QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 29

Em meados de janeiro, Valentina fez o vestibular para a Universidade particular na qual havia realizado a prova do Enem. E, certo dia, no final do referido mês, obteve o resultado da aprovação.

Orgulhoso, Agnelo abraçou a filha dando-lhe os parabéns. Júlia também parabenizou a garota, no entanto, sem qualquer toque físico ou demonstração de afeto. Em seguida, foi a vez de Amanda congratulá-la:

– Parabéns, Valentina! – ela sorriu sem jeito.

Sem que fosse possível evitar, Valentina fitou a boca dela, retribuiu o sorriso e apenas disse:

– Obrigada…

Nesse dia, Valentina, finalmente, retornou para seu quarto, parou de usar o colete e de fazer a fisioterapia. Apesar de que ainda deveria ter alguns cuidados, ela já estava praticamente curada.

Como seu aniversário era no segundo dia do mês de fevereiro, ela resolveu convidar os amigos para comemorar a aprovação no vestibular, o fim do tratamento e seu aniversário. Então, ela ligou para todos da turma, que confirmaram presença. Ao convidar Sabrina, Valentina disse que a amiga poderia levar Nanda.

Mesmo não sabendo mais notícias de Dani desde a última visita, Valentina resolveu convidá-la. Enviou-lhe uma mensagem e ela respondeu dando a confirmação.

Além disso, ela permitiu até mesmo que o pai e Júlia também convidassem alguns amigos.

Andando de um lado para o outro no quarto, Valentina refletia se deveria convidar Amanda pessoalmente. Por duas vezes, pegou na maçaneta da porta para abri-la e voltou atrás.

Respirou fundo e, de súbito, abriu a porta. E, nesse momento, Amanda saía do seu quarto.

– Amanda… – Valentina falou com o coração aos pulos.

– Oi. – Amanda respondeu tentando controlar o nervosismo ao ouvir Valentina chamar seu nome com aquela voz rouca.

– Acho que você já deve sabendo que vou fazer um churrasco aqui em casa pra comemorar minha aprovação e vou aproveitar também para comemorar meu aniversário.

sabendo sim. – Amanda sorriu.

E, incontrolavelmente, Valentina desviou o olhar para a boca dela, o que fez Amanda perceber e ficar ainda mais nervosa.

– Pois é. E, claro que você convidada… – ela falou sem jeito. – E se você quiser, pode chamar suas amigas também, ? – Valentina falava esfregando as mãos uma na outra.

Amanda achou muito meigo o jeito de Valentina fazer o convite. Nem parecia aquela garota de fala arrogante de meses atrás. E, apesar de elas não brigarem mais, Amanda ficou surpresa com o convite feito pessoalmente.

– Obrigada! E, claro que eu vou estar lá… Quer dizer, aqui. – ela riu.

E Valentina riu também, fitando a boca dela outra vez. Era inevitável não olhar. “Eu preciso parar com isso! E já!”

No fim de semana seguinte, todos os amigos de Valentina compareceram ao churrasco de comemoração. Amanda havia convidado suas melhores amigas Isabela, Samara e Maria Clara e todas compareceram. Estavam igualmente surpresas com o convite de Valentina, então não quiseram faltar.

Agnelo havia contratado dois churrasqueiros, alguns garçons para servir os convidados e uma banda. Ele e Júlia estavam com os amigos numa grande mesa. Amanda se sentou com as amigas em outra.

E alguns dos amigos de Valentina já estavam na piscina, quando Sabrina chegou com Fernanda. Elas falaram com Valentina e parabenizaram-na. Nanda beijou o rosto da aniversariante bem próximo à boca dela. Contudo, Valentina fingiu que nada havia acontecido.

Pouco tempo depois, Dani chegou e Valentina foi recepcioná-la na porta e, de súbito, ganhou um leve beijo na boca.

– Aqui não Dani! Hoje não quero dar motivos pro meu pai brigar comigo. – olhando de um lado para o outro, Valentina ralhou com Dani.

– Que besteira, Valentina! Relaxa! Ninguém viu! – Dani revirou os olhos.

Então, elas se dirigiram à piscina. Enquanto Valentina apresentava Dani para os amigos, Amanda, que conversava com suas amigas, desviou o olhar para o grupo e ficou observando a cena. “Será que essa é a garota que Valentina estava beijando naquele dia?”. Analisou Dani mais um momento e teve certeza de que se tratava da mesma garota. “E é a mesma menina que visitou Valentina no hospital!”. Amanda concluiu.

