Suspiros e acenos de quem esteve longe

Isso não é uma miragem, por mais que pareça. Há um bom tempo atrás eu escrevi aqui o meu último capítulo de 50 Tons da Vida. Não sei se todas vocês já leram ou se nunca ouviram falar, mas a verdade é que contei um pouco da história da minha vida neste site. E desde então acompanho cada dia dele e me emociono com as histórias que aparecem aqui e divido com a Mari, criadora do site, a felicidade de ver o Grupo crescendo ainda mais. Então, deixo aqui registrado o meus parabéns a ela. Mari, eu te amo!

Hoje, quase chegando no final de 2014 tanta coisa aconteceu na minha vida que nem sei por onde começar. Da última vez eu contei para vocês a história de K, a tal menina que me fez ficar com trauma de redes sociais. A minha história com a Donna vocês já conhecem, e sabem também que ela é o amor da minha vida. E sim. Ela continua sendo o amor da minha vida.

Em meados de setembro eu estava atrás de trabalho, estava cansada da agencia que trabalhava e mandei currículos para tantos lugares que nem lembro mais. Um deles me chamou para uma entrevista no centro da cidade do Rio e lá fui eu. Com uma pasta embaixo do braço, um óculos escuros e um fone de ouvido, peguei o carro e fui direto para o endereço que me deram. Papo vai e papo vem, fiquei lá por volta de uma hora e meia, só na entrevista. Nem me pediram pra esperar uns dois dias, saí de lá empregada.

No caminho de volta pra casa pensei muito na Donna. Ela era a pessoa que eu sempre ligava quando tinha esse tipo de novidade, aí liguei pra Mari, já que não rolava ligar para os EUA. Peguei um caminho mais longo, mas que ia pela praia. Uma das coisas que mais amo no Brasil são as praias, mas não amo tanto assim para querer ficar, enfim. Loucuras da minha cabeça, vocês já deviam estar acostumadas.

Assim que pus os pés em casa, ouvi a voz da minha mãe. Ela tinha dito que passaria o dia fora com umas amigas ou sei lá o que. Chegar em casa e saber que viriam uma porrada de perguntas me deu uma desanimada, mas então eu respirei fundo e resolvi encarar a coroa. Quando cheguei perto do sofá ela estava com uma cara de pouquíssimos amigos. Pensei logo que ela tinha brigado com meu pai.

– Sua amiga apareceu aqui. Mandei ela esperar no seu quarto.

Amiga? Como assim amiga? Pensei até que fosse a Mari, ou então uma outra menina que eu estava saindo (sem compromisso algum), e fui correndo até a porta do meu quartinho para ver quem era.

Eu nunca me enganaria se encontrasse aquela pessoa de costas em qualquer lugar do mundo. Era a Donna. PUTA QUE O PARIU MEU IRMAO A DONNA ESTAVA NO MEU QUARTO AQUI NO BRASIL SOCORRO O QUE EU FAÇO AGORA. Foi mais ou menos essa a minha reação. E aí, ela sentiu que eu tinha chegado no quarto, virou de frente para mim e sorriu, como se dissesse “oi, vim fazer uma surpresa”. MEU IRMÃO O QUE ERA AQUELE SORRISO MARAVILHOSO EU SOU COMPLETAMENTE APAIXONADA POR ESSA MULHER. E então eu fechei a porta do meu quarto, girei a chave – o que deixou minha mãe bem irritada – pulei nos braços dela e a beijei com toda a paixão que havia dentro de mim. Eu não sabia o que era saudade até me afastar daquela pessoa. Ela é que fazia o meu mundo girar e eu não podia imaginar isso até precisar estar longe.

– What the hell are you doing here? – perguntei assim que recuperei o ar
– Surpresa para você. Não gostou? – aquele português carregado de sotaque me deixava de pernas bambas.
– Are you kidding? I missed you so much, minha gringa – ela sorriu quando eu chamei ela pelo nosso primeiro apelido.

Bom, vocês podem imaginar a felicidade que eu to por agora né? A Donna ainda está no Brasil. Nós decidimos que não conseguimos viver separadas e vamos nos casar. Um dia, ainda não sei quando. Ela conseguiu tirar umas boas férias do trabalho da faculdade. Agora ela fazia parte do quadro de administração de lá e coordenava todas as monitoras. Tinha uma casinha paga pela faculdade e veio atrás de mim para me carregar com ela. Tinha aberto uma vaga na equipe institucional da faculdade, eles precisavam de uma designer por lá. Eu vou ganhar um pouco menos do que ganho por aqui, mas eu preciso voltar pra lá. E ainda por cima vou morar com a Donna. É muita felicidade junta.

Ela tá dormindo agora. Hoje eu avisei ao pessoal lá da minha agência que ia embora de vez. Eles lamentaram, mas entenderam que eu ia atrás do meu sonho. Minha mãe passou o dia levando a Donna para fazer compras no shopping. Elas estão se entendendo e o meu pai adora essa menina. Disse que está tendo aulas particulares de inglês para quando for me visitar.

Parece mentira, mas a minha vida está tomando os rumos que eu sempre sonhei. Nem eu achei que isso fosse acontecer mais. Como vocês me acompanharam durante algum tempo e até foram minhas confidentes em muitas vezes, eu achei que era justo vir contar as novidades para vocês. Então, por mais que a vida te diga que não, encha os pulmões de ar e grite de volta, bem alto que SIM. SIM, eu vou realizar meus sonhos.

Boa noite e bons sonhos.
Da sempre presente, Delle.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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