Sobre fases e nomes

A cantora Jessie J, no início de sua carreira, declarou ser bissexual. Hoje, com muito sucesso, fama, dinheiro e uma legião de fãs a cantora disse ter passado essa fase e agora está longe de ser gay. Só quer saber de homem (nunca entenderei). Bom, a coitada sofreu uma chuva de críticas por ter falado da bissexualidade como uma fase. Decidi discorrer sobre o assunto.

Vamos pensar por outro lado? Eu, gay assumida há uns 6 anos, sei que sou gay e não quero saber de homens na minha vida. Mas lá atrás, antes de descobrir o lado bom da vida, fiquei e até namorei com meninos. Então é certo eu dizer que era hetero, mas essa fase passou e agora sou gay. Não é?

Sei que tem toda a discussão de que a declaração da Jessie só estimula o preconceito e é colocar lenha na fogueira das pessoas que dizem que ser gay é uma fase. Não. Não é. A gente nasce assim, só que devido à sociedade heteronormartiva em que vivemos, não podemos descobrir isso muito cedo. Enfim, papo para outro dia.

Mas o que me fez refletir mesmo foi o fato de precisarmos, sempre, rotular. Qual a dificuldade de nos assumirmos seres humanos que amam outros seres humanos? Tanto da nossa parte como da cantora, pra que ficar arrumando nomes para os sentimentos? Eu, você, ela é até o seu vizinho, temos direito de nos sentir atraídos por quem bem entendermos. Sem precisar ser isso ou aquilo.

Ou só porque eu sou gay, nunca mais poderei me apaixonar por um homem? Não é prudente querer achar que seremos os mesmos para sempre. Podemos, talvez, só amar? Ser amado e respeitar? Sem precisar nomear e rotular.

Se quiser ver como foi a desculpa e a explicação da Jessie J, clica aqui ó.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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