QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 38

Ao ouvir Amanda dizer aquela declaração, Valentina sentiu seu coração saltitar mais ainda dentro do peito. Parecia que ia explodir de tanta alegria! Pensou, por um momento, que estivesse sonhando! Em resposta, ela apenas abriu um belo sorriso para Amanda, pois suas palavras foram ditas pelo olhar.

Ela apenas se aproximou da garota lentamente e, pondo as mãos em seu rosto, beijou-a com suavidade. Amanda correspondeu sem a tensão que sentira nas outras vezes em que Valentina a beijara. Claro que as borboletas ainda permaneceram no estômago, mas a razão não lutou mais contra o desejo. Será que ela tinha finalmente perdido a guerra?

Instantes depois, elas se desvencilharam do apaixonado beijo. Amanda ficou de cabeça baixa, um pouco envergonhada, sem saber o que dizer. Contudo, ela precisava falar mais alguma coisa, afinal, foi ela quem chamou Valentina para conversar. Já a filha de Agnelo não tirava os olhos de Amanda e seu sorriso não saía do rosto. Ela tocou levemente o rosto de Amanda, que levantou o olhar encontrando o seu. Então, Valentina sorriu e perguntou com uma voz suavemente rouca:

– Isso que você falou agora vai significar o quê exatamente?

– Que eu não vou mais fugir… – Amanda falou quase sussurrando e sorriu com timidez.

– E você não fugir significa…?

– Que eu vou ficar! – Amanda falou rindo.

– Engraçadinha! – Valentina apertou o nariz de Amanda. – Sério, Amanda! Por favor, me diz exatamente o que significa.

– Eu quero seguir o que eu tô sentindo… Apesar de tá com muito medo! Isso tudo é muito novo pra mim, você sabe! Eu ainda tô confusa… Preciso me acostumar com esse sentimento…

– Sei…

– Pois é… Eu não queria te prometer nada… Mas também não quero mais mentir pra mim mesma… Eu só não sei se…

– Calma, Amanda! Relaxa! Não tô te cobrando nada! Não precisa prometer nada! Vamos deixar rolar e vê no que dá! Na boa mesmo! Jamais te forçaria a fazer alguma coisa que você não tivesse preparada!

Amanda deu um sorriso de ponta a ponta devido às palavras de Valentina, que a abraçou rapidamente, beijando-lhe na lateral da cabeça e depois continuou:

– Ah, e eu posso saber o motivo dessa mudança repentina? Em questão de… – Valentina olhou em seu relógio de pulso – menos de uma hora você tá com uma cara diferente… Nem sei como explicar!

– Rosa! Tudo isso se deve ao que Rosa conversou comigo agora há pouco!

– A ROSA?! A minha Rosa?! – arregalando os olhos Valentina falou chocada.

– Exatamente! A sua Rosa!

– Como assim? Ela sabe da gente?

– Somente tudo! E disse que não aguentava mais ver nossa aflição! Aí, veio conversar comigo primeiro. A conversa foi ótima. Ela me falou coisas lindas! Nossa, mas você não tem noção de como eu fiquei morta de vergonha quando ela me disse que viu a gente se beijar hoje! – Amanda ficou enrubescida e colocou as mãos no rosto. – Ai meu Deus! Quase desmaio na frente dela!

– Imagino! Só de falar você já fica vermelha! – Valentina riu. – Mas que Rosinha danada, hein! Toda caladinha, mas sabe de simplesmente tudo dessa casa… Sim, mas o que foi que ela disse exatamente? Quero saber!

– Nada que te interessa! Foi uma conversa nossa! – Amanda brincou.

– Tá bom então! Depois eu pergunto a ela. – Valentina riu. – O importante é que ela fez você ficar assim!

– Assim como?

– Sei lá! Assim, do jeito que você tá! Mais livre! – Valentina falou abrindo os braços.

Amanda riu e disse:

– É, ela realmente me deixou mais leve!

– Essa Rosa é uma gênia mesmo! – Valentina brincou.

– Ela é uma mulher sábia, viu? – Amanda falou balançando a cabeça afirmativamente.

– É sim! Ela me ensinou muitas coisas durante esses anos…

– Ela até queria falar com você também, mas eu disse que deixasse comigo, que eu falaria com você… – Amanda sorriu.

