Sobre fases, rótulos e café quente

Era uma tarde de segunda meio cinzenta, na verdade todas as segundas são meio cinzentas. Uma mesa enorme estava a minha disposição enquanto meus pensamentos se aprumavam ao som de uma música qualquer nos meus ouvidos. Era hora de escrever.

Pensando sobre minha vida, fico rindo de tudo que já fiz, já pensei e já quis. Aos 25 anos de idade muitos dizem que ainda sou uma criança, outros dizem que nem tanto e alguns me chamam de tia. As fases que vivi me tornaram o que sou hoje. As coisas que ganhei e que perdi, me tiraram e me deram o que eu precisa para ser o o que sou hoje. As pessoas que cruzei me deram um pouco de si e levaram um pouco de mim e nesse quebra cabeça dos encontros e desencontros, me transformei no que sou hoje.

Aos 15, 16 anos era só mais uma menina querendo se encaixar em um mundo cheio de rótulos e pré disposições. Sofria com o distúrbio de peso, de simpatia e de amor. Não queria e nem gostava de namorar, mas adorava beijar na boca. Os meninos me atraíam, ou será que não? Hoje entendo que eles nunca me atraíram tanto assim, mas eu achava que não tinha outra opção, a não ser eles.

Aos 18 achava que podia conquistar o mundo. Primeiro estágio, carteira de motorista, finalmente o peso controlado e o que mais me impediria? Tinha certeza que em pouquíssimo tempo, o mundo estaria girando sob os meus pés e ao meu tempo. Mas aí, descobri o amor, ou achava que tinha descoberto. Cabelos compridos, batom vermelho e uma delicadeza de quem me mostrava que a vida pode – e é – muito mais do que homem ou mulher. A vida é de quem quer ser. Comecei a entender que o coração é plural, não vê cor, sexo, gênero, idade e nem nada.

Quando a euforia passa você cai na real. Trabalho, fim de faculdade, contas e um amor quieto que te faz querer ir ao cinema na quarta feira, ou assistir filme em casa no sábado a noite. Os vinte e poucos parecem trazer um peso de quem agora é mulher de verdade. Mulher que ama só e apenas mulher. Você decide trocar a pluralidade que o seu coração permite por uma calmaria que tem um único rosto, um único nome, um único sorriso.

Não importa a fase o que como se chama o que você sente e o que você é. O que importa é a xícara de café quente e fresco.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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