Rosa dourada – Cap 26

Em que momento sentir medo pode ser algo útil? Quando  nos previne de um possível perigo? Mas também é certo que medo demais pode ser perigoso, porque pode nos atrapalhar. Será necessário sentir medo para perder o medo?

O sigilo faz com que o mais simples fato pareça assombroso, misterioso. Tem o poder de te encantar e te seduzir a se tornar alguém que não é.  Mas não importa o quanto tentemos guardar nossos segredos, mantê-los seguros… Todos vêm à tona eventualmente.

– Medo de você?! Nunca.
– Calma amor.
– Estou calma, Patrícia.
– Sabe, isso que vocês duas tem me dá nojo. Eu, já não gostava da Patrícia e agora não gosto de vocês.
– E? Isso não é motivo para você fazer essas coisas com minha irmã.
– Sei que não é, mas foi a única forma de atingir vocês duas de forma direta, rápida e eficaz. Estava precisando de alguém que fizesse minhas coisas, e a Ana me serviu divinamente bem. Ai dela se começar a reclamar.
– Vai fazer o que? Espancar ela? Porque é a única coisa que sabe fazer e ainda faz errado.

Não sei porque disse isso, Camila avançou em minha direção e socou meu estômago. Caí de dor e pensei comigo mesma, isso não ia ficar assim.

– Você está louca Camila?
– Cala a boca sapatão.
– Deixa amor, deixa ela.
– É, me deixa… Ou vai querer apanhar igual a namoradinha? Se quiser pode vir, não tenho medo de vocês! – O ódio me tomava, se ela queria me provocar mais ainda conseguiu. – Sabia, inofensivas demais.

Corri, mas não foi de medo. Corri para cima da Camila. Se era briga que ela queria, ela conseguiu. A enfrentei com tanta garra e destreza que consegui derruba-lá, meu corpo estava sobre o seu a atingindo. Não foi o suficiente, ela me derrubou e começou a me bater fortemente.

Não desisti facilmente, enquanto estávamos nos atacando, sua turma pegou a Aninha e a Patrícia e não deixou nenhuma das duas entrarem no meio.

Enquanto minha irmã gritava para que as soltassem, a Camila falava que eu ia me arrepender de ter nascido, e me arrepender principalmente de ter ficado com a Patrícia.

A briga acabou após 20 minutos, Camila saiu muito machucada, mas eu estava tanto quanto ela. Fiquei largada no meio do terreno, deitada em posição fetal, sangrava bastante. A dor não me permitiu ouvir a Patrícia correndo em minha direção.

– Amor, amor, amor. – Ela chorava muito. 
– Patrícia, me ajuda. Temos que tirá-la daqui antes que alguém apareça.
– Precisamos limpa-la antes. Mas não estou achando meu casaco para tirar esse sangue.
– Pega o meu, rápido, ta na mochila.
– Não podemos levá-la pra casa nesse estado.
– Tinha esquecido disso, meus pais já devem estar em casa, e se verem ela assim não consigo nem imaginar o que fariam.
– Vamos pra minha casa, é mais perto e meus pais não estão.

O percurso até sua casa foi exaustivo, mas chegamos logo. A casa estava vazia, a Aninha me dava banho enquanto a Patrícia preparava algo para comermos.

– Aninha, me ajuda a vestir essas roupas nela.
– Pode deixar, eu consigo me vestir só.
– Certo.
– Sarah, fique deitada enquanto vamos pegar sua comida.

Elas não sabiam o que fazer, dava pra escutar a conversa delas. Tinham medo de chamarem algum médico e decidiram que elas mesmas iriam cuidar de mim.

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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