Enquanto elas conversavam sobre Rosa, a filha de Júlia olhou para o relógio e exclamou:

– Nossa, como já tá tarde! Essa noite teve tantas emoções que nem percebi que já é madrugada!

– Valha! É mesmo. Então, é melhor eu ir. – Valentina se levantou da cama de Amanda.

– Ah, tem mais uma coisa que não falamos… – Amanda falou pegando na mão de Valentina, que se sentou na cama novamente.

– O quê?

– Nossos pais! Não podemos deixar que eles desc…

– Claro! Vamos disfarçar direitinho usando todo nosso dom de atrizes! – Valentina riu.

– Sério, Valentina! Eles não podem saber de nada!

– Eu sei! Eu sei! Vai dar certo! – Valentina falou se levantando e puxando Amanda pela mão.

Elas ficaram de pé e Valentina a abraçou. A garota se estremeceu toda ao sentir o contato das mãos trêmulas de Valentina em sua pele. Elas se fitaram, enquanto Valentina avizinhava sua boca da de Amanda. Seus lábios se tocaram e a língua de Valentina pediu passagem. Ela abraçou Amanda mais forte e a garota a enlaçou pelo pescoço. Amanda finalmente deixou-se levar…

E elas ficaram se beijando assim por alguns instantes até Valentina interromper o beijo e dizer:

– Vou indo. Amanhã a gente se fala…

Então, ela caminhou até a porta segurando a mão de Amanda.

– Boa noite. – Amanda falou sorrindo.

– Boa noite! – Valentina retribuiu o sorriso, deu um rápido beijo nos lábios de Amanda e saiu, deixando a garota ainda com vontade de continuar o beijo. Porém, Valentina não queria se exceder nos toques, como fez em Florença. Iria respeitar o tempo de Amanda.

Nenhuma das duas garotas havia conseguido dormir normalmente naquele resto de noite. Estavam agitadas demais. Aquele foi um dia e tanto!

Por volta das sete e meia da manhã, Amanda se levantou para tomar café da manhã. Quando passou pelo quarto de Valentina tudo estava muito silencioso. “Ela ainda deve tá dormindo…”.

Desde que acordou, Amanda não parava de pensar como iria se comportar na frente de Valentina depois de tudo que aconteceu. Ela havia dito que não iria mais fugir, mas isso realmente significava o quê?

Ao se sentar à mesa da cozinha e por café na xícara, ela foi atropelada pelos pensamentos: “O que nós somos uma da outra agora? Amigas que se beijam? Ficantes? Namoradas? Ai meu Deus, namoradas?!… Como vou namorar uma garota?! Não sei se serei capaz disso… Mas não falamos nada sobre isso. Então, não somos namoradas! Mas se continuarmos ficando… Um dia pode acontecer! Argh! Para, Amanda! Não pira! Tente deixar rolar como ela falou…”.

– O café vai esfriar, minha filha! – Rosa surgiu na cozinha e falou sorrindo.

– Oi, Rosa! – Amanda acordou do transe em que se encontrava.

– Bom dia, minha querida, dormiu bem? – Rosa perguntou, beijando o topo da cabeça da garota.

– Bom dia! Dormi, na medida do possível, né?

– E aí? Tá tudo bem?

– Tá bem melhor! Conversei com Valentina ontem mesmo e tive coragem de dizer a ela… Que eu… – Amanda diminuiu o tom da voz. – Que eu também tô apaixonada…

– Que bom ouvir isso, Amanda! É visível que você tá mais relaxada, minha filha! Tá até com um semblante diferente!

Amanda riu e concordou:

– É, também tô me achando mais leve, sabe. O coração tá menos pesado…

Nesse momento, Valentina surgiu na cozinha e falou alegremente com um lindo sorriso no rosto:

– Bom dia, garotas!

– Bom dia! – Amanda a fitou e correspondeu ao sorriso.

– Bom dia, minha menina! – Rosa beijou a bochecha dela. – Que milagre foi esse, você tá acordada há essa hora?

– Pois é, Rosinha! Pra você ver, né? As coisas mudam! E é ligeiro! – Valentina brincou, olhando para Amanda, que ficou desconcertada.

Rosa riu e mudou de assunto para não deixar as garotas constrangidas:

– Já tô indo pra minha irmã, tá? Tem almoço na geladeira. O Valdir tá por aí pra caso vocês queiram sair. Ah, e seu pai ligou dizendo que eles chegam só no finalzinho da tarde.

