Tudo muda, tudo passa – Cap 2

Tudo muda, tudo passa – Cap 2

– Samantha… – Alex olhou para o chão – você não precisa ficar aqui comigo deixando de fazer o que quer. Eu também posso ir embora sem problemas e …
– Alex – interrompi sua fala – eu realmente não vim aqui pra ficar com qualquer carinha. Eu prefiro ficar com você! – “Qual é Samantha, que frase é essa?” – Quer dizer, eu prefiro ficar conversando com você. E pra falar a verdade, vamos embora? – olhei bem dentro de seus de olhos.
– Vamos. – ela simplesmente respondeu assim.

Pegamos o ônibus interno e depois o 485. Caminhamos em direção a sua casa e durante todo este trajeto permanecemos caladas. Andávamos lado a lado e eu olhava para ela de vez em quando sem saber o que dizer. Pus as mãos nos bolsos da saia e já perto de seu prédio comentei:

– Você pareceu ter ficado um pouco assustada lá na festa.

Ela sorriu e abaixou a cabeça respondendo sem me encarar:

– Eu não sou muito… moderna. Acho que essa coisa de ficar… não combina comigo. – sorriu sem graça.
– O que acha disso? – olhava para ela
– Experiências vazias. – olhou-me rapidamente – Acho estranho duas pessoas se abraçando e se beijando por alguns momentos para depois se afastar, e cada um dos dois passar a fazer a mesma com outras pessoas e assim sucessivamente como se… E não me imagino beijando alguém sem que isto seja especial.

Suas palavras mexeram comigo. Eu me sentia uma pessoa vazia, sem sentimentos mais nobres.

– Você já namorou alguém, Alex?
– Nunca. E nem fiquei. – olhou-me rapidamente – Você deve me achar uma bobona…
– Não! – parei de andar – Não acho isso.

Ela também parou e ficou em frente a mim.

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– Somos tão diferentes… – seu olhar fixou-se no meu e de repente ela voltou a andar – Queremos coisas diferentes.
– O que você quer Alex?
– Um amor! – caminhou mais rapidamente e chegamos na porta do prédio
– E eu? – parei novamente em frente a ela – Que acha que quero?
– Como se diz em português: curtir. – abaixou a cabeça e abraçou-se ao fichário – Bem, Samantha, está mais ou menos tarde e é melhor eu subir. – encarou-me timidamente – Obrigado por ter me convidado para ir a tal chopada. Apesar de ter tido medo daqueles rapazes bêbados me pedindo para ficar com eles, foi bem divertido e suas amigas são engraçadas. – sorriu – Da próxima vez você investe no jogo e não deixa a Taís ganhar. – sorriu de novo – Tchau! – foi subindo os degraus da entrada do prédio.
– Talvez eu não queira mais isso! – disse em um ímpeto. Ela parou e olhou para mim – Talvez eu também queira… mais.

Nossos olhares mergulharam-se mutuamente, e após alguns segundos ela tornou a se virar e adentrou o prédio.

Os dias foram se seguindo e meu interesse por Alex aumentava continuamente, sem que eu entendesse a mim mesma. A semana de provas do ciclo básico chegou e a temida prova de cálculo já seria na quarta. Estudamos muito no sábado anterior e ela estava meio tensa. Conversamos bastante e eu tentei acalmá-la.

Durante a semana não a encontrei e estava ansiosa por saber como tinha se saído. Fiz algumas provas também, mas nada que me apavorasse. Pensava mais nela. Telefonei algumas vezes, mas não consegui falar com ela. Decidi então aparecer em seu apartamento no sábado, mesmo sabendo que não haveria aula neste dia.

Entrei na portaria e falei com o porteiro, que já me conhecia:

– Bom dia.
– Bom dia senhorita. – examinou-me de cima à baixo – Vou interfonar para a cobertura. – discou números – A professora da senhorita Alexandra. Ah, sim, bom dia.
– Pode subir.
– Obrigado.

Subi e estava meio sem graça. E se os pais dela estivessem lá? Cheguei e Dolores me esperava na porta. Mas estava sem o uniforme de empregada de novela.

– Bom dia, Dolores.
– Bom dia. – fez o seu sorriso mecânico.
– Samantha! – Alex apareceu na porta – Entre! – sorria

Dolores dirigiu-se a Alex e perguntou preocupada:

– Senhorita, tem certeza de que não haverá inconvenientes se eu…
– Dolores pode ir resolver seus problemas. Meus pais estão fora, você sabe, e eu sei cuidar de mim. – sorriu para Ela.
– Sendo assim. – olhou para mim – Tenham um bom dia. – retirou-se.
– Venha Samantha, entre. – pegou-me pela mão.

O dia estava meio frio e Alex vestia um moleton cor de rosa. Eu usava calça jeans, tênis preto, camiseta baby look branca e um casaco de moleton azul. Paramos no meio da sala e ela me olhava sorrindo. Cruzei os braços e disse sorrindo:

– Quer dizer que você é uma mulher madura que sabe se cuidar sozinha? Fiquei impressionada!
– Boba! – deu-me um tapinha no braço – Dolores estava com medo de me deixar aqui, mas eu autorizei que fosse. Posso passar sem babá.
– Ainda mais agora que me tem aqui pra cuidar de você. – abri os braços “Ai, o que eu to dizendo? Samantha você anda sapatão demais pro meu gosto… E desde quando eu fui sapatão????”
– Você cuidando de mim? – disse sorrindo e sentando no sofá – Aí é que tenho de me preocupar!
– Você anda muito abusada, viu menina? – sentei do seu lado, mas virada de frente para ela – Escuta, eu sei que não vou estudar contigo hoje, mas vim porque fiquei querendo saber novidades. Como foi nas provas?
– Veio para saber de mim? – sorriu intensamente – Que gentil! Bem – pôs as mãos sobre meu joelho – acho que fui bem em todas as provas. Até na de cálculo, que embora fosse trabalhosa eu sabia resolver. Pelo menos eu acho que sabia.
– Que bom. – pus minhas mão sobre as dela – Então você assim que souber da nota me fala. Dependendo não vai mais querer estudar.
– Não eu quero sim! Mesmo se tirasse dez eu quereria. Aliás, espere um minuto – levantou-se e foi até o quarto – Isto é seu, e nem se lembrou de cobrar. – estendeu-me um cheque
– Ah, Alex, escuta. – levantei-me – Eu não quero te cobrar.
– Ah, não! Você trabalhou, eu prometi e cumpro, por favor. – continuou com o cheque estendido para mim.

Olhei para o chão e pensei no que dizer:

– Vamos fazer assim, eu aceito esse cheque se as próximas aulas até a segunda prova forem de graça. Você me dá só o almoço.
– Mas assim não. – aproximou-se mais de mim – Você passa o sábado todo comigo e não ganha por isso? Não acho justo.
– Mas não é ruim passar o sábado com você! Eu gosto.

Ficamos nos olhando por algum tempo até que ela pôs o cheque no bolso da minha calça.

– Eu também gosto. – tocou meu cinto – Mas é justo que o trabalho seja pago.
– Aceite o que te propus. Você pagou, mas essa foi a última vez.

Ela olhou para mim como quem tem pena.

– Você precisa do dinheiro Samantha e trabalha por ele…
– Eu sei do que preciso Alex, e não é de ganhar dinheiro de você. – cheguei ainda mais perto – E sei o que quero.

sig_Raydon

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