Você nunca estará sozinha – Cap 12

Elas riram juntas, quase que descontroladamente. Vanessa estava longe de ser um troféu ou algo em disputa, mas Clara sentiu muita vontade de soltar aquela frase. Era ao lado dela que Vanessa estava, sem pressão, sem cobrança, sem interesse.

Vanessa demonstrava tanta vontade quanto Clara, mesmo tentando se conter, hora ou outra. Era claro para ela que tudo aquilo era curtição, afinal, Clara é casada. Ela optou por não se sentir mal com a situação e aproveitar tudo aquilo, já que Clara explicou que não existe problema. Ora, como resistir a uma mulher linda, simpática, com um baita sorriso e que exala sensualidade?

Os beijos se multiplicavam a cada minuto. A cada gole de bebida Clara notava uma Vanessa mais solta, mais disposta e bem mais sacana.

– Se eu soubesse que você se soltaria tanto, tinha te embebedado antes, menina! – Pontuou Clara.

– Nem brinca, mano! Esse foi meu último copo, já to bem louca e a noite mal começou, to dirigindo, tenho que te levar em casa depois, não devia nem ter bebido!

– Você devia me levar pra sua casa, não pra minha!

– Seu marido me mataria, sua louca!

– Ai, esquece isso! Você prometeu que cuidaria de mim hoje, só quero que você cumpra a promessa!

– E eu não to cumprindo? – Vanessa falou num tom sério, encarando Clara.

– Cala a boca e cuida mais! – Rebateu Clara, beijando Vanessa mais uma vez.

– Vamos voltar pra pista? – Sugeriu Vanessa.

– Por quê? Não tá gostando daqui?

– O problema é justamente esse! Eu to gostando até demais! – Vanessa ficou vermelha, olhou para todos os lados, exceto para o rosto de Clara.

– Então, meu! Curte! – Clara propôs sorrindo.

– Aqui eu não posso te curtir como eu quero, mano!

– Fala pra mim como você quer me curtir!

– Tá louca, mano? – Respondeu Vanessa, aos risos.

– Claro que não! Só fiquei curiosa!

– Um dia você descobre…

– E porque não hoje?

– Ai, Clara! Você tá bêbada, vamos dançar, vai!

– Você só me enrola, Vanessa! Vamos, quero beber!

De mãos dadas, seguiram para a pista de dança. Curtiram a maioria das músicas tocadas, dançaram juntas. Vanessa, que já não estava mais bebendo, não tirava os olhos de Clara. Era encantador o jeito que aquela mulher dançava, quase hipnotizante! Impossível não notar que várias mulheres e homens olhavam para Clara e, ao notar, Vanessa fazia questão de mostrar que era com ela que Clara estava.

Já passava das quatro da manhã e o bar já estava relativamente vazio. Clara continuava animada, dançando e bebendo, enquanto Vanessa acompanhava de perto, fazendo uma pausa para comer. Lá pelas tantas uma moça se aproximou de Clara, pareciam amigas, Vanessa ficou atenta. Era Simone, a mesma garota da outra balada, com quem Clara dançou. As duas se cumprimentaram com um longo abraço e iniciaram uma conversa, Vanessa se segurou.

– Olha só quem eu encontrei! – Falou Simone em tom de surpresa.

– Simone! – Clara também se surpreendeu e abraçou a ex-namorada.

– Quer dizer que você tá rolando todas as baladas da cidade?

– Eu tava morrendo de saudade disso! To acompanhando uma amiga, olha ela ali. – Clara apontou para Vanessa, que não aparentava estar muito feliz com a cena.

– Que gata! É a mina do Inferno?

– É sim! Muito linda, né?

– Tá pegando bem, hein, Clarinha!

Ali de perto Vanessa acompanhava a cena, claramente irritada e sem entender o que se passava, ela observava as duas sorrindo e, hora ou outra, olhando para ela. Não estava agradável.

A conversa foi curta, Simone e Clara se despediram com um beijo no rosto. Após o encontro, Clara foi em direção a Vanessa, que estava encostada numa mesa próxima da pista. Mesmo meio bêbada, Clara conseguiu notar a insatisfação no semblante de Vanessa:

– Você me abandonou lá na pista pra comer, Vanessa? Tava bom, pelo menos?

– Tava sim, mas você nem ficou sozinha…

– Claro que fiquei! Dancei mó tempo sozinha, mulher!

– E aquela mina lá?

– Quem? A Simone?

– Sei lá o nome dela!