– Tá certo, Rosinha. Vá em paz! Cuidado, viu!

– Obrigada, minha filha! Tchau. – depois olhou para Amanda sorrindo. – Tchau, Amanda!

– Tchau, Rosa! Bom domingo pra você!

– Pra vocês também! – Rosa falou, olhando e sorrindo para as garotas.

Quando Rosa saiu, Valentina se sentou à mesa e perguntou acanhada:

– E aí, como você tá?

– Tô me sentindo um pouco estranha, mas tô bem… – ela sorriu sem jeito.

– Estranha de um jeito bom ou de um jeito ruim? – Valentina perguntou preocupada.

– De um jeito bom… – Amanda falou balançando a cabeça afirmativamente.

E Valentina abriu um sorriso largo, pegou-lhe a mão e a beijou no dorso, carícia que fez a garota estremecer e sorrir.

– Que bom ouvir isso…

Enquanto elas tomavam café da manhã, Valentina perguntou:

– O que você vai fazer hoje? Tem alguma coisa marcada?

– Não. Ia ter uma reunião na Igreja, mas foi desmarcada.

– Então, vamos à praia! – Valentina falou com empolgação.

– Pensando bem, seria uma boa, viu? Faz tempo que não tomo banho de mar! E aproveito pra pegar uma corzinha. Tô muito amarela… – ela falou olhando para o braço.

– Tá não. Você tá linda!

A espontaneidade de Valentina enrubesceu tanto ela quanto Amanda, que lançou um lindo sorriso em resposta ao elogio.

Então, depois do café da manhã, elas vestiram suas roupas de praia e Valentina pediu para Valdir deixá-las na praia mais famosa da cidade.

Chegando lá, elas se sentaram à mesa de um dos quiosques da barraca. Valentina pediu água de coco e alguns caranguejos, crustáceos que ambas adoravam.

– Você não vai pegar sol? – Valentina perguntou, depois de decorridos alguns minutos.

Amanda sorriu envergonhada e disse:

– Não sei…

– Por quê? Você não disse que quer pegar uma cor? Tem que aproveitar o horário, porque daqui a pouco fica tarde pra pegar sol.

– É, eu sei…

Na verdade, Amanda estava com vergonha de ficar de biquíni na frente de Valentina, que havia percebido, por isso não falou mais nada. Depois de alguns minutos, Amanda falou se levantando e tirando o vestido que usava como saída de banho:

– Ah, já que tô aqui tenho que aproveitar, né?

– Exatamente! Afinal, você tá amarela… – Valentina brincou, sem deixar de passear seus olhos pelo corpo da garota.

Amanda riu e disse, sentando-se na cadeira de tomar sol e pegando o protetor solar:

– Ah, então você também acha, né?

– Eu não! Você quem disse!

Elas riram e Amanda perguntou, passando o protetor nos braços:

– Você não vai pegar sol também?

– Por quê? Tá me achando amarela? – Valentina perguntou em um tom de brincadeira.

– Não…

– E como é que você quer pegar uma cor passando protetor solar?

– O fator de proteção é pequeno. Então, eu pego sol protegendo um pouco a pele… – Amanda respondeu se contorcendo ao tentar passar o protetor nas costas.

– Deixa eu passar nas suas costas antes que você quebre os braços… – Valentina falou se pondo atrás de Amanda e estendendo a mão para pegar o protetor.

Sem ter como negar, Amanda colocou o protetor na mão de Valentina, que começou a espalhá-lo lentamente em suas costas.

O toque das mãos lambuzadas de Valentina em sua pele fez o corpo de Amanda se arrepiar inteiro. Então, ela fechou os olhos tentando pensar em outra coisa, mas percebeu que sua respiração já estava ficando dificultada. Com isso, ela rapidamente se levantou e falou agoniada:

– Tá bom já. Obrigada!

Valentina havia percebido a inquietude da garota e sorriu enaltecida por saber que causava esse efeito nela. Amanda também lhe causava um efeito arrebatador. Então, para instigar ainda mais a garota, Valentina disse:

– Vou pegar sol com você! Passa nas minhas costas também?

“Ai meu Deus!”, Amanda pensou. Então, ela besuntou a mão de protetor e, acanhada, esfregou as mãos nas costas de Valentina, que também se deleitou com o toque macio dos dedos dela.

Quando Amanda percebeu que os pelos dos braços de Valentina estavam arrepiados, resolveu por fim ao delicioso ato:

– Pronto!

