Sobre macacos, bananas e veados

Demorei, mas me pronunciarei.

Quando pensei em escrever esse texto não sabia de tudo que sei agora. Primeiro, vamos voltar rapidamente alguns dias atrás. No jogo entre Barcelona e Villareal, no domingo (26), o brasileiro Daniel Alves foi vítima de preconceito. No momento que ele ia bater um escanteio, jogaram uma banana em cima dele. Muito consciente do que isso significava, o jogador pegou a banana e comeu. Simples assim. Pronto. Aí o Neymar, companheiro de time, mas que não está jogando por motivos de contusão, postou uma foto com o filho e uma banana com a legenda #SomosTodosMacacos e nesse momento a internet tinha um assunto para comentar na noite de domingo.

Artistas, globais, políticos e qualquer tipo de pessoa que, se diz antenada, postou uma foto comendo uma banana com a mesma tag do grande craque, Neymar. Isso é legal? Pode até ser. Mas será que funciona para combater o racismo? Ou será que é só mais uma forma de auto-promoção dessa galera meio desocupada da internet? Em pouco tempo surgiu um vídeo que dizia que a melhor forma de combater o preconceito é mostrar que não atinge. Mas alguém perguntou ao porteiro se ele se sente mal quando é destratado pelo patrão? A máxima de que “é muito fácil falar quando se é branco” é idiota, na minha opinião, mas na boa? Também achei idiota postar fotos com bananas nas redes sociais. E não só eu. Rapidamente isso virou piada.

gretchenO problema do brasileiro é só se manifestar contra o preconceito quando isso atinge alguma big celebridade. Como disse Gretchen em um post genial, ninguém se colocou ao lado do Richarlyson quando o chamaram de viadinho. É fali ser macaco, mas é difícil ser viado, né?

E aí, as coisas só pioram quando você descobre que tudo isso, inclusive o ato de comer  a banana, faziam parte de uma ação orquestrada paga pelo próprio Neymar. Tudo foi criado pela agência de publicidade Loducca, que cuida da imagem do jogador. Segundo eles, quem tinha que ter comido a banana era o Neymar, mas devido à contusão, acabou ficando com o Daniel Alves.

Olha, em vez de sermos todos isso ou aquilo, vamos ser humanos? Vamos lutar pelo fim da discriminação, seja ela racial, sexual, de gênero ou qualquer outra. Vamos esquecer o dinheiro e parar de vender camisetas oportunistas, vamos ser a favor da igualdade por livre e espontânea vontade e não por uma ação publicitária. Vamos ser mais humanos e menos digitais.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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