O Amor, Simplesmente – Cap 95

A aula parecia transcorrer normalmente. Estella evitava ao máximo cruzar olhares com Dani com medo de escapar qualquer pequena faísca. A menina, que não tinha dormido quase nada na noite anterior, muitas vezes abaixava a cabeça na mesa e relembrava os toques, beijos e sussurros de Estella. As duas não paravam de pensar no que tinha acontecido na noite passada.

Finalmente o sinal do recreio libertava as mentes cansadas dos alunos e da professora. Beta,Tati e Dani ficavam por último, como sempre. O casal deixou a amiga ir lá na mesa de Estella sozinha e ficaram alguns passos atrás.

– Vocês podem se aproximar. Já sei que vocês sabem de tudo – Estella falou enquanto permitia que Dani e Tati chegassem mais perto.
– Desculpa, professora. Não queríamos atrapalhar nada – Beta falou enquanto abraçava Tati e chegavam um pouco mais pra frente.
– Não se preocupem, aqui vocês não atrapalham nada.
– Até porque vamos ser legais e evitar nos pegarmos loucamente na sala de aula – Dani completou fazendo todo mundo rir.
– Dani, obrigada por não contar para ninguém sobre o meu passado – Estella falou enquanto a menina procurava algum buraco no chão para se esconder
– Não tenho nada a ver com sua vida, professora. Só contei para elas três por serem as minhas melhores amigas e confiar nelas de olhos fechados.

Estella sorriu, falou mais algumas cosias com o trio e se despediu delas dizendo que precisava ir até a sala dos professores pegar sua carteira para ir até a lanchonete comprar alguma coisa. Desmarcou o possível encontro que teria com Dani a tarde. Disse que tinha compromisso, o que deixou a menina com ciúmes, mas ela se controlou para não parecer louca nas primeiras horas de relacionamento. Seja qual for o relacionamento que elas tinham.

Beta, Tati e Dani foram para o pátio. Sentaram na mesa de sempre e já estavam cercadas de outras meninas que passaram a encarar o trio como ídolos depois da discussão no luau. Os assuntos eram os mesmos de sempre e sem nenhuma novidade. Beta e Tati falavam as besteiras de sempre e faziam todas rir. Dani ria junto e sempre opinava em alguma piada, mas estava mesmo de olho na sua, agora com toda a propriedade, delícia de professora caminhar pelo corredor e se sentar na primeira mesa, que estava sempre vazia, e comer seu lanche. Seus olhares se cruzaram algumas vezes, mas nada que os outros pudessem perceber.

As aulas da tarde seguiram mais chatas do que nunca. Os outros professores pareciam ser umas cem vezes piores do que Estella, ainda mais depois do dia anterior. Ela tinha se tornado um tipo de referência dentro do colégio para o nosso trio preferido. E por falar em trio, Dani passaria a tarde com Tati e Beta, na pedra da pracinha. Diziam que iam estudar e por mais que sempre levassem os livros, o encontro era muito mais para conversar, beber e quem sabe fumar um baseado.

A tarde já se aproximava do fim. As três estavam concentradas tentando resolver os problemas de matemática do dever de casa que tinham enquanto acabavam com uma garrafa de vodka que estava escondida no meio do mato. O matinho delas tinha acabado e elas não tinham onde comprar. O filho do padeiro, que trazia da cidade para elas não tinha nada no estoque. Ficaram arrasadas.

Tati e Beta foram para a casa de Tati, iam dormir juntas lá, já que na noite passada tinham ficado na casa de Beta no final das contas. Dani queria ir junto, mas sua mãe iria estranhar mais uma noite fora, então ela decidiu ir pra casa mesmo. Era mais seguro. O casal subiu para o quarto e enquanto Tati arrumava o quarto, Beta tomava um banho. Calças jeans pra lá, bolsas pra cá, Tati viu cair um cigarro que estava escondido em uma pequena carteira que levava escondido na bolsa. Na mesma hora, Beta saía do banheiro de toalha enrolada e via sua namorada segurando aquela maravilha na sua frente.

– Liga pra Dani? Marcamos na praia! – Tati falou enquanto pulava para o banheiro para tomar um banho e resgatar mais uma garrafa de vodka que estava escondida.

Dani disse a sua mãe que precisavam estudar uma matéria muito difícil e que as meninas precisavam de sua ajuda. Faziam muitos anos que Tati e Dani se conheciam e suas mães já estavam acostumadas com esse troca troca de casas. D. Ana, mãe de Tati, também não se importou quando falaram que iam para a casa de Dani. A cidade era pequena, não tinha risco algum e os estudos eram sempre mais importantes. Elas se encontraram em uma calçada escura e seguiram juntas, felizes da vida para o local sagrada do trio, a praia.

– Tati, porque estava escondendo essa maravilha com você? – Dani perguntou enquanto dava um trago no cigarro que tinham levado.
– Não foi por mal, eu esqueci dele.
– Salvou nossa noite! Estava pensando no quanto isso nos faz bem hoje mais cedo e cá estamos nós – Beta ainda estava no inicio da noite, mas já estava ficando filósofa.

Entre goles e tragos a noite ia se estendendo e o papo girava entre tudo que elas mais gostavam: amizade, sexo, amores, sexo e viagens. Dani contou detalhes da noite com Estella e Beta e Tati contaram que já estavam começando a olhar apartamentos na cidade para o ano que vem. Dani ficou com ciúmes até ser convencida que os apartamentos eram de 2 quartos para ela ir também. Planejaram fazer noites iguais a essa na praia da cidade grande e viajar o mundo todo juntas.

Por mais que Estella não saísse dos pensamentos de Dani, a menina sabia que aquilo poderia ser passageiro. Era paixão e isso poderia acabar a qualquer momento. E na verdade, ela nem descartava um retorno, dessa vez sério, com Di. Eram muitas coisas a se pensar e quando a lua começava a se despedir de mais uma noite, elas sabiam que era hora de começar a se despedir da praia também. Ainda restava um pouco menos do que a metade da garrafa. Beberam em um gole só, tiraram as roupas e foram assistir o sol nascer de dentro da água.

O celular de Dani na areia apitava sem parar. Era Estella querendo dar bom dia. Mas parece que não seria tão bom assim para nenhuma delas. Atrasadas, as três corriam pelas ruas em direção à escola. Cheias de areia, sal e com o cabelo molhado de praia, compraram um café no caminho para tentar tirar o cheiro de vodka e maconha da boca. Não funcionou muito.

Entraram na aula de Estella atrasadas e foram obrigadas a encarar o olhar cheio de julgamentos da professora, principalmente Dani que depois viu as milhões de mensagens em seu celular. A professora não falou nada quando elas entraram, apenas continuou a aula depois do olhar que deu. Isso poderia ser bem pior depois.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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