QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 18

– Oi, Valentina! – Agnelo atendeu o celular.

– Dr. Agnelo? – uma voz masculina perguntou.

Preocupado, o pai da garota perguntou:

– Sim. É ele. Quem é?

– Aqui é o policial Gomes. O senhor tem uma filha chamada Valentina, isso?

“O que será que essa garota aprontou dessa vez pra polícia me ligar!”

– Tenho sim. Por quê? O que aconteceu?

– O veículo em que ela estava com um rapaz acabou de sofrer um acidente causado por outro veículo.

– O QUÊ? COMO FOI ISSO? ELA TÁ BEM? E O LEONARDO? – Agnelo cuspiu perguntas para o policial.

– Calma, Dr. Agnelo. Eles estão sendo levados ao hospital.

– Qual hospital? – Agnelo perguntou desesperado.

O policial informou qual o hospital e Agnelo avisou que ia pedir para um amigo advogado resolver as questões referentes ao carro.

Assim, antes de avisar Júlia e Amanda, Agnelo ligou para o sócio do escritório pedindo para ele ir ao local do acidente, porque ele precisava ir ao hospital.

Desesperadamente, subiu ao seu quarto, onde Júlia se encontrava e falou com a voz trêmula:

– Júlia!

– O que aconteceu, meu amor? – Júlia se preocupou com o semblante do marido.

– A Valentina acabou de sofrer um acidente de carro e tão levando ela e o Léo para o hospital!

– Meu Deus! Como foi isso? Ela tá bem? E o Léo?

– Não sei de nada ainda. Tô indo pra lá! Você vem comigo?

– Claro! Vou avisar Amanda.

– Vou tirando o carro da garagem! Não demore, por favor!

Então, Júlia se dirigiu ao quarto de Amanda e lembrou que ela tinha ido à missa com o namorado. Assim, ela desceu para encontrar o marido, tentando ligar para o celular da filha.

Ao entrar no carro de Agnelo, Amanda atendeu o celular:

– Oi, mãe!

– Amanda, estamos indo para o hospital. Valentina sofreu um acidente de carro!

– Meu Deus! Ela bem? – o coração de Amanda apertou dentro do peito.

– Ainda não sabemos de nada. Ela e Léo foram levados ao hospital.

– Qual? Vou encontrar vocês lá!

Júlia informou qual o hospital. Amanda falou o que aconteceu para o namorado e rapidamente eles se encaminharam para lá.

Quando eles chegaram, encontraram Agnelo e Júlia com os pais e o irmão de Leonardo. Ainda não sabiam do estado de saúde de Valentina nem de Leo. Instantes de angústia depois, o sócio de Agnelo ligou dizendo que já havia resolvido tudo e falou sobre o acidente:

– Algumas testemunhas informaram que o carro ultrapassou o sinal vermelho e bateu no lado do passageiro, onde Valentina estava.

– Ai, meu Deus! E a pessoa que bateu? – Agnelo passou a mão pelos cabelos em desespero.

– Era um homem e ele acabou morrendo no local, porque estava sem cinto de segurança. E ainda encontraram um litro de vodca seco dentro do carro.

Nesse momento, um médico apareceu para dar-lhes notícias.

– O médico apareceu aqui. Depois falo com você! Obrigado por tudo!

Então, primeiramente o médico informou que Leonardo teve apenas um corte na cabeça, que já tinha sido feito curativo e estava finalizando alguns exames para descartar algo mais grave.

Assim que o médico terminou de falar sobre estado de Leonardo, Agnelo perguntou ansioso:

– E minha filha, Doutor? Como ela está?

– Bom, o caso de Valentina é mais grave do que a do rapaz que estava com ela. Ela teve ferimentos na cabeça e no corpo. Estamos fazendo todos os exames para verificar se houve danos também nos órgãos internos. Ela ainda está desacordada…

– Mas ela tá fora de perigo… de morte, doutor?

– Ainda não podemos afirmar nada. Toda a força da batida foi em cima de Valentina. Mas o senhor fique ciente de que estamos fazendo o possível para salvar sua filha!

Agnelo abraçou a esposa e não conseguiu mais segurar o choro, que vinha tentando evitar. Júlia abraçou o marido, tentando consolá-lo. Ele chorava copiosamente nos braços da esposa. Amanda também não conseguiu conter as lágrimas. Sentia muito pelo padrasto e também por Valentina. Apesar de não se darem bem, nunca desejou mal para a enteada da mãe.

Amanda foi até Agnelo, abraçou-o com ternura e falou:

– Dr. Agnelo, ela vai ficar bem! Vamos rezar para que ela fique boa logo!

– Oh, Amanda! Obrigada, minha filha! – Agnelo abraçou a enteada novamente.

Em seguida, Amanda se sentou em um dos sofás da sala de espera, tirou o terço da sua bolsa e começou a rezar.

Mais alguns instantes se passaram, quando Leonardo apareceu com a cabeça enfaixada. Chorando, ele abraçou os pais e o irmão e disse que estava bem. Depois, virou-se para Agnelo e falou com a voz trêmula:

– Dr. Agnelo, quero que o senhor saiba que eu não tive culpa de nada. O carro passou o sinal vermelho com toda velocidade…

– Eu sei, Léo! – o pai de Valentina abraçou o amigo da filha. – Claro que você não tem culpa!

– Foi horrível ver minha amiga ali desacordada e toda cheia de sangue! – Léo falou chorando muito.

– Eu sei… eu sei. Mas não se culpe, viu? Vá pra casa com sua família e se cuide, fique bom! E reze pela minha filha!

Leonardo olhou para os pais e falou:

– Eu não quero ir embora! Quero ficar aqui! Quero tá aqui quando Valentina acordar!

– Léo! Não adianta! Você precisa descansar. Pode ir pra casa. Não sabemos quando ela vai acordar. E não se preocupe que eu aviso quando isso acontecer, tá? – Agnelo aconselhou.

– Vamos, Léo. Amanhã nós viremos ver Valentina. – a mãe de Léo falou.

Então, Leonardo e a família foram embora do hospital e Agnelo, Júlia e Amanda ficaram fazendo a única coisa que podiam fazer naquele momento: rezar!

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