QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 16

Valentina abre uma porta desconhecida e entra. Escuridão. A porta se fecha. Ela pisca os olhos. Tenta ver alguma coisa. Nada. Tem receio de continuar andando. Para. Respira fundo. Olha para os lados. Escuridão. Medo e curiosidade a invadem. Passos. De repente, ela vê uma luz ao longe. A luz ilumina uma pessoa de costas. Uma mulher. Uma mulher com um vestido fino, longo e esvoaçante. A mulher começa a dançar. Valentina caminha para perto. Escuta uma música. A mulher continua a dançar. Valentina chega mais perto. Ela se sente enlevada. A mulher para. Valentina também. A mulher se vira. Valentina a reconhece. Amanda. Elas se entreolham. Valentina se aproxima. Amanda sorri para ela. Valentina toca em seu rosto. Amanda toca em sua mão. Valentina avizinha seu rosto do dela. Amanda fecha os olhos.  E…

– Valentina! Valentina! – Agnelo bateu na porta do quarto da filha.

A garota acordou sobressaltada.

– Valentina! Abre essa porta! – o pai aumentou o tom de voz.

– Calma! Tô indo! – a garota gritou.

Ela se levantou e foi até a porta. Abriu-a e disse:

– Pô, pai! Tava dormindo! Você quase me mata de susto! O que foi? O mundo se acabando?

– Pelo amor de Deus, Valentina! São duas horas da tarde, minha filha!

– Qual o problema, pai? Hoje não é domingo?

– Sim, mas não precisa dormir o dia todo. Levante e vá fazer alguma coisa. Estudar, quem sabe!

Valentina revirou os olhos e disse:

Puts! Sério, pai? Você me acordou em pleno domingo pra dizer pra eu estudar? Fala sério!

falando! Você no terceiro ano, Valentina! Época de estudar mais ainda pra passar no Enem.

– Ah, pai, sem sermão uma hora dessas, ?

– Não é sermão, minha filha! É um conselho. Ou você acha que vai ter seu pai pra sempre?

– Eita, que drama, Dr. Agnelo! certo. Já entendi, ? Mas vou começar a estudar amanhã. Pode ser? – Valentina falou fechando a porta do seu quarto.

O pai ficou ali parado na porta, mas ainda teve tempo de dizer:

– Vou sair com a Júlia!

, pai! Bom passeio! – Valentina falou impaciente de dentro do quarto. “Como se eu quisesse saber!”

Agnelo suspirou e desceu para encontrar a esposa na sala.

Valentina se sentou na cama e se lembrou do sonho que teve. Ficou imaginando o que teria acontecido se o pai não tivesse batido na porta. Estava muito confusa com aquele sonho inesperado. Maldito dia em que ela viu Amanda dançar. “Droga! O que é que tá acontecendo comigo?”

Em seguida, ela desceu para comer alguma coisa na cozinha. O sonho com Amanda não lhe saía da cabeça. E isso a deixou de mau humor. “Que ódio desse sonho!”. Valentina pegou uma maçã, pôs café numa xícara, umas torradas e depois se sentou à mesa da cozinha.

Enquanto ela comia com o indesejado sonho permeando seus pensamentos, Amanda surgiu na cozinha com João. De repente, Valentina sentiu o coração trovejar dentro do peito. Amanda timidamente falou:

– Boa tarde…

Valentina a olhou de relance e, baixando a cabeça, murmurou:

– Boa tarde…

Descaradamente, João cumprimentou Valentina em alto e bom som:

– Boa tarde, Valentina! Tudo bem?

Sem responder, a garota tomou o último gole de café, levantou-se e, antes de sair, lançou-lhe um olhar furioso.

– O que foi isso? – Amanda perguntou para o namorado sem entender aquele olhar.

– Como é que eu vou saber? Ela deve de mau humor! Só pode! – João mentiu.

– Estranho. Ela não ter respondido não me admira. Mas ela te olhou com uma raiva! Não entendi. Você fez alguma coisa pra ela, João?

– Eu? Claro que não, princesa! – João falou cinicamente e abraçou a namorada. – Essa garota tem sérios problemas. Vamos deixar ela pra lá. Vem cá! Me dá um beijinho, vai! – beijou os lábios da garota.

Amanda não ficou muito convencida do que João falou. Certo que a enteada da mãe tinha lá seus problemas, mas aquele olhar que ela dirigiu ao namorado foi, no mínimo, esquisito.

Depois que fizeram mais pipocas, eles voltaram para a sala de vídeos, onde Agnelo mantinha uma coleção de DVDs e blue rays, para terminar o filme ao qual estavam assistindo. Contudo, Amanda quase não se concentrou pensando no que havia acontecido.

No seu quarto, Valentina tentou ler, mas não obteve êxito; tentou pintar, sem sucesso; tentou escutar música, mas não conseguiu. Pegou o celular e pensou em ligar para Léo, mas desistiu. “Preciso sair de casa urgentemente!”.

Então, subitamente, clicou em um nome da sua lista de contatos e enviou uma mensagem.

‘Oi. ocupada? Queria saber se a gente podia se encontrar agora. Que tal?’

‘Oi! Claro! em casa sozinha de bobeira. Se quiser pode vir pra cá!’

‘Ok! indo então!’

Rapidamente, Valentina tomou banho, pôs uma calça jeans, uma camiseta, um tênis e saiu. Pegou um táxi e, instantes depois, tocava a campainha da casa da pessoa para a qual havia enviado a mensagem.

– Oi, Dani.

– Olá! – a garota da boate falou sorridente. – Entra. Fica à vontade.

– Desculpa te mandar uma mensagem assim… Faz um tempinho que a gente não se fala… – Valentina falou se sentando no sofá.

– Relaxa… Eu adorei sua mensagem! E adorei que você tenha vindo… – Dani se sentou bem próximo a Valentina.

A filha de Agnelo a olhou e sorriu. Depois, olhou para a TV e perguntou:

– O que você assistindo?

Pra falar a verdade, nada. Tava procurando algo pra ver, mas agora que você aqui… – sorriu com malícia. – Não quero assistir nada.

Valentina fitou os lábios bem desenhados da garota e a beijou. Dani recebeu o beijo dela com deleite. Depois, sentou-se em seu colo, abraçando-a com a pernas. Valentina lhe laçou a cintura, trazendo-a mais para perto de si.

Os beijos se tornaram quentes e um ardente desejo tomou conta dos seus corpos. Com urgência, as mãos de Valentina passeavam pelo corpo de Dani, fazendo com que ela soltasse gemidos abafados na sua boca. Depois a despiu deixando-a completamente nua à mercê dos seus toques lascivos. Valentina também se desnudou para poder sentir o calor da pele de Dani.

Valentina precisava tirar aquele sonho da mente e nada melhor do que se perder nas sensações luxuriosas do corpo de outra pessoa. Então, elas se devoraram por inteiro até o cair da noite.

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