara tentava se apoiar com apenas uma das mãos, enquanto a outra percorria as costas de Vanessa, ensaiando alguns arranhões.

Do outro lado, Vanessa não conseguia parar de beijar Clara, e nem queria. Segurou a loira pela nuca, com um pouco de cabelo entre os dedos, o suficiente para arrepiar Clara com leves puxões. A outra mão estava segurando uma das pernas – e passeando por lá – de Clara, que estava levemente levantada e apoiada em Vanessa. Os corpos estavam se entendendo perfeitamente, os movimentos pareciam orquestrados.

Vanessa queria mais. Empurrou Clara um pouco mais para cima da mesa, fazendo com que seu corpo ficasse quase deitado; ao tentar acompanhar Clara, Vanessa esbarrou na garrafa de cerveja que também estava na mesa, derrubando-a no chão.

– Que merda! – Reclamou Vanessa, se afastando de Clara.

– Te machucou? – Clara ergueu o corpo com cuidado, fitando Vanessa e conferindo se ela estava bem.

– Não machucou não, só foi um alerta.

– Alerta? De quê?

– De que já passou da hora da gente subir pro meu quarto, desce dai…

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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