Cap 13 – O irmão da cidade grande

Mas ignorou e ficou feliz pela namorada. Esse irmão ter chegado poderia deixar ela mais feliz, já que andava tao preocupada com os problemas em casa. E ele seria bem útil a elas, sim. E elas ainda nem sabiam disso.

Tati recolheu suas coisas, deu um beijo longo na namorada e foi correndo pra casa. Dani e Beta continuaram nos “estudos”. Beta não conseguia se concentrar, eram milhões de pensamentos passando por sua cabecinha, até que preferiu, colocar para fora e perguntar a Dani:

“Qual a história do irmão dela?”

“É simples, eles sempre foram muito ligados, super amigos. Aí ele decidiu ir fazer faculdade na cidade. E ele é tipo um geniozinho. Ela ficou arrasada, foi a época que mais nos aproximamos até, mas com o tempo você se acostuma. Hoje ele é o xodó e orgulho da familia toda, e continua sendo o grande herói amigo dela!”

“Entendi….e você acha que ela pode contar a ele?”

“Sinceramente? Não sei, mas se contar, pode ser uma coisa boa, ele é menino de cidade grande, entende isso!”

Foi o desabafo mais rápido da vida de Beta. Dani conseguiu ao mesmo tempo tranquilizar a amiga e desesperá-la. Ela não queria que Tati contasse tudo pra ele, tinha medo do que podia acontecer e de perder seu mais novo amor. Ficou com medo, tentou esquecer de tudo aquilo e chamou Dani para ir dar uma volta e beber um pouco.

As duas passaram a noite fora. Beberam muito mais do que “um pouco”, amanheceram na praia com uma garrafa de vodka vazia e muita dor de cabeça vindo pela frente, e ainda era meio da semana, para fechar com chave de ouro, decidiram ir direto para a aula. Chegaram com aquelas roupas amassadas, areia no tenis e um sorriso meio lesado.

Beta foi correndo abraçar Tati assim que ela chegou e aí é que as coisas não ficaram muito legais. Tati não gostou nem um pouco de saber que sua namorada tinha passado a noite fora, bebendo, sem contar a ela. Beta  alegou que não queria atrapalhar o jantar em família, e elas tinham combinado de reduzir o número de mensagens enquanto Tati estava em casa, e nem o argumento de que Dani é que estava junto adiantou para diminuir a irritação e o ciúmes de Tati.

Todas as aulas foram iguais, Tati olhava fixamente pra frente, não necessariamente prestando atenção, apenas evitando os olhares de Beta. E neste momento Dani preferiu ficar na sua e não se envolver na briga, mas no fundo se sentia um pouco culpada. Na hora do intervalo, foram conversar perto da quadra e Tati deixou bem claro que se fosse para elas namorarem esse tipo de coisa ela não permitia. O mínimo que ela tinha que ter feito era avisar. Beta, por incrivel que pareça, se limitou a chorar um pouco, não queria ter brigado com sua namorada.

Mais aulas se passaram, e por mais que tudo estivesse “desculpado” o clima continou péssimo. Tocou o sinal e todos juntos saíram da última aula. Tati foi com pressa na frente e quando Beta conseguiu puxar o braço dela já estavam no pátio da frente e o carro do irmão de Tati esperando ela. Ele assistiu de longe enquanto Beta dava um beijo no rosto de Tati e segurava sua mão meio que devagar, sem querer soltar.

Beta lembrou a Tati o quanto a amava e deixou sua menina ir embora. Tati entrou no carro do irmão, deu um beijo nele, virou o rosto pra olhar pra Beta enquanto o carro andava e deixou uma única lágrima cair nesse momento. Sem Tati perceber, seu irmão mudou o caminho e quando ela se deu conta, estavam na praia. Com a cara de confusa que ela fez, Diego sorriu e explicou:

“Já que hoje estou aqui, o dia é nosso, como antigamente, eu e você e mais ninguém”

Tati no fundo sabia que aquilo era um pouco de influencia de sua mãe, mas ficou feliz, precisava dele.

Pararam o carro e sentaram em um quiosque onde dava pra ver o mar batendo e pegar aquele vento da praia. Diego foi direto ao ponto e Tati não esperava que fosse diferente.

“Não conheço sua nova amiga, quem é?”

“Relatório da mamãe por voce?” – Tati estava um pouco sem paciência pra essas coisas.

“Não preciso disso para me preocupar e cuidar da minha irmã, nem sou desse tipo, você me conhece.” – a questão de falar o que pensa, é de família.

“Eu sei, desculpe, é só que ela está no meu pé com isso”

“Ok, eu sei como ela pode ser. Agora responde pro seu irmão, quem é ela?”

Tati ficou uns 15 segundos calada, pensando no que responderia. Será que Diego era o mensageiro de sua mãe ou seu irmão querido? Sem perceber, falou sem pensar.

“Minha amiga, que eu amo e que se tornou minha namorada há algum pouco tempo atrás.”

Diego, por mais que desconfiasse, não esperava a resposta da irmã e demorou mais uns 20 segundos, pelo menos, para conseguir formular a resposta. E não era nem um pouco o que Tati esperava.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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