QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 17

QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 17

– Vamos logo, Valentina! Senão, a gente chega atrasado! – Leonardo apressava a garota.

indo, Léo! Calma! Deixa eu ver se tô levando todos os documentos! – Valentina abriu a bolsa dela.

– Boa prova, minha filha! Boa prova, Léo! – desejou Agnelo.

– Obrigada, Dr. Agnelo. – agradeceu Leonardo.

– Obrigada, pai. Agora podemos ir, Léo.

A prova do Enem havia chegado. Valentina e Léo fariam a prova no mesmo local, pois o nome de Léo era Valter Leonardo. Como ele não gostava do primeiro nome – que foi uma homenagem ao avô falecido – e nem da combinação, dizia que seu nome era apenas Leonardo.

Quando saiu o local das provas, eles combinaram de ir juntos. Então, Léo passou na casa de Valentina para buscá-la. Eles iriam fazer a prova numa universidade particular, que ficava um pouco longe de suas casas.

Terminada a prova, Valentina esperou o amigo fora da faculdade, enquanto zapeava no celular. Encontrou algumas pessoas da mesma escola, que apenas a cumprimentaram. Quase uma hora depois, Leonardo saiu.

– E aí, gostou da prova? – Léo perguntou.

– Não mesmo! – Valentina riu. – E você?

– Não achei muito ruim, não! Mas é muito cansativa!

– Ah, Léo! Você vai passar! É o mais estudioso da nossa galera!

– Tomara, viu? Porque não quero fazer cursinho e nem pagar faculdade particular!

– Bem que eu preferia estudar nessa aqui! Ela é muito irada! Quero fazer o vestibular pra essa universidade, cara!

– Ela tem uma ótima estrutura, ? É um sonho mesmo! Mas deve ser super cara!

– Deve mesmo. Vou fazer o Dr. Agnelo gastar dinheiro comigo ao invés de gastar com a esposinha dele! – Valentina riu.

Se esqueceu da enteadinha? – Léo perguntou rindo.

Valentina ficou meio sem jeito e falou prontamente:

– Claro que não! Com ela também!

O amigo riu pelo jeito sem graça de Valentina. Já havia anoitecido quando saíram da universidade na qual haviam feito prova. Entraram no carro e se dirigiram à casa de Valentina.

cansada ó, Léo! Morrendo de dor no pescoço.

– Eu também! Essa prova é longa e estressante demais!

– Você deve mais do que eu, porque demorou uma hora a mais fazendo. Eu saí logo. Chutei todas as que eu não sabia. Ou seja, quase 90% da prova! – Valentina riu da própria desgraça.

– Duvido! Valentina, você não é estudiosa, mas é bem inteligente! Pega as coisas no ar!

Valentina apenas riu com o elogio do amigo. Depois falou mudando de assunto:

– Põe uma música das boas, Léo. Preciso desopilar!

O amigo então pôs o pen drive e começou a tocar uma música de uma das bandas que eles gostavam. Eles permaneceram em silêncio por alguns instantes, fazendo com que o vazio de suas vozes fosse preenchido com os acordes da música e a voz do cantor.

De repente, Léo baixou o volume do som e falou meio reticente:

– Valentina, você se lembra da festa de aniversário do seu pai?

– Lembro. Por quê? – o fatídico acontecimento veio à mente da garota.

– Lembra quando você falou sobre a minha… a minha… sexualidade? – Léo falou quase inaudível.

– Lembro vagamente. Estava um pouco embriagada. Eu falei alguma coisa errada?

– Não! Claro que não! Você me falou uma coisa certa.

– Ah, foi? Você pode me relembrar?

– Você falou pra eu me aceitar e sair do armário, senão poderia morrer sufocado.

Valentina riu.

– Isso me fez refletir muito. E, sem brincadeira nenhuma, fez com que eu me olhasse no espelho e dissesse várias vezes pra mim mesmo: Eu sou gay!

– Você fez isso mesmo, cara?

– Fiz! E foi muito transformador, sabia?! Realmente fiquei mais tranquilo em relação ao que eu sou de verdade! Eu repeti tantas vezes, que se tornou leve, sabe?

– Ah, Léo, então foi ótimo! Que bom que você tenha se aceitado. Fico feliz em ouvir isso!

– Mas eu peço que você não fale nada pra galera por enquanto.

– Claro que não, Léo. Até porque isso só diz respeito a você. Então, é você que tem que contar… Se é que você precisa contar. Pode só deixar rolar, porque você sabe que a galera é de boa em relação a isso!

– Pois é. Eu até sei. Mas, como tudo é muito novo pra mim, fico receoso.

– Relaxa… Mas saiba que de mim eles não vão saber. E se você sentir a necessidade de contar, conte apenas quando você se sentir à vontade. Não vá se pressionar…

– Obrigada pela ajuda! Quando quer, você é tão doce, Valentina! – Léo brincou pegando na perna da amiga.

Valentina riu e confidenciou:

– Que ninguém da galera me escute, mas você sempre foi meu preferido, cara!

Eles se olharam e sorriram um para o outro. Nesse momento, eles passavam em um cruzamento, quando um carro em alta velocidade ultrapassou o sinal vermelho, abalroando o carro de Léo.

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