Ao ver Valentina com a mão repousada na cintura de Dani, Amanda externou tanta seriedade no semblante, que Maria Clara chegou a perguntar se havia acontecido alguma coisa.

– Nada! Não aconteceu nada! – Amanda respondeu com uma aspereza incomum a ela.

Suas amigas se entreolharam com uma careta de espanto e nada mais comentaram.

Amanda percebeu o jeito que falou e se desculpou com amigas. “Por que eu falei assim?”.

Instantes depois, Valentina pediu licença ao grupo, deixando Dani com Sabrina, Nanda e Roberta. Os garotos haviam voltado para a piscina.

Vendo Valentina se afastar do grupo de amigas, Amanda voltou a conversar normalmente com Isabela, Samara e Maria Clara.

Valentina passava pelo lavabo quando sentiu uma mão segurando seu braço e puxando-a para dentro do banheiro. Só se deu conta de quem se tratava quando a pessoa fechou a porta.

Atônita, Valentina ficou sem reação alguma quando a pessoa colou o corpo no dela, segurou seu rosto entre as mãos e sussurrou com os lábios bem próximos aos dela:

– Quero te dar seu presente de aniversário, menina! 18 anos só se faz uma vez, né?

Sem esperar reação alguma de Valentina, a pessoa lhe beijou a boca com vontade, deslizando umas das mãos até tocar o seio dela.

Porém, o beijo durou apenas alguns segundos, porque Valentina finalmente conseguiu afastar a pessoa e falar alguma coisa:

– Para, Suzana! Que porra é essa? Você louca?!?

A amiga de Júlia não se ofendeu. Pelo contrário, aproximou-se novamente querendo mais.

– É seu presente, menina linda! – Suzana disse sedutoramente.

Valentina segurou em seus ombros não permitindo a aproximação.

– Obrigada! Mas não faço questão desse presente! – Valentina rapidamente abriu a porta e saiu.

Ela esqueceu até onde estava indo. Então, resolveu subir até seu quarto para colocar a cabeça no lugar.

– O que foi isso, meu Deus? A mulher é louca! – Valentina falava para si mesma andando de um lado para o outro – Se bem que eu que devo louca por ter parado uma mulher daquela me dando um beijão daqueles!!! O que acontecendo comigo? Argh!

Subitamente e sem permissão nenhuma, Amanda surgiu em seus pensamentos.

– Não! Não quero pensar nela! Sai! Sai da minha cabeça! – Valentina falou batendo em sua própria cabeça.

Nesse momento, ela escutou batidas na porta do seu quarto, o que a deixou nervosa achando que era Suzana.

– Quem é? – ela perguntou rispidamente.

– Sou eu, Dani.

Valentina revirou os olhos e pensou: “Lá vem a outra!”

Contudo, ela disse com mais suavidade na voz:

– Entra.

– O que você fazendo aqui sozinha?

Valentina buscou alguma coisa na mente para responder e falou a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

– Vim colocar um biquíni.

Como ela estava somente de short e camiseta e não tinha vestido o biquíni, este foi um ótimo álibi.

Então, Dani se aproximou sedutoramente de Valentina, fitando-a com o olhar em chamas, enlaçou-a pela cintura e sussurrou em seu ouvido:

– Hummm… Mas antes de você vestir o biquíni, a gente poderia dar um tempo aqui, o que você acha? Tô com saudade…

Valentina se arrepiou com o hálito quente da garota em seu pescoço.

– As pessoas podem procurar por nós, Dani. E eu sou a aniversariante… – Valentina murmurou fechando os olhos devido aos beijos molhados de Dani em seu pescoço.

– São só alguns minutinhos… Ninguém vai perceber!

Como tentativa de tirar Amanda do pensamento, Valentina resolveu ceder aos apelos de Daniela, que estava ali tão sedenta e entregue por e para ela.

Assim, ela pegou o rosto da garota em suas mãos e deu-lhe um beijo quente. Suas línguas se tocaram dentro de suas bocas e suas mãos começaram a percorrer seus corpos.

A excitação já era intensa quando Valentina empurrou Dani em cima da cama dela. Com urgência, ela se pôs por cima da garota do vestido vermelho, deslizou sua mão por dentro do short dela e tocou-lhe o sexo umedecido. Dani continha os gemidos, enquanto Valentina lhe penetrava com veemência.

– É isso o que você quer, ? – Valentina perguntou.

– É… Isso… Vai, assim!

E, em instantes, Dani explodiu em um orgasmo intenso, gemendo entre os lábios de Valentina. Depois, ofegante, ela depois deitou na cama com o braço na cabeça.