“Ahhhh… Passa mais um pouquinho!”, Valentina pensou, mas disse:

– Obrigada. – ela agradeceu e se sentou na outra cadeira de pegar sol.

Assim, as duas garotas ficaram expostas ao sol em silêncio. Após decorrer alguns instantes, o garçom trouxe os caranguejos. Depois de comê-los, elas foram tomar banho de mar. Ficaram rindo e brincando na água durante alguns minutos.

Certo momento, Valentina abraçou Amanda fazendo com que a garota mergulhasse junto com ela. Ao subirem à superfície, Valentina não resistiu e deu um rápido beijo nos lábios de Amanda.

Olhando ao redor, Amanda repreendeu a garota:

– Valentina, você tá louca?

– O que foi? – Valentina falou fingindo não saber do que se tratava.

– Ora, o que foi? Você me beijou!

– E o que é que tem?

– O que é que tem? Muita gente! – Amanda falou saindo do mar.

Valentina a acompanhou e disse:

– Desculpa! Foi mal! Mas, olha, não tem ninguém perto. Então, ninguém viu! Relaxa…

Amanda olhou para ela e ordenou:

– Nunca mais faça isso!

Valentina revirou os olhos e falou:

– Tá bom. Mas não precisa se desesperar não!

– Eu não tô desesperada! Quem disse que eu tô desesperada? – Amanda falou aperreada.

Valentina apenas riu do jeito agoniado da garota.

– E, por favor, para de rir! – Amanda andava apressada.

– Tá, desculpa! – Valentina comprimiu a boca para não continuar rindo. – Não vou mais fazer isso. Juro!

Depois de decorridos alguns instantes, Valentina ligou para Valdir ir buscá-las. Após deixá-las em casa, o motorista foi para a sua casa aguardar Agnelo ligar para ele ir buscá-los no aeroporto.

Enquanto as garotas almoçavam, Amanda sugeriu que elas assistissem a um filme, o que foi prontamente acatado por Valentina, que adorou a ideia.

Assim, após o almoço, elas se dirigiram ao home cinema. Amanda se deitou no sofá retrátil, enquanto Valentina procurava o controle para ligar o ar-condicionado. Após, deitou-se ao lado de Amanda e, ligando a tv, perguntou:

– O que vamos assistir?

– Procura no catálogo…

E, assim, demoraram alguns minutos para escolher o filme. Depois que elas chegaram a um consenso, Valentina apertou o play e o filme iniciou.

Passados alguns minutos de filme – sem que Valentina tivesse prestado atenção alguma, porque não parava de pensar na intensa vontade que estava de beijar Amanda – Valentina, apesar do receio de novamente ultrapassar os limites, sorrateiramente, escorregou sua mão até alcançar a de Amanda, que, diferentemente, do dia na ponte Vecchio em Florença, deixou-se tocar.

Além da permissão, Amanda ainda olhou sorrindo para Valentina, entrelaçou seus dedos nos dela e, depois, voltou o olhar para o filme. Se não fosse o barulho vindo do som da tv, talvez desse para ouvir as batidas de seus agitados corações.

Encantada com aquele simples ato, Valentina levou a mão da garota até seus lábios e a beijou, deixando Amanda extasiada com a carícia. Nunca alguém havia beijado sua mão. Ela sempre achou o ato meigo e romântico, porque lembrava como as pessoas se cortejavam antigamente. E era a terceira vez que Valentina fazia aquilo, o que a deixava ainda mais seduzida. Amanda estava com uma imensa vontade de beijá-la na boca, mas a vergonha não deixou que ela tomasse a iniciativa.

Valentina estava com um desejo semelhante, porém um pouco mais intenso: tomar Amanda nos braços, beijá-la até perderem o fôlego e, quem sabe, algo mais! Contudo, tinha medo de assustá-la. Então, resolvendo ir com calma, perguntou desviando seu olhar para Amanda:

– Ei…

– Oi… – Amanda a olhou no fundo dos olhos.

– Posso te dar um beijo? – o pedido de Valentina saiu sussurrado.

“Ainda bem que você pediu!”, Amanda pensou, mas nada disse. Apenas sorriu e aproximou-se de Valentina, que, com aquela permissão silenciosa, beijou-a delicadamente.

O filme então deixou de ter a atenção das garotas, que passaram a desfrutar, absortas, da calidez daquele beijo tão desejado.

