Tudo muda, tudo passa – Cap 4

Tudo muda, tudo passa – Cap 4

A semana começou e nada aconteceu. Nada se falou no laboratório e nem notei diferenças em lugar algum. Alex passou para voltarmos juntas de carro e nada aconteceu com ela também. Acreditei que as férias quebraram as possíveis fofocas e me tranqüilizei com isso. Tudo foi indo bem, até quinta.

– Sam, tem gente te esperando lá fora. – disse um colega do laboratório

Saí desconfiada e no corredor encontrei Aline e Taís. Estavam sérias.

– Oi Sam, a gente queria conversar contigo. – Taís disse – Sério.

“Imagino sobre o que se trata.”

– Então espera um pouco aí.

Voltei para o laboratório e disse que voltaria em meia hora. Saí novamente e fui com elas até um trailer onde nos sentamos.

– E sobre o que vocês querem conversar? – perguntei
– A gente viu tudo Samantha. – Aline começou dizendo – A gente viu a briga, a confusão e…aquele… beijo entre vocês. – seu tom era de desaprovação.
– Que merda foi aquela Sam? Você disse que Alex é sua garota! – Taís complementou com um sorriso irônico.
– E ela é. Mais que isso, é minha mulher! E a gente se ama de verdade.

A expressão de Aline era de indignação e choque. Taís sorria e sacudia a cabeça negativamente.

– E Cezar? – Aline perguntou.
– Não tenho nada com ele há mais de um ano. Acabou.
– Você mentiu pra gente… – Taís disse decepcionada
– Menti, porque eu não tinha coragem de assumir a verdade, mas agora isso acabou.
– Por que não diz logo tudo Samantha?
– E o que vocês querem saber afinal, Aline? – apoiei os cotovelos na mesa e olhei-as com firmeza.
– A gente quer saber há quanto tempo você nos engana fingindo que é uma coisa que não é! – disse Aline – Você é uma sapatão descarada que fez a gente de palhaça esse tempo todo. Nós confiamos em você e olha só isso! Você dá uma dessas! Faz a vergonha que fez numa festa cheia de gente!– passou a mão no rosto – Quantas vezes eu te chamei pra dormir na minha casa sem saber…
– Cuidado com o que fala Aline! – meu tom era ríspido – Eu não devo nada a vocês e nem tenho que dar satisfações. Eu tô com Alex sim, gostem ou não! Só menti quando disse que namorava Cezar porque vocês estranharam que eu andava “devagar” e não quis que soubessem. Mas agora eu assumi e acabou! E pode ficar tranqüila porque nunca me passou pela cabeça a hipótese de agarrar qualquer uma de vocês; muito menos você!
– Você foi sacana com a gente Sam. E todo mundo sempre te tratou tão bem! Sempre ficamos do teu lado e de repente isso sem a gente esperar… – reclamou Taís
– Nunca nem ligamos pro fato de você ser do morro. E olha no que deu! Crente que você era mulher, agora a gente vai ficar com fama de sapatão por sua culpa.
– Eu sou mulher sim Aline, e muito mulher, tanto que assumi uma coisa que me fez descobrir que vocês nunca foram minhas amigas! Vocês queriam era alguém pra ensinar uma matéria aqui e outra ali quando a coisa ficasse preta! Não são amigas, se fossem não perderiam tempo me julgando. Tá com medo de ficar com fama de sapatão Aline? Pois tem gente da sua laia que faz coisa muito pior e você nem imagina! Tá com medo também Taís? Você devia era se preocupar em estudar e sair do ciclo básico. Andar pra frente de vez em quando!
– Agora vai ficar ofendendo a gente só porque sempre se deu bem? Vá pra merda Samantha! – Taís levantou-se e me desafiou elevando a voz.
– Vão as duas pra merda! Eu tenho mais o que fazer, tá bom? Não tenho família rica pra bancar minhas vagabundagens! E de agora em diante, não precisam mais falar comigo! – retirei-me de lá.

Andei até o laboratório nervosa e passei no banheiro antes. Voltei para trabalhar, mas a concentração era nenhuma. Decidi almoçar mais cedo.

O dia foi seguindo sem maiores acontecimentos até que por volta das 16:00h decidi dar uma parada. No corredor dou de cara com Soninha, que trazia a Bíblia debaixo do braço.

“Não faltava mais nada!”

– Samantha, precisamos conversar. – seu tom era manso, mas sério.
– Aline e Taís falaram contigo? – não estava tão mansa.
– Falaram. Desde sexta. Hoje pela manhã me telefonaram. Saí da oficina assim que pude. E nem fechei a folha de pagamento dos fornecedores.
– E veio expulsar o demônio do meu corpo? – perguntei seriamente.
– Não concordei com o que Aline e Taís disseram pra você. Foram grosseiras. Sei que você é boa pessoa, mas está sob influências. Não conhecemos aquela garota direito e sei que ela virou sua cabeça. Esses estrangeiros se envolvem com coisas terríveis, e eu, particularmente, nunca simpatizei com os ingleses. Antes de conhecê-la sei que era uma pessoa normal…
– Pare por aí se vai começar a falar mal de Alexandra! Ela é o amor da minha vida e não admito que a ofenda seja lá como for! E que papo é esse de pessoa normal? Antes dela eu nunca havia me interessado por mulheres, é verdade, mas não admito que diga que tô sob as “más influências” dela ou que sou anormal!
– Samantha você não vê? Isso é aberração! Condenada por Deus!
– Quem é você pra por palavras na boca de Deus? – meu tom já era ríspido.
– Eu não faço isso! Eu conheço a Palavra e Ela não deixa dúvidas! Você está no caminho dos ímpios – senti agressividade em suas palavras – Está aqui! – bateu no livro – Tem dúvidas? Eu provo! – abriu e folheou – Já leu o Gênesis? Ouça a respeito da criação de macho e fêmea!
– Não tô disposta a ouvir sua pregação! – deixei-a e segui meu caminho.

Soninha me seguiu lendo Gênesis, citou passagens de profetas do Antigo Testamento e do Apocalipse.

– Conhece a Bíblia, não é Soninha? Então já leu no Novo Testamento quando Mateus, Lucas e Marcos citam que Jesus recomendou que as pessoas não julgassem os outros? Da mesma forma como julgar será julgada! Me esquece! Deixe o julgamento de Deus ser um trabalho pra Ele!

Fui embora e ela ficou parada me observando seguir.

sig_Gabi

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