Poemas, Poesias e Palavras – Post no Parada Colorida

Ontem rolou post novo no Parada Colorida!! Mas o texto ta aí, pra vocês curtirem!! Depois não deixem de passar lá no PC, porque tem muita coisa boa! 😉

 

Mais um dia…

Era mais um dia igual a todos os outros, mas eu já não ligava muito, depois de um tempo percebi que nada que eu fizesse iria mudar tudo aquilo, então parei de fazer, qualquer coisa que fosse.

Acordei cedo, como sempre, enfiei a primeira roupa que vi pela frente, fui no banheiro e fiz xixi de porta aberta, escovei dente e joguei uma água no rosto. Não me olhei no espelho, não precisava que o dia começasse pior do que já era.

Desci as escadas na mesma velocidade lenta de sempre, não estava ansiosa pra nada e não iria fingir alguma coisa. Tomei minha enorme xícara de cafe preto. Puro. Segui para a porta de casa, satisfeita por ninguém ter me visto. Quando coloquei a mão na maçaneta escutei minha mãe descendo as escadas, acelerei o passo e em tempo recorde estava no banco do meu carro. Ter a conversa de todos os dias com ela me cansava demais. Eu fingindo que concordava com suas opiniões ela fingindo que tinha orgulho de mim, mas nunca perdendo a oportunidade de dizer que eu usava preto demais ou maquiagem de menos. Eu sempre fingia que ia mudar e isso já a contentava.

São exatos 12 minutos dirigindo até a escola. Estacionei na vaga de sempre, sai do carro e peguei aquele longo corredor que pra mim parecia algum caminho eterno de tortura. Aquele não era o meu lugar, eu nunca me encaixaria ali. Apenas contava os dias pra isso tudo acabar.

A única coisa que me deixava um pouco menos irritada de viver esse sistema todo era ela. Eu chegava e ela era a única que não me olhava com olhar veroz de julgamento. Na verdade, acho que ela nem me olhava, mas para mim já estava ótimo assim.

Óculos de grau, jeito quieto, risada tímida e uma calca jeans bem larguinha, do tipo que não se preocupa se não se encaixa no que chamam de beleza. O tipo que me fazia sorrir a toa. E ela estava vindo na direção contraria a mim, e sem perceber eu parei. Meio que do nada, simplesmente acompanhando seu andar leve, seu braco apoiado na bolsa de couro pendurada no ombro. Ela me deixava feliz, e estava chegando casa vez mais perto, e sorriu pra mim. Aquele sorriso sem graça e meio sem sentido, só para ser educada mesmo. Mas pra mim foi o suficiente.

Tomei coragem e fui atras dela. Dessa vez bati meu recorde, foram só 5 minutos dentro da escola.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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