Você nunca estará sozinha – Cap 10

Júnior caminhou até a calçada para cumprimentar Vanessa, Clara continuou sentada, apenas observando o que estava acontecendo.

– Olha só você por aqui! Mais um resgate?

– Não, esse aqui é o Jack, meu bebê! Na verdade eu resgatei ele também, tava magrinho e quase morrendo, mas agora é esse boi da mamãe! To levando ele pra visitar o pessoal lá da clínica!

– Caramba, que legal! Vamos sentar pra tomar uma cerveja, to ali com minha irmã! – Júnior apontou para Clara.

– Ali aonde, gente? Desculpa, é porque eu deixei os óculos no carro! – Disse Vanessa, enquanto apertava os olhos tentando enxergar para a pessoa que Júnior apontou. Ele riu e a convidou para se aproximar.

– Vem cá, deixa eu te apresentar pra minha irmã, ela adora cachorro! Acho que vocês tem muito em comum, inclusive.

– Mas eu não posso entrar no bar com o Jack, mano!

– Relaxa, a gente tá numa mesa aqui fora, nem vai entrar no bar.

Vanessa acompanhou Júnior até a mesa e, antes mesmo de chegar até lá, ela notou que conhecia a moça em questão.

– Essa é a minha irmã, Vanessa! – Disse Júnior, fingindo não saber de nada.

Clara ficou de pé, enquanto Vanessa, que não conseguiu segurar o riso, se aproximou para cumprimenta-la com um beijo no rosto.

– Oi, Vanessa! Tudo bem? – Perguntou Clara, tentando ficar séria.

– Tudo sim, Clara. A gente já se conhece, Júnior!

– Sério? Que mundo pequeno! Então se virem ai, vou ali pegar mais uma gelada e cumprimentar um brother, já volto, meninas! – Conforme tinha avisado, Júnior saiu de perto deixando Clara e Vanessa sozinhas para se entenderem.

– Realmente, esse mundo é muito pequeno, não é Vanessa?

– Nossa, mano… Demais.

– Senta ai, vamos conversar um pouco. – Propôs Clara.

– Ah, eu tenho que levar o Jack ali na clínica…

– Tenho certeza que ele não vai se incomodar com uns dez minutos de atraso, Jack e eu já somos brothers, esqueceu? Mas sem pressão, fica a vontade!

– Mano, é verdade! Você já o conheceu, que engraçado! – Após o pedido, Vanessa sentou-se à mesa, ao lado de Clara.

– É, lá no Villa Lobos…

– To ligada… Que legal você ser irmã do Júnior, a gente se vê sempre aqui mesmo no bar.

– Mundo pequeno, né? Te encontro um dia no parque, no outro você é amiga de um amigo meu e, não bastando, ainda conhece meu irmão… E a balada ontem? Nem vi quando você foi embora…

– Ah, eu não tava me sentindo muito bem, ai preferi ir pra casa.

– Como não, gente? Você tava mó animada dançando com o Walter!

– Você me viu dançando com o Walter?

– Claro, a balada inteira viu…

– Achei que você tava entretida com a outra lá.

– Outra? Que outra? Eu só fiquei com você!

– Mas tava lá dançando com outra mina. – Falou Vanessa, visivelmente incomodada. Clara sorriu.

– Do que você tá rindo? – Continuou Vanessa.

– De você. Da gente. Sei lá.

– Não to contando piada, mano!

– Calma, Vanessa! – Clara tentou acalmar Vanessa, a segurando pelo braço.

– Me solta, eu to bem de boa. E olha só, vou indo nessa, preciso levar o Jack na clínica.

– Espera…

– O que foi? – Disse Vanessa, quase se levantando da cadeira.

– Eu não quero depender do acaso pra te encontrar de novo e tenho certeza que você também não quer.

Vanessa respirou fundo e suas pernas estremecerem. Sentiu-se como uma adolescente, nervosa e acanhada. Clara pareceu entender o silêncio de Vanessa e continuou:

– Você tem uma opção só: me passar seu telefone e me ver mais tarde.

– Quê? – Perguntou Vanessa, confusa.

– Eu acabei de te chamar pra sair comigo, Vanessa. – Falou Clara, sorrindo e certa que Vanessa não recusaria o convite.

– Ah, mano… Eu não sei…

– Como não sabe? É só responder que sim e a gente combinar uma hora!

– E o seu marido? E o seu filho?

– Nossa, quanta preocupação, Vanessa! Deixa que disso eu cuido, onde a gente se encontra?

– Você tá na casa do seu irmão?

– To sim…

– Te pego as dez, tenho uma festinha legal hoje, você vai curtir. Agora deixa eu ir levar o Jack. – Vanessa deu um sorriso sacana para Clara, que retribuiu. Elas se entenderam do jeito mais improvável, mas pouco estavam se importando.