Arfante, Dani se pôs por cima de Valentina, beijando-a com volúpia, enquanto esfregava o corpo no dela. A garota se sentou na cama e tirou o short de Valentina.

Com os olhos famintos, Dani beijou a barriga de Valentina, descendo a boca até se encaixar ao sexo dela. E, assim, Dani lhe presentou com sua língua lasciva.

Valentina fechou os olhos e tentou se concentrar nas deliciosas sensações que Dani estava lhe proporcionando. Contudo, nesse momento mais que inoportuno, Amanda teimou em invadir seus pensamentos outra vez.

No início, Valentina tentou refutá-la, perdendo, inclusive, a concentração nos toques que estava recebendo, mas como não conseguiu e ninguém poderia ver o que se passava em sua cabeça, resolveu relaxar e dar asas a imaginação, deixando que Amanda lhe preenchesse a mente.

Rapidamente, seu corpo se contraiu e ela chegou ao clímax com Dani em seu corpo e Amanda em seu pensamento.

Enquanto elas recuperavam a respiração, Valentina pensava sobre o que acabara de acontecer. E uma aflição lhe tomou a alma. “Ai, meu Deus! Só me faltava isso!” Era a primeira vez que Amanda lhe despertara realmente desejos sexuais! Já tinha admirado o corpo dela na piscina, mas nada parecido com aquilo!

Minutos depois, Valentina e Dani desceram em direção à piscina. Os olhos de Valentina inevitavelmente procuraram Amanda. Ela estava na piscina com as amigas. E um olhar relanceado por ela em sua direção lhe atingiu com um júbilo extremo. Elas sorriram uma para a outra.

Valentina sentiu seu coração saltitar no peito e, também, sentiu seu rosto esquentar ao se lembrar do intenso gozo de minutos atrás, durante o qual havia pensado somente em Amanda.

Os olhares entre Amanda e Valentina foram cortados por Sabrina e Roberta, que brincaram com Valentina e Dani perguntando o que elas estavam fazendo.

– Nada que interessa a vocês! – Valentina respondeu rindo.

Amanda havia sorrido para Valentina, mas se perguntava de onde será que elas estavam vindo e o que estavam fazendo. Ela tentou espantar esses questionamentos da cabeça conversando com as amigas. Afinal, ela não tinha nada a ver com aquilo. “Não sei pra quê essa curiosidade, Amanda!”, ela pensou. Com ingenuidade, Amanda achava que suas perguntas eram frutos apenas da curiosidade.

Nesse dia, Agnelo liberou a bebida, de forma moderada, para Valentina. Então, ela resolveu tomar cerveja.

Certo momento, Amanda olhou para Valentina e viu Dani sussurrando em seu ouvido e sorrindo. Valentina também sorriu. E, sem pensar, Amanda pegou um copo de uísque da bandeja do garçom que passava por ela e tomou um grande gole, seguido de uma careta. As amigas ficaram atônitas.

– O que foi isso, Amanda? – Isa perguntou espantada.

– Nada! Me deu vontade de provar!

– Mas assim? – Maria Clara perguntou.

– Vai ficar bêbada rapidinho, porque você não é acostumada… – Samara falou.

– Que besteira, gente! Me deixa curtir um pouco!

Valentina havia olhado para Amanda no momento em que ela tirava o copo de uísque da boca e não entendeu o motivo pelo qual ela estava bebendo.

Instantes depois, ela viu Júlia se aproximando de Amanda e falando com ela com uma cara de poucos amigos.

– O que é isso, Amanda? Deu pra beber agora?

– Ah, mãe! Só uma dose. Não mata ninguém! – Amanda respondeu para Júlia.

– Você nunca se interessou em experimentar? Por que agora com vontade?

– Sei lá! Só me deu vontade. Relaxa, mãe! É só uma dose!

– Tudo bem! Mas só essa, ? de olho em você! – Júlia falou e voltou para a mesa onde estava com Agnelo e os amigos.

Valentina seguiu Júlia com o olhar e, sem querer, encontrou os olhos de Suzana que lhe lançou o sorriso mais cafajeste que já tinha recebido. Prontamente, Valentina desviou o olhar.

Nesse momento, Valentina olhou em volta e viu que Rosa não estava ali como ela queria. Então, pediu licença e foi atrás da ex-babá.

Quando entrava na cozinha, Valentina escutou alguém chamando:

– Valentina! Espera!

Ela se virou e falou:

– Oi, Nanda! Você quer alguma coisa?

