Tudo muda, tudo passa – Cap 6 – Parte 6

Tudo muda, tudo passa – Cap 6 – Parte 6

Para aliviar o clima, vó Dorte me contou sobre a fazenda e suas estórias de natal. A paisagem me encantava mais e mais. Vi uma placa escrito Oxford e pouco depois saímos da estrada principal entrando em um caminho de terra. Engraçado como perto da mais famosa “cidade universitária” do mundo havia um refúgio como a fazenda para onde estávamos indo. Depois de alguns minutos, ao longe vi uma imensa e bela casa e um celeiro perto. Deduzi que a fazenda seria ali, e acertei.

Passamos por uma porteira de madeira que se encontrava aberta, e um homem nos acenou. Havia uma placa dizendo: Sunflower Farm. Logo percebi uma linda árvore de natal, um pinheiro de verdade, de uns 6m de altura, completamente enfeitado e com uma estrela na ponta.

– Uau! Lindo! – exclamei

– Também acho. Passamos três dias para enfeitá-la, mas valeu a pena.

– Todo ano temos uma bela árvore. Espere só até acenderem as luzes. – Alex me falou.

Vó Dorte se deslocou até o celeiro e estacionou o carro em uma espécie de grande garagem toda feita em madeira, que era como um anexo do celeiro. As portas estavam abertas quando chegamos. Lá dentro, estavam mais seis carros e um trator, além de poucas ferramentas de campo penduradas em uma parede.

– Pelo que vejo todos já chegaram – cruzou os braços – Bem, está frio e acredito que agora sim vocês queiram se preparar e comer algo. Vamos entrar?

Retirei as malas do bagageiro enquanto Alex e a avó fechavam as portas. Saímos de lá e andamos até a porta de entrada da casa. Olhei para trás para ver melhor o celeiro. Ele tinha uns 12m de altura por quase a mesma coisa de largura, era todo em madeira e estava fechado. A poucos metros da porta havia um pequeno poste com uma lamparina pendurada, que estava apagada. Eram umas 18:00h, mas já estava escuro. Porém, podia perceber a existência de muitas árvores, desfolhadas por conta do inverno, e de um campo plano cheio de trigo. Mais ao longe se via um pequeno lago.

– A fazenda se estende até aquele lago?

– Sim. Por conta da escuridão você não poderá ver uma cerca de madeira bem próxima às suas margens. Ela nos separa da fazenda dos McGueer. Do outro lado – apontou o lado oposto ao do lago- é a fazenda do pastor O’Brian. E o nosso famoso campo de girassóis fica ali, perto do celeiro, mas nesta época do ano você não os verá. Ficará para a próxima, no verão! – sorriu.

– Eu sinto interromper, mas o frio está me matando! Vamos entrar? – Alex trincava os dentes.

E finalmente estávamos paradas diante da porta. A casa era enorme, como estas que se vê nos filmes. Também em madeira, pintada de branco, com seis janelas na fachada, todas com umbrais pintados de azul claro. A porta de entrada era preta, lisa, e com uma grande argola de bronze pendurada. Vó Dorte segurou esta argola e bateu forte.

– Ajuda para uma pobre mendiga – brincou.

Uma mulher muito parecida com ela abriu a porta e nos recebeu sorridente.

– Mendiga, é? – sorriu – Oh, meu amor, quanta saudade! Está linda com este corte de cabelo! E você deve ser Samantha. Vamos, entrem, saiam deste frio!

Entramos na casa e o interior era magnífico. Não parecia uma casa de fazenda, mas uma de bonecas e contos de fadas. Tudo era rústico, feito em madeira, mas com delicadeza e bom gosto. Alex e a tia se envolveram em um abraço apertado.

– Oh, deixe-me ajudar com isso! – um senhor correu até mim e pegou as malas – Sou Herbert Duncan, marido de Shelley.

– É um prazer. Samantha.

– Fique a vontade.

– Olá tio! – Alex beijou o rosto do homem.

– Olá querida! Tivemos saudades.

– Samantha, é um prazer – dona Shelley me puxou em um abraço de urso.

– Igualmente.

– E onde estão todos? – perguntou vó Dorte.

– Alguns no salão e outros na cozinha. À propósito Alex, seus pais chegaram não faz muito tempo. Robert está jogando gamão com Terry, e sua mãe está…

– Está parada aqui na sala querendo um abraço da filha!

Olhamos quase que todos ao mesmo tempo e nos deparamos com Jack parada perto de uma pequena estante. Alex caminhou até ela e se abraçaram sem muito entusiasmo. Quanto a mim, se resumiu a um cumprimento com a cabeça.

– Bem, essas meninas fizeram uma longa viagem e é hora de realmente chegarem. – vó Dorte interrompeu – Creio que querem desarrumar as malas e comer algo. Talvez até queiram tomar um banho; os brasileiros tomam banho demais pelo que se diz, e Alex deve ter adquirido o hábito.

– Banho em um frio desses?? Deus! Mas tudo bem. Eu vou levá-las para o quarto e depois elas conversarão com todos.- disse seu Herbert.

“Todos? É esse todos que me apavora!”

Reparei que muitas vozes vinham de um cômodo mais para dentro da casa. “Deve ser o tal salão!”

– O quarto de vocês fica no terceiro andar. Alex conhece bem a casa. Venham!

– Quarto de vocês? – perguntou Jack com desaprovação – Alex não dormirá com Robert e eu como sempre?

– Não querida! – dona Shelley interveio – Elas dividirão o quarto com Leslie e Meg. Deixamos os jovens todos no terceiro andar. – e olhando para nós – Podem ir meninas!

Não perdemos tempo e subimos as escadas atrás do senhor Herbert. Cruzamos um corredor comprido, cheio de quadros, e entramos em um belo quarto com quatro camas.

– Aqui está! – colocou as malas sobre uma mesinha – Leslie está com esta cama e Meg com aquela ali do canto. Fiquem a vontade. No mais, Alex conhece bem a casa.

– Obrigado, senhor!

– Obrigado tio!

– Pode me tratar por meu nome, Samantha. Senhor é apenas Deus. – dito isso retirou-se do quarto.

sig_Raydon

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