QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 22

Os dias transcorreram e, nas primeiras semanas, Valentina demonstrou ter muita força durante o tratamento, porque a fratura ainda lhe causava muita dor.

Contudo, com o tempo, começou a ficar cansada de ficar em casa, na cama e de sentir dores. Havia dias em que estava com um péssimo humor. Sem paciência para a fisioterapia, às vezes, era mal educada com o fisioterapeuta, que ia a sua casa duas vezes por semana.

Com o acidente, Valentina entrou em regime especial na escola para não reprovar de ano. Como o ano letivo praticamente havia terminado antes da prova do Enem, ela fez em casa apenas duas provas referentes às matérias nas quais havia ficado de recuperação.

Como ela estava sem esperança de passar no Enem, pretendia fazer o vestibular na universidade particular, onde tinha realizado a prova. E como o vestibular da referida universidade seria no início de janeiro, daria para ela já estar mais recuperada do acidente.

Dias antes do Natal, numa manhã ensolarada, Agnelo havia saído para trabalhar e Júlia tinha ido à academia.

Já de férias, Amanda estava em seu quarto, enquanto conversava, ao telefone, com Isabela – amiga da escola e da igreja – sobre a arrecadação de alimentos que estavam realizando. Nessa hora, ela se levantou da cama para pegar a agenda e, quando olhou pela janela, viu Rosa caminhando com Valentina pelo jardim. A garota estava com o braço nos ombros da ex-babá, que a abraçava pela cintura. Ela vestia uma calça moletom cinza, uma camiseta branca e o colete por cima. E ria de alguma coisa que Rosa falava. E um pensamento surgiu, de repente, na mente de Amanda: “Ela devia rir mais, fica tão mais bonita!”.

– Amanda? Você aí? – Isa perguntou devido ao silêncio da amiga.

sim, Isa! Desculpa. Tava pegando a agenda. – Amanda mentiu.

Ela saiu da janela e se sentou à escrivaninha.

Logo após a caminhada, Rosa ajudou Valentina a voltar para o quarto dela. Quando estava saindo do quarto, Rosa avisou:

indo fazer a feira. Qualquer coisa chama a Ana, a Elizete ou a Cláudia, que elas estão aí, ?

– Tá certo.

Rosa saiu e Valentina, ligando a TV, gritou:

– Mas não demora!

Rosa respondeu alto:

– Volto rapidinho!

Quase uma hora depois, Valentina ficou com vontade de fazer xixi. Achando que Rosa já tivesse chegado, chamou por ela. Sem obter resposta, chamou por Ana. E nada. Quando chamou por Elizete, uma das arrumadeiras, Amanda estava indo em direção à cozinha, quando ouviu o chamado de Valentina. Primeiramente, pensou em subir e chamar Elizete, que estava arrumando os quartos lá de cima. Depois, olhou ao redor para ver se encontrava Cláudia, a outra arrumadeira. E nada.

Desde que Valentina havia chegado do hospital, Amanda a viu algumas poucas vezes, ou quando ela saía para caminhar ou quando fazia a fisioterapia. Como elas não costumavam conversar, Amanda nunca tinha entrado no quarto da garota.

Então, resolveu ver o que Valentina queria. Poderia ser urgente. Como a porta estava aberta, Amanda apenas apareceu e perguntou:

– Você tá precisando de alguma coisa?

– A Rosa não chegou?

– Não sabia que ela tinha saído…

– Ela foi fazer as compras.

– Então, acho que ela ainda não voltou.

– E as meninas?

– Vi Elizete lá em cima, mas não sei onde a Cláudia . A Ana deve na cozinha…

Valentina não queria, mas, pelo jeito, teria que pedir ajuda de Amanda. Não estava mais se aguentando com vontade de ir ao banheiro.

– Eu não posso ajudar? – Amanda perguntou.

– Preciso muito ir ao banheiro…  Você pode… – Valentina falou com um tom suave, que Amanda só tinha ouvido quando ela falava com Rosa.

– Claro! – Amanda a interrompeu e rapidamente foi em direção à cama.

Amanda ajudou Valentina a sair da cama e a andar até o banheiro. E completamente envergonhada, Valentina falou:

– Você vai ter que me ajudar… Porque não consigo fazer isso sozinha… – Valentina apontou para a calça.

Quando Amanda percebeu que o ‘fazer isso’ era baixar a calça, a calcinha e ajudá-la a sentar no aparelho sanitário, ela também ficou muito desconcertada, mas tentou disfarçar dizendo:

– Ah, desculpa. Sem problemas, eu te ajudo! – deu um meio sorriso.

Então, Amanda desatou o laço da calça moletom de Valentina, desceu a calça até o joelho e, depois, pegou nas laterais da calcinha dela e baixou. Enquanto Valentina sentia os dedos de Amanda deslizarem pelas suas coxas, seu coração palpitou mais rápido do que o normal. Foi um misto de acanhamento e agitação.