– Sim! Quero te dar um presente. – a garota olhou ao redor. – Vem aqui. – puxou Valentina para a entrada do quarto de hóspedes onde até uns dias atrás ela dormia. – É só uma lembrancinha. – abriu a bolsa e tirou uma pulseira de couro do tipo que Valentina adorava.

– Que linda, Nanda! Não precisava, mas eu adorei, viu? – Valentina falou sorrindo.

– Que bom que você gostou! – Nanda sorriu.

De súbito, Nanda puxou Valentina e deu-lhe um beijo. Nesse momento, elas ouviram o barulhos de uma voz e de palmas:

– Muito bonito! Pelo jeito, todo mundo quer lhe dar um beijo de parabéns, , Valentina?

Elas se desvencilharam do beijo e Nanda apenas se retirou envergonhada.

– Que é isso, Dani? Pra quê esse escândalo?

Pra quê? Você ainda pergunta, Valentina? Menos de uma hora atrás você tava fazendo sexo comigo e agora já beijando outra?

– Primeiro, foi ela que me beijou. Me pegou de surpresa. Segundo, você não tem o direito de fazer esse escândalo! Você não é minha namorada! Eu não prometi nada a você! A gente apenas se diverte!

Nesse momento, Valentina sentiu seu rosto ser atingido pela palma da mão de Dani, que, em seguida, vociferou:

– Você é uma idiota mesmo! – saiu dali e foi embora.

“Meu Deus, que confusão! Eu não dou conta de três mulheres, não!”, Valentina pensou com a mão no rosto, na parte que ardia devido à tapa certeira de Daniela.

Depois, Valentina foi até Rosa e fez com que ela fosse para a piscina, apesar da relutância da ex-babá..

– Rosinha, é a comemoração do meu aniversário e da minha aprovação no vestibular! Você tem que lá comigo? Você não me ama mais não? – Valentina fez cara de triste.

– Claro que amo, minha menina! Mas que tudo nessa vida! – Rosa acariciou o rosto dela. – O que foi isso no seu rosto, minha filha?

– Nada não! Vamos Rosinha!

– Você quer mesmo que eu vá? É porque eu fico com vergonha desse povo todo!

– Que besteira, Rosa! Vamos! Fica lá só um pouquinho então! Por favor! Por favor! – Valentina fez um gesto de súplica para a governanta, que, como sempre, cedeu às vontades dela.

Assim, Valentina caminhou abraçada com Rosa até a piscina. Trouxe uma cadeira para a ex-babá e pegou comida e suco.

bom, minha filha! Quem deveria servir era eu. Ainda mais porque é seu aniversário!

– Deixa de besteira, Rosinha! Você merece! – Valentina beijou o rosto dela.

Amanda sorria ao ver a cena de carinho de Valentina para com Rosa. Sempre achou lindo o jeito delas se tratarem. Rosa era a única que sempre conseguiu ter o melhor de Valentina.

O resto da comemoração transcorreu normalmente. No meio da tarde, os convidados começaram a ir embora.

Agnelo e Júlia foram descansar cedo, porque à noite iriam sair para jantar com os sócios dele. As amigas de Amanda foram embora antes do por do sol e então ela subiu para seu quarto. Havia ficado um pouco bêbada por causa das doses de uísque. Não havia cumprido o que prometeu a sua mãe e bebeu mais outra dose, que para ela era muita bebida. Portanto, ficaram apenas os amigos de Valentina, que foram os últimos a saírem, quando já era noite.

Na saída, Nanda beijou Valentina de novo. Dessa vez, na frente dos amigos.

Quando todos já tinham ido embora, Valentina subiu ao seu quarto. Deixaria para ver no outro dia, domingo, os presentes que havia ganhado. A data do seu aniversário era mesmo no dia seguinte.

Quando Amanda subiu para o seu quarto, tomou um banho demorado, deitou-se na cama e acabou dormindo.

Já estava escuro quando ela acordou ouvindo o barulho da porta do quarto de Valentina. Ela ficou nervosa, por que havia deixado para dar o presente dela depois da festa, quando não estivesse ninguém presente. Iria esperar alguns minutos para ir ao quarto de Valentina.

Levantou-se e trocou a camisola por um short e uma blusa frouxa. E a sensação de inquietude de Amanda se multiplicava a casa instante. Sentou-se cama, depois foi para a escrivaninha, depois foi ao banheiro. Suas mãos estavam geladas de tão nervosa, pois não sabia o que dizer.

