Rosa dourada – Cap 32

Apesar de ter sido a atenção de todos pela manhã, eu não gostava do modo que me olhavam. Era estranho, dava para ver o ódio que havia no olhar de cada um.

Era bom saber que nem todos se afastaram de mim, um pequeno número de pessoas me aceitaram. E foi aí que notei aqueles que realmente gostavam de mim. Eu sabia que era necessário retribuir esse sentimento com quem me acolheu.

Não queria mais inimizades do que possuía, meus amigos chegaram a deixar a amizade de certas pessoas para continuar fazendo parte da minha vida. Isso era bom, mas ao mesmo tempo frustrante.

– Como foi hoje na escola filha?
– Ah pai, foi a mesma coisa de sempre.
– Não pai, a escola inteira ficou xingando a Sarah, não foi nada bom. A maioria das pessoas que diziam ser amigos dela foi quem mais a criticou. – Aninha tinha o dom de entregar as coisas.
– Eu sabia, a Camila não ia deixar barato para você. E a direção da escola, fez alguma coisa?
– Não fizeram nada pai… Como sempre. Eles nunca fazem nada mesmo.

Meu pai ficou furioso, senti que ele queria fazer algo, mas não sabia como fazer. Era estranho. Ele tinha medo de que alguma coisa acontecesse comigo e era por isso que passei a me controlar.

Se fosse para ficar com a Patrícia, teria que ser com os riscos do dia a dia. Não tinha como andar de mãos dadas no meio da rua sem ter medo, medo de vários tipos de coisa, a agressão é uma delas.

Queria ser livre o suficiente para ser tratada como uma pessoa normal e não como uma doente. Incrível como as pessoas falam que a homossexualidade é uma doença, sabemos que não é isso. Cara, a homossexualidade não é uma doença, a pessoa já nasce assim, só que leva tempo para que ela possa se redescobrir. E era isso que eu queria que fosse aceito, o homem é mal e ele cria sua própria alienação, o homem quer que todos sejam iguais a ele, só que não é bem assim.

Sei que terei uma grande luta pela frente, vai valer a pena, pois o que mais quero é ser eu mesma perante todos ao meu redor.

sig_clara.png

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.