Quando viu o olhar de Amanda relancear, muito rapidamente, em direção às suas partes íntimas, deixando-a enrubescida instantaneamente, as batidas se intensificaram ainda mais e lhe causou uma excitação inesperada.

Valentina queria que aquela situação acabasse logo, porque estava totalmente desconfortável. Contudo, ela ficou com vontade de rir ao ver o jeito afobado de Amanda, que, rapidamente, endireitou-se e perguntou:

– E agora?

– Agora você me segura aqui. – apontou para as axilas. – E me ajuda a sentar.

Assim, Amanda abraçou Valentina por baixo dos braços dela e a segurou, ajudando-a a sentar no vaso sanitário. Depois, ela ficou parada olhando para Valentina, que enunciou:

– Agora você pode sair que depois eu te chamo.

– Ah, tá! Desculpa… Vou ficar lá fora! – Amanda falou toda atrapalhada.

Quando Amanda saiu do banheiro, Valentina rapidamente tratou de fazer xixi.

Enquanto Valentina estava no banheiro, Amanda ficou pensando nervosamente: “Meu Deus, que vergonha! Devia ter ido chamar a Elizete! Será que ela viu que eu olhei… pra ela? Ai Jesus! Não posso fazer isso de novo! Ela vai pensar o que de mim?”.

Instantes depois, Valentina falou de dentro do banheiro:

– Terminei…

Então, Amanda entrou, ajudou a enferma garota a se levantar e, ao subir a calcinha dela, inevitavelmente, seus olhos se voltaram, outra vez, para a parte que tanto queria evitar olhar. “Meu Deus, o que é que eu tenho?! Como fui fazer isso de novo?!” Ela estava tão envergonhada, que sentiu seu rosto quente. “Devo tá vermelha de vergonha!”.

Enquanto Amanda subia a calcinha e, depois, a calça dela, Valentina observou atentamente a face ruborizada da enteada do pai e, subitamente, teve vontade de tocá-la. E aquele desejo a fez ficar desnorteada. Assim, quando Amanda ia dar o laço no cordão da calça, Valentina falou:

– Pode deixar assim… Vamos!

Então, Amanda abraçou a cintura de Valentina, ela pôs o braço em seu ombro e caminharam devagar até a cama.

Quando Amanda foi ajudá-la a se deitar, ela não aguentou o peso de Valentina e acabou deitando o dorso por cima dela, o que fez com que sua boca encostasse levemente no pescoço da garota. Imediatamente, Valentina sentiu sua pele se arrepiar e ela se inquietou outra vez.

Esquecendo o fato de sua boca ter acabado de tocar o pescoço de Valentina, Amanda levantou rapidamente e, preocupada, exclamou:

– Ai, meu Deus, Valentina! Desculpa! – Amanda colocou as mãos na cabeça em desespero.

– Calma, Amanda! Não foi nada!

– Eu te machuquei? – Amanda tocou o ombro dela e olhou para o colete.

– Não. Relaxa! – Valentina falou sorrindo.

– Tem certeza? doendo em algum lugar?

– Eu já disse que não foi nada! Você se achando muito gorda, hein? – Valentina gracejou.

Amanda riu da colocação de Valentina e, assim, conseguiu se tranquilizar.

– Sei lá! Fiquei com medo de ter te machucado!

– Não foi nada! Pode ficar tranquila.

Ainda aturdida, Amanda falou:

– Pois então eu vou indo… – virou-se em direção à porta e depois se virou novamente para Valentina. – precisando de mais alguma coisa?

– Não. Pode ir. – Valentina esboçou um leve sorriso.

Amanda correspondeu e caminhou até a porta. Quando ela ia saindo, Valentina falou:

– Amanda…

– Oi. – ela se virou.

– Valeu pela ajuda! – sorriu.

– Não foi nada! – Amanda falou retribuindo o sorriso e saiu do quarto.

Valentina voltou seus olhos para a TV, mas pensamentos inoportunos lhe tomaram a mente de súbito: os olhares sorrateiros de Amanda para seu sexo e o momento em que os lábios de Amanda tocaram em seu pescoço, causando-lhe arrepios. Depois de alguns segundos pensando nisso, ela mesma se repreendeu irritada:

– Porra! Chega de pensar nisso, né, Valentina!

Apesar de ficar aborrecida com esses pensamentos intrusos, um inevitável sorriso abriu em seu rosto quando ela se lembrou do jeito afobado da garota.

 Amanda cada vez mais toma os pensamentos de Valentina, o que a deixa irritada! Será que um dia Valentina vai assumir que Amanda não lhe causa mais raiva?

E aí, meninas, estão gostando da história? Espero que sim! 

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