Valentina havia tomado um banho relaxante, colocado uma das calças de moletom que ela adorava e uma camiseta. Estava deitada vendo tv quando ouviu batidas na porta do seu quarto. Ficou sem saber quem era, porque sabia que o pai havia saído e que Rosa tinha ido para a casa da irmã dela.

Sem perguntar, ela abriu a porta e deu de cara com Amanda. Seu coração bateu tão forte, que ela ficou com medo que desse para perceber.

– Amanda! – falou surpresa.

– Desculpa te incomodar. Mas é que… eu quero… te dar um presente… – Amanda praticamente gaguejou.

“Queria que fosse um presente igual ao das outras!”, Valentina pensou. Entretanto, ela disse:

– Presente? – Valentina se afastou dando passagem para Amanda. -Entra.

E, pela primeira vez, Amanda entrou no quarto de Valentina, que fechou a porta logo atrás dela.

– Não é presente, presente! É apenas um mimo. Quando vi me lembrei de você.

“Ela se lembrou de mim!”. Valentina sorriu por dentro.

Sorrindo, Amanda entregou uma pequena caixa para Valentina. Ao abri-la, ela se deparou com um lindo pingente de prata em forma de águia.

– Que lindo! – Valentina exclamou sorrindo.

– É uma águia. Você já deve saber que é o símbolo universal da força. – Amanda comentou.

– Sei…  – Valentina disse sorrindo sem tirar os olhos do objeto.

– Acho que tem tudo a ver com você… Com seu nome… Pelo que você passou… – Amanda sorriu sem jeito.

– Nossa, Amanda! Eu amei! Muito obrigada! – Valentina voltou seus olhos para Amanda e não sabia se a abraçava ou deixava os agradecimentos apenas nas palavras.

Contudo, a vontade de tocar Amanda foi mais forte do que a sua razão. Então, Valentina caminhou até ela e lhe abraçou. Sugou o ar e sentiu o perfume inebriante dela e lembrou que era o mesmo perfume do dia do casamento do seu pai com Júlia. E sentiu seu corpo tremer e ficou com receio de Amanda ter percebido. Realmente, Amanda não tinha percebido, mas havia sentido a troca de energia entre elas, mesmo que o abraço tenha durado apenas alguns segundos.

Quando se soltaram, Amanda conseguiu lembrar alguma coisa para dizer:

– Ah, eu não comprei o cordão…

– Tudo bem…

– Mas foi porque pensei que você pode usar com o que quiser. Cordão de prata, de couro… E sei que você já tem… – Amanda sorriu.

– É, já tenho… Vai ficar lindo com um cordão de couro, que eu adoro. Inclusive perdi o pingente que usava com ele.

– Então, pega lá, pra você ver como é que fica.

Assim, Valentina pegou o cordão, colocou o pingente e tentou colocar. Ela estava tão nervosa que não conseguiu fechar o cordão, ato que ela sempre fazia de primeira.

– Deixa eu te ajudar… – Amanda falou.

Valentina então se virou e Amanda tentou fechar o cordão. Nesse momento, ela sentiu os dedos de Amanda tocarem-lhe levemente o pescoço, fazendo com que ela ficasse arrepiada. Nessa hora, Valentina fechou os olhos e, para aumentar sua agitação, Amanda só conseguiu fechar o cordão na terceira tentativa.

Em seguida, Valentina se virou e Amanda deu seu parecer:

– Ficou lindo! Parece até que foi feito para esse cordão. – ela tocou o pingente, ajeitando-o. E, novamente, seus dedos acariciaram a pele de Valentina.

A garota presenteada foi até o espelho e falou:

– Ficou lindo mesmo. Adorei.

– Bom, então eu vou indo. Apesar de seu aniversário ser só amanhã, parabéns adiantado! – Amanda sorriu.

E, mais uma vez, Valentina desviou o olhar para a boca dela e falou sorrindo:

– E obrigada de novo!

Quando Amanda foi abrindo a porta para sair do quarto, Valentina disse:

– Espera, Amanda.

Então, ela se virou e Valentina, esquecendo completamente a racionalidade, caminhou até ela, pôs suas mãos geladas no pescoço dela, tomou-lhe a boca com a sua e a encostou na porta, o que a fez se fechar novamente. Amanda ficou sem reação.

Apesar do corpo de Amanda não reagir, sua boca recepcionou o beijo de Valentina. Por pouco tempo. Quando Valentina deslizou uma das mãos frias até a cintura de Amanda e tocou-lhe a pele, Amanda se afastou.

Por ínfimos segundos, ela olhou completamente aturdida para Valentina e depois saiu.

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