Um desabafo baseado no medo

Não é fácil ser alguém como eu. Todo mundo já pensou isso em algum momento, não é? Pois há uma semana minha cabeça gira em torno dessa frase, pela primeira vez. Não acho que sou perfeita, nem acho que sou grandes coisas. Faço o que amo, faço com prazer e vou continuar fazendo.

Junto com vocês, que lêem, faço esse site ser um lugar legal, divertido e super interessante para pessoas gays. Não precisa ser homem ou mulher e, na verdade, não precisa necessariamente ser gay. Inclusive, tenho amigas heteros que amam as aventuras e amores de Beta, Tati e Dani. Faço tudo isso porque acredito no poder do amor. Simples assim.

Nós sabemos como é mais fácil ser super assumida na internet, não é mesmo? Lá fora, o mundo real assusta às vezes. Eu tenho vivido bem fora do armário neste mundo real. Nunca escondi quem eu era, quem eu amava e quem eu queria por perto. Sempre defendi meus direitos e busco por eles todos os momentos. Inclusive, com o HPM.

Tenho uma namorada, linda, apaixonante, do tipo que conquista todos à sua volta. Mas, sempre “discutimos” sobre o fato dela não ser tão assumida quanto eu. Na verdade, é só porque tenho uma coisa em mim – que pode ser positiva ou não – de querer gritar aos sete ventos quando estou feliz. Sou do tipo que quer postar fotos o dia todo, postar declarações no mural dela e mandar todos os tipos de recados românticos. Ela adora isso, eu sei. Mas não concorda tanto com essa postura. Segundo ela: “já tem muita gente tomando conta da minha vida sem saber disso…”.

Ok. Eu sempre respeitei a maneira dela de pensar e por isso estamos juntas faz 3 anos já. Eu a amo. Mais do que tudo.

Mas uma última frase dela mexeu comigo. Em mais uma conversa sobre o assunto ela confessou que muitas vezes evita certas demonstrações de carinho em público por medo. Medo de apanhar, medo de ser humilhada, medo do mundo.

Eu não quero sentir medo. Ainda mais medo de amar. Eu não quero ter que andar nas ruas olhando para os lados porque não sei quem vem atrás. Eu não quero que a mulher que eu amo, tenha medo de demonstrar que me ama por medo do que possa acontecer. Não é justo eu ser punida por amar. Não é justo eu ser punida.

Todos os dias penso em sair do país. Sei lá, buscar minha vida lá fora, recomeçar a nossa vida em um lugar que eu possa andar de mãos dadas com a minha namorada na rua e não ter medo. E que nesse lugar seja possível eu ir de metrô para o trabalho sem ter medo de ser “encoxada” (lê-se: abusada).

Mais do que isso, não quero que meus filhos cresçam em um lugar como este.

Não faz sentido viver assim. Não faz.

you

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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