– Nossa, é uma amiga antigona, aliás… Até namoramos por um tempo.

– Ah, então aquela lá é sua ex-namorada?

– É, mas faz tempo, meu… Muito tempo!

– Bom saber!

– A gente só se cumprimentou, Van! Até falei pra ela que to com você!

– Sei…

– É sério, pode ir lá perguntar!

– Eu não quero perguntar nada a ninguém não, vamos embora?

– Já?

– É, acabou a noite pra mim!

– Vanessa, você tá com ciúme?

– Não, mano! Tá louca?

– Você tá com ciúme sim…

– E se eu tiver? Não pode?

– Da Simone, mano? Você tá com ciúme da Simone? – Perguntou Clara, descrente.

– To! Claro que eu to! O que você quer que eu faça?

– Mano, é a Simone! Não tem que ficar com ciúme dela… Sei lá, é a última pessoa que eu ficaria na face da terra!

– Não interessa, mano!

– Da Simone…

– Pare de repetir, Clara… Vamos embora!

– Eu não quero ir embora, Van!

– Então fica ai, porque eu to indo! – Vanessa tirou a chave do carro do bolso e seguiu em direção à porta do bar.

Clara não estava acreditando que Vanessa acabara de ter uma bela crise de ciúmes. Seguiu correndo atrás de Vanessa, que parou de frente para a porta do bar, que já estava fechada.

– Ai, porta! – Resmungou Vanessa, tentando abrir a porta do bar.

– Me ouve, Vanessa! – Pediu Clara.

– Abre essa porta! Que merda!

– Você vai continuar fingindo demência? Eu to falando com você!

– Eu não quero conversar, Clara!

– Olha como você tá me tratando, mano! Há uns minutos a gente tava mó de boa se curtindo, olha a bosta que tá dando sem nem ter motivo!

– Não ter motivo? Eu tava lá mó romântica, mó de boa com você, te deixo sozinha por cinco minutos e sua ex-namorada brota do inferno pra ficar do seu lado? Claro que tem motivo! Não gosto que tirem com a minha cara, mano!

– Que porra, Vanessa! Eu não to te zoando! Eu tava falando pra ela que to com você! Acredita em mim!

Os olhos de Clara já estavam cheios, ela estava desesperada pela reação de Vanessa diante de algo que, para ela, não existia. Vanessa não conseguia encarar Clara, estava irritada, cheia de ciúmes.

– Ao menos me olha, eu to falando com você. – Disse Clara. E foi prontamente atendida. Vanessa levantou o rosto e passou a encará-la.

– Agora me beija! – Continuou Clara, ao notar que Vanessa atendeu seu primeiro pedido.

– Você não tá merecendo beijo, Clara! – Falou Vanessa, soltando um sorriso tímido.

– É óbvio que eu to! Eu to desesperada com você brigando assim comigo, eu só quero você, menina.

– Você nem me conhece direito…

– E daí? Você não me conhece também e tá cheia de intenção comigo!

– Ai que idiota você é, Clara!

– Sou, sou mesmo! Olha como eu to: bêbada, no meio de um bar, falando que quero você… Idiota ou louca, só quero terminar esse dia de um jeito bom.

– Eu não quero te levar pra sua casa, Clara… – Confessou Vanessa.

– Me leva pra onde você quiser!

– Você não tem um pingo de juízo!

– Pare de retrucar tudo o que eu falo, mulher! Me leva pra sua casa, a gente aqui só tá perdendo tempo!

– Quem disse que eu vou te levar pra minha casa?

– Eu to dizendo! É pra lá que vamos agora!

– Eu nunca levei ninguém pra minha casa… Por que te levaria?

– É porque você só me conheceu agora! Por isso aqui.

Clara segurou as mãos de Vanessa e a encostou na porta, que continuava fechada. Os olhos se encaravam sem sequer piscar, Clara falou:

– Tem certeza que não quer me levar pra sua casa?

– Vagab…

Antes de Vanessa completar a palavra, Clara a beijou ainda segurando suas mãos. Ao contrário dos lábios, os corpos se tocavam levemente, Vanessa tentava se soltar e não tinha sucesso, mas pouco importava, a situação estava bastante cômoda.

– Caralho! – Vanessa sussurrou sorrindo no meio do beijo.

Sem sequer afastar sua boca da de Vanessa, Clara também sorriu e perguntou:

– Te convenci agora?

– Mano, vamos agora pra minha casa! – Respondeu Vanessa, empolgada.

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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