– Não ganho um beijo de despedida? – Sugeriu Clara.

– Você não tem juízo, mulher!

– Vem cá, é só um beijinho!

Vanessa se aproximou em direção aos lábios de Clara e, delicadamente, Clara virou o rosto de Vanessa, dando-lhe um beijo no rosto. Vanessa sorriu e se afastou balançando a cabeça em sinal negativo.

– Até mais tarde, Van! – Completou Clara.

– Até, Clara! Até!

Vanessa seguiu sorridente para a clínica veterinária. Não precisava pensar muito para notar que Clara estava querendo se aproximar. E ela queria essa aproximação tanto quanto Clara, só não conseguia entender direito de onde surgiu essa vontade.

Definitivamente, Vanessa começou a aceitar aquela situação. Ora, Clara é uma mulher incrível, chama atenção onde passa. E chamou muito a atenção de Vanessa. Ela estava pensando, inclusive, em comemorar a insistência de Clara.

A única coisa que freava toda e qualquer animação de Vanessa é o fato de Clara ser casada. Por mais desencanada que seja, Vanessa não conseguia assimilar o tipo de relacionamento de Clara com o seu marido, e nem queria, afinal, mesmo sabendo disso elas ficaram. E foi muito bom. Vanessa preferiu relaxar e quis pagar para ver. A noite estava prometendo.

Do outro lado ficou Clara, radiante. Exalando felicidade e não fazendo a mínima questão de esconder o seu contentamento. Vanessa mexeu com ela, estava na cara. Clara não queria deixar aquela mulher escapar mais uma vez.

– Eita, que sorrisão! A conversa foi proveitosa assim? – Brincou Júnior, voltando para a mesa.

– Nossa, Ju! Não sei nem como te agradecer, vamos brindar!

– Se acertaram mesmo? Vamos sim!

– Sim! Vamos brindar o fato de que sairei com a mina mais gata dessa cidade hoje à noite! – Clara esticou o copo e brindou com seu irmão, que deu risada do motivo proposto por ela.

– Você não muda nunca, menina!

– Você viu só como ela é gata?

– Não é de hoje que reparo nisso, hein Clarinha?!

– Não vem não, Ju! Ela é minha!

– Pode ficar tranquila, fiz o cupido e você ainda tá com dúvida?

– To brincando, Ju! Nossa, olha onde eu fui me meter, mano…

– Tá falando em relação ao seu marido?

– Tá louco? Meu negócio com Fábio é um caso a parte. To falando da Vanessa mesmo, essa mulher vai fazer um estrago em mim, anota isso.

– Já tá fazendo, assuma!

Clara sorriu e teve a certeza que seu irmão falou a coisa mais certa do mundo, naquele instante. Entre a aproximação com sua família e a confusão que seu marido estava envolvido, Clara estava preocupada apenas em encontrar Vanessa no fim do dia. E tratou de fazer isso acontecer.

– Preciso falar com a mãe, Ju. Você acha que ela se importa de ficar com o Pedrinho?

– Ela deve tá louca pra você fazer isso, viu? Não para de falar no moleque desde que vocês saíram aquele dia. E relaxa, eu vou ficar em casa hoje também. Pode sair tranquila com sua mina.

– Minha mina? Tá louco?

– Mas você que disse isso!

– Falei, né? Começarei a aceitar isso… Minha mina… Gostei!

Júnior e Clara terminaram suas bebidas e voltaram para casa. Ele chegou em casa fazendo barulho, comemorando que Pedro seria responsabilidade de Dona Rose durante a noite. E ela abriu um sorriso:

– Você vai sair, Clara? – Perguntou Dona Rose.

– Se você puder ficar com o Pedro, eu to pensando em fazer isso sim.

– Seria um prazer! – Concordou Dona Rose.

Clara agradeceu e seguiu para o quarto com Pedro, com quem ficou brincando por um bom tempo. Tempo suficiente para anoitecer e Clara se assustar com a hora. Já passava das oito e ela sequer tinha tomado banho. Tratou de alimentar Pedro, que já estava sonolento, e o colocou para dormir logo em seguida.

Ela correu para um banho e se arrumou na sequência. Mais um vestido justo e curto. Os cabelos loiros ganharam curvas. Os olhos ficaram quase negros, enquanto a boca destacava um tom vermelho. Passava das dez quando Clara terminou a produção e ela pouco precisou esperar. Ouviu uma buzina na porta de sua casa, Júnior confirmou que era Vanessa.

Clara deu um beijo em Pedro e se despediu da sua mãe e irmão. Colocou no rosto o seu melhor sorriso, a ocasião clamava por isso. Abriu a porta do carro e entrou confiante:

– Achei que você tinha desistido de mim. – Brincou Clara.

– Eu não seria idiota duas vezes. – Sorrindo, Vanessa retrucou.

– Eu não vou te deixar ser, hoje você não me escapa.

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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