No momento em que Amanda sentiu partes do seu corpo pulsarem, desvencilhou-se inquieta do beijo e, ajeitando-se no sofá, falou arfante:

– Estamos perdendo o filme…

Valentina achou engraçado a agitação da garota e, também, pôs-se de jeito no sofá. Mas continuaram com as mãos enlaçadas. Isso já era muita coisa para Amanda.

O filme havia acabado e, logo a seguir, elas colocaram uma série, à qual as duas assistiam e eram fãs. Haviam descoberto mais uma coisa em comum!

No fim da tarde, Rosa bateu à porta e, seguidamente, abriu-a sem esperar autorização. Ofegante, a ex-babá falou:

– Desculpa entrar assim, minhas filhas!

Amanda rapidamente soltou a mão de Valentina, e esta perguntou à governanta:

– Que foi, Rosinha?

Rosa respirou fundo e disse:

– Os pais de vocês estão chegando… Estavam entrando em casa quando eu cheguei e nem esperei para falar com eles. Vim correndo procurar vocês…

– Graças a Deus! Obrigada, Rosa! – Amanda falou se levantando e se dirigindo ao seu quarto.

– Obrigada, meu amor! – Valentina abraçou a ex-babá e beijou sua bochecha. – Não sei o que seria de nós, se você não tivesse chegado…

– Não me adule, não, viu! Vocês tomem intento, que não vou ficar servindo de menina de recado pra vocês, não!

– Tá certo, minha Rosinha linda! – Valentina deu vários beijos na bochecha da governanta, que não conseguiu segurar a seriedade e sorriu.

– Humpf! Sim! Ia-me esquecendo: como tá esse coraçãozinho, minha menina? – Rosa olhou para Valentina. – Você tá parecendo bem feliz!

Valentina sorriu e disse:

– Tô mesmo. Dá pra notar, é?

– Dá sim. Ó, você não vá machucar a Amanda, viu? Ela é uma menina de ouro. Não merece sofrer! E tenha paciência com ela, minha filha! Lembre que isso é tudo novo pra ela. Ela ainda precisa se acostumar com tudo isso que tá acontecendo…

– Eu sei, Rosinha! Eu terei toda a paciência do mundo, tá?

Elas se abraçaram e, antes de sair, Rosa aconselhou com o dedo em riste:

– E tomem muito cuidado! Ah, outra coisa: Nunca me metam nessa história! Pra todos os efeitos, eu não sei de nada, tá ouvindo?!

– Pode deixar! – Valentina piscou o olho para a governanta.

Quando ela saiu do home cinema, encontrou Agnelo e Júlia.

– E, aí, como se foram de viagem? – a garota falou abraçando o pai.

Agnelo e Júlia ficaram surpresos com a atitude terna de Valentina, mas responderam e ficaram conversando sobre a viagem, quando foram interrompidos por Amanda:

– Mãe! Dr. Agnelo! Que bom que chegaram! Como foi a viagem?

Agnelo e Júlia cumprimentaram a garota e continuaram falando sobre a viagem. E, de vez em quando, os olhares de Valentina e Amanda se cruzavam.

À noite, quando todos já haviam se recolhido aos seus quartos, Valentina pegou seu celular e, depois de rascunhar e apagar várias frases, finalmente, enviou uma mensagem para Amanda:

‘Quero te dar boa noite!’.

Amanda sorriu ao ler a mensagem e respondeu:

‘Pode dar!’

‘Quero pessoalmente!’

‘Ñ, Valentina! É perigoso!

‘Abre a porta do teu quarto!’

‘Eu ñ acredito q vc tá aí fora!’

‘Abre logo, antes q sua mãe ou meu pai apareça no corredor!!!’

Ao ler a última frase, Amanda soltou o celular na cama e correu para abrir a porta. Ao abri-la, encontrou Valentina segurando o celular e sorrindo para ela. Puxou-a pelo braço para dentro do quarto e falou:

– Você tá lou…

Não deu tempo Amanda terminar a frase, pois Valentina a beijou com urgência! Ela não estava ali para discutir. Enquanto suas línguas travavam uma luta sensual, Valentina apertou a cintura de Amanda, trazendo-a mais para junto de si.

O beijo as fez perderem o fôlego! Então, Valentina se afastou e falou, lançando-lhe um lindo sorriso sedutor:

– Boa noite…

E saiu do quarto.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.