O Amor, Simplesmente – Cap 98

A sexta estava ficando cada vez melhor para Dani. Depois das indiretas de Tati no telefone, ela levantou da cama, tomou um banho, se arrumou e se perfumou para encontrar sua professora.

Andando pela rua parecia que as cores eram outras. Estava tudo mais brilhante e vivo. Os pássaros cantavam afinados uma melodia animadora. As árvores floresciam e se enchiam de frutas e até as formigas na rua dançavam uma coreografia marcada para celebrar aquela felicidade radiante que vinha do sorriso de Dani. Tudo isso no caminho até a casa de Estella.

A menina olhou no relógio e percebeu que chegou uns 15 minutos antes do horário combinado. Preferiu não arriscar bater na porta, afinal de contas ela tinha uma aluna lá dentro e ela não queria estragar nada. Ficou escondida do outro lado da rua, atrás de uma árvore da onde podia olhar a porta da casa de Estella sem ser vista. Aproveitou o tempo que tinha e mandou uma mensagem para Tati: eu te amo melhor-amiga-do-mund-inteiro. 

Dani não sabia direito qual era o problema da amiga com Estella, mas achou mais garantido se mostrar presente e fofa para amenizar os ânimos alheios, afinal de contas viajariam juntas no dia seguinte. Enquanto ela olhava para o celular ouviu um barulho vindo do outro lado da rua. O silêncio que imperava naquele lado mais distante da pequena cidade permitia que qualquer mínimo ruído fosse ouvido. Dani se esgueirou um pouco mais para trás da árvore e ficou olhando a cena à sua frente: Estella abriu a porta e se afastou para que a aluna passasse. Dani reconheceu a loira que saía da casa da professora: era Nandinha, a mesma que expôs Beta e Tati para todo o colégio. Dani ficou em choque.

Esperou Nandinha se afastar bastante, virar a esquina e enrolar mais um cinco minutos até ir a porta de Estella. Como combinado, olhou para todos os lados antes de tocar a campainha. Sua feição ainda era de choque. A professora atendeu a porta e recebeu Dani da melhor forma possível. Ela estava vestindo um roupão, desses de banho e com uma cara de quem estava ansiosa pela chegada de Dani:

– Vejam só se não é minha aluna preferida…
– Então quer dizer que você está dando aula para a Nandinha? – Dani despejou logo em Estella enquanto passava por ela e entrava na pequena casa.
– Que bom que você também estava com saudades…. – Estella falou, um pouco baixo, um pouco alto, enquanto fechava a porta de casa. Dani escutou.

Antes de continuar no assunto Nandinha, Dani se desmontou ao ouvir sobre as possíveis saudades de Estella, desistiu de brigar, se aproximou da professora, a abraçou e a encostou contra a porta e finalmente percebendo que por baixo do roupão de Estella, não tinha nada.

– Eu também estava com saudades, professora preferida.

E com um beijo quente e longo, fez Estella levantar os pés do chão e se apoiar com os braços no pescoço de Dani. O roupão não durou muito e nem mesmo chegou até a sala, ficou perto da porta de entrada mesmo. As duas foram para o quarto e não demorou nem cinco minutos para as roupas de Dani estarem espalhadas pela casa também. As duas estavam com saudades, era fácil de perceber isso.

Depois de matarem as saudades, ou pelo menos uma parte delas, se renderam aos carinhos deitadas no sofá da sala. Dani vestia sua calcinha e uma camiseta de Estella e a professora estava de calcinha e com seu roupão por cima.

– O que foi aquele ataque sobre a Fernanda? – Estella perguntou enquanto fazia carinho na cabeça de Dani
– Ela não é boa gente, não gosto dela perto de você
– Tem alguém aí com ciúmes, é? – Estella falava enquanto tentava fazer cócegas em Dani que quando tentou fugir quase foi para no chão.
– Não tem nada a ver com ciúmes. É que no último lual que teve da turma ela contou para todo mundo da Beta e da Tati, de forma bem escrota aliás. A sorte é que Tati tinha bebido, tomou a frente, assumiu tudo e viramos as heroínas do colégio por termos enfrentado a Nandinha.
– Uhmmm, e por isso agora vocês vivem cercadas de outras meninas no pátio.
– É, mais ou menos isso!
– Eu gostava mais de pensar que eram ciúmes.

Dani se sentiu envergonhada por ter deixado passar essa quase declaração de Estella, mas a verdade é que ela ainda não sabia o que elas estavam tendo. Era namoro? Um caso? Uma diversão? Achou que esse poderia ser um bom momento para falar da viagem…

– Em falar nas meninas, vou viajar com elas no fim de semana – simplesmente falou, sem rodeios.
– Para onde?
– Para a cidade grande, é aniversário de uma amiga.
– Uhm – Estella deixou bem claro que estava incomodada com isso, levantou e foi até a cozinha pegar sua taça de vinho. Dani sentiu o problema no ar. Respirou e continuou com calma.
– Você se importa se eu for viajar com as minhas amigas? – Dani estava um pouco irritada por ser obrigada a fazer esse tipo de pergunta, mas preferiu não contrariar.
– Quem sou eu para me importar, não é mesmo?
– Isso é uma boa pergunta..quem é você?
– O que foi agora? Quer o que de mim? Anel de casamento?
– Ei, ei, ei, para com isso! Você que começou essa história aí!
– Então eu sou só uma diversão para você? Um troféu? Bom saber, garota.

Estella saiu andando com sua taça na mão em direção ao próprio quarto. Ela estava extremamente envolvida com Dani e não soube lidar com aquele pequeno descaso da menina em relação ao caso que estavam tendo. Ela não sabia ficar com qualquer uma, queria apenas alguém que pudesse passar o fim de semana com ela na cama vendo tv, não era pedir muito, era?

Dani ficou na sala tentando entender o que estava acontecendo, foi atrás de Estella no quarto disposta a discutir o que quer que fosse aquele problema todo ali.

– Acho melhor você ir embora. Eu tenho muita coisa para fazer ainda – Estella não deixou Dani começar a falar, precisava ficar sozinha.
– Você tem certeza disso?
– Tenho – Estella falou olhando nos olhos de Dani, passou toda a sinceridade que conseguiu, mesmo sendo mentira.
– Então tá

Dani vestiu sua roupa, fez questão de trocar de blusa, pegou suas coisas e saiu porta à fora. Parada na calçada, olhou para os dois lados meio que sem saber para onde ia. Só podia ir para um lugar: precisava do único colo que tinha desde sempre. Foi atrás de Tati.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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