QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 15

– Valentina, quem é aquele gatinho ali? – Sabrina chamou a atenção da amiga apontando discretamente para um rapaz muito bonito.

– É o Guilherme. Ele é filho de um primo do meu pai.

Me apresenta!

Valentina revirou os olhos. Depois do que aconteceu, a última coisa que ela queria era ser cupido de alguém.

– Oh, Valentina! Eu preciso conhecer novos garotos pra esquecer o E… – a amiga interrompeu a fala.

– Edu! Pode falar, Sah! Eu sei da sua paixão por ele…

– Então! Você precisa me ajudar conhecer novos gatinhos!

Valentina cedeu à pressão da amiga e apresentou Guilherme a Sabrina e os dois logo se afastaram da mesa para conversar.

Valentina então acabou ficando sozinha com Léo na mesa.

– E você, Léo? Quer que eu te apresente alguma garota?

– Não, eu tô bem… – ele riu sem jeito.

Como Valentina já estava com algumas doses de vodca na cabeça, ela ousou perguntar:

– E algum garoto?

Pergunta que fez Leonardo ficar completamente envergonhado. Então, ele falou tentando disfarçar o embaraço:

– Garoto? doida, Valentina?

– Será que eu tô doida mesmo, Léo? – olhou para o amigo, que fico uem silêncio. – Ah, Léo, relaxa, cara! Vai ter vergonha de mim? Todo mundo sabe que você é gay, pô! Sai desse armário, porque senão um dia você morre sem ar!

– Como assim todo mundo sabe? Nem eu tenho certeza! – questionou o rapaz.

– A galera toda desconfia… Primeiro: você nunca fica com as garotas. Segundo: já vimos você olhando pra alguns carinhas com um olhar diferente e tal…

Ele ficou apenas calado e um pouco constrangido. Então, Valentina continuou a falar:

– Bom, se você tem receio da galera, pode ficar tranquilo. Eles são de boa. Mas se não for isso, se o problema em você mesmo se aceitar… Cara, você precisa resolver isso logo, porque é a melhor coisa que você faz pra você mesmo.

– É… Eu preciso resolver isso comigo mesmo de uma vez por todas! – Léo falou quase inaudível e baixou a cabeça.

Valentina pôs a mão em seu ombro e falou sinceramente:

– Pode contar comigo, Léo. Eu tenho esse jeitão assim, mas saiba que eu aqui pro que você precisar, ?

O amigo até se surpreendeu com o gesto terno da amiga. Não era comum de ver.

Depois dessa conversa, o amigo implorou para Valentina dar um passeio pela festa. Estava cansado de ficar sentado. Ela acabou cedendo aos apelos dele. Quando se levantou, Valentina ficou um pouco tonta e falou rindo e enlaçando o braço no do amigo:

Me segura, Léo. Acho que tô um pouco bêbada.

O amigo a segurou e caminharam entre os convidados. Avistaram Sabrina aos beijos com Guilherme. Valentina queria ir até lá, mas Léo a impediu para não atrapalhar o encontro da amiga.

– Espero, pelo menos, que ela finalmente esqueça o idiota do Eduardo! – Valentina falou.

– É bom mesmo, viu! – Léo confirmou.

Depois, passaram por Amanda e João Pedro que estavam dançando juntos. Valentina olhou para eles e fez uma careta de nojo, o que fez o amigo perguntar:

– E essa careta, garota?

– Nada não!

Eles gargalhavam, enquanto caminhavam. De vez em quando, até tropeçavam e riam ainda mais. Agnelo viu a filha e o amigo de longe e, preocupado, comentou com a esposa:

– Acho que Valentina bebeu demais.

– Calma, Agnelo. Não diga nada, por enquanto. Você sabe que basta falar alguma coisa pra ela fazer o oposto. Não queremos escândalo.

A esposa tinha razão. Então, eles voltaram a conversar com os amigos.

– Valentina, vamos atrás de comer alguma coisa doce. Precisamos de açúcar! – Léo sugeriu.

Eles passaram por um grupo de pessoas e um olhar percorreu todo o corpo de Valentina com desejo. “Nossa! Essa garota é fascinante!”

Léo e Valentina acharam os doces e comeram vários. Nessa hora, o celular de Léo tocou e era o irmão avisando que já iria buscá-lo. Então, ele quis ir falar com Sabrina para saber se ela iria pegar carona com ele. A amiga avisou que iria ficar mais tempo e daria um jeito de ir para casa.

Instantes depois, Léo foi embora, deixando Valentina sozinha na festa. Ela então ficou sentada à mesa bebendo água – pois a vodca havia embrulhado seu estômago – para depois subir para seu quarto. Para ela, aquela festa já deu o que tinha que dar. Se não fosse Léo para fazê-la rir um pouco, o aniversário do pai teria sido horrível.

De repente, a pessoa, cujo olhar percorreu Valentina sedentamente, sentou na cadeira ao lado dela e falou com uma voz sussurrada, beirando a sensualidade:

– Oi, Valentina!

– Oi… – a garota falou sem olhar para a pessoa.

– O que uma moça tão linda faz aqui sentada sozinha?

– Meus amigos me abandonaram… – Valentina falou com a voz um pouco alterada e deu um grande gole na água.

– Que maldade dos seus amigos… Eu jamais abandonaria você se fosse minha amiga… – a pessoa falou com uma voz sedutora e deu um sorriso no canto da boca.

Então, Valentina, que ainda não tinha visto a pessoa que falava com ela, fitou-a por alguns segundos.

– Você é? – Valentina perguntou tentando lembrar o nome.

O rosto daquela pessoa não era desconhecido, mas não se lembrava de onde a conhecia e nem o nome dela.

– Suzana! Amiga da Júlia. Estive aqui outro dia, lembra? No chá…

– Ah! Suzana… Amiga da Júlia… Lembro sim! – Valentina falou balançando a cabeça afirmativamente a cada frase que pronunciou.

Suzana era uma linda mulher de quarenta anos. Tinha os cabelos loiros, olhos castanhos, corpo benfeito e era alta. Ela era casada desde os vinte e cinco anos com um rico empresário do ramo alimentício, vinte anos mais velho do que ela. Nunca quis ter filhos. Era uma daquelas mulheres que levavam a vida a gastar o dinheiro do marido em roupas de marca, produtos de beleza, viagens e academia. Além disso, ela escondia um segredo de todos, principalmente do marido: costumava se relacionar com mulheres.

– Você é tão linda quanto sua mãe… – Suzana pegou uma mecha de cabelo de Valentina e pôs atrás de sua orelha.

A garota a olhou surpresa e falou:

– Você conhecia min…

– Você aí, meu amor! Tava procurando por você! Vamos embora? – o marido de Suzana interrompeu a pergunta da garota.

– Vamos sim, querido!

Suzana então se levantou, pousou a mão no ombro de Valentina, apertou-o de leve, abaixou a cabeça e sussurrou no ouvido dela:

– Até outro dia, menina linda!

Atônita, a filha de Agnelo ficou observando a amiga de Júlia ir embora sem saber o que pensar sobre a conversa que havia acabado de acontecer ali.

 

Chegamos ao capítulo 15! O aniversário do pai de Valentina não foi nada fácil pra ela, hein? Primeiro, foi o namorado de Amanda e depois Suzana, a amiga casada de Júlia! Onde será que isso vai chegar? Aguardemos os próximos capítulos, né? Tô amando escrever essa história pra vocês! Espero que estejam curtindo! Beijos da N. Lorak

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