O Amor, Simplesmente – Cap 89

– Você tem certeza disso? É uma loucura!

Tati tentava de todas as formas convencer Dani a não ir nessa tal aula particular com Estella.

– Mas amiga, é só uma aula particular para melhorar minhas notas.
– Até parece, Daniela. Só se eu não te conhecesse.

O uso do nome completo da amiga fez o trio gargalhar unido. Beta não queria se meter nesse caso, afinal de contas, na opinião dela, Dani não estava fazendo nada de tão errado assim. E se fosse solteira, de repente teria uma pequena paixão por Estella também.

Tati não achava errado, mas tinha medo das consequencias. Afinal de contas, a Estella ainda era professora delas e se algo desse errado no meio do caminho poderia acabar sobrando para as outras duas.

Dani chamou as meninas para a pedra preferida delas na pracinha para contar detalhes sobre o papo bem tenso que teve com Estella no intervalo e sobre a aula particular que teria. Estava animada e queria/precisava dividir aquela tensão toda. Seria uma tarde inesquecível, independente do que acontecesse.

Do outro lado da cidade, Estella almoçava o pouco que conseguia colocar no estomago. A hora passava e o momento do encontro se aproximava. Ela é só uma aluna precisando de aulas. Só isso. Repetia isso insistentemente em sua cabeça até acreditar em todas as palavras. Impossível. Dani era mais do que só uma aluna. Dani era um coração acelerado, um arrepio constante, pernas banbas e estômago flamejante. Dani era o perigo que Estella tinha prometido nunca mais correr.

Já eram 17h30 e Estella tinha acabado de sair do banho. Abriu o armário e tentou escolher uma roupa apropriada. Impossível. Todas eram arrumadas demais ou despojadas demais. Ela não podia passar a impressão errada logo de cara. No fundo, ela sabia que se Dani tivesse uma pequena brecha, seria muito difícil resistir.

Dani avisou à mãe sobre a aula particular e garantiu que estava tudo bem. Infelizmente, não podia contar toda a verdade. Ela foi com Beta até a casa dela e depois acompanhou Tati até sua casa. Essa tarde as três passariam separadas. Como há muito não passavam.

– Amiga, por favor. Pensa bem no que você vai fazer, tá? – Tati tentou pela última vez.

Dani não respondeu. Apenas abraçou a amiga e seguiu em direção ao endenreço que tanto mexia com seu corpo, seu coração, seus pensamentos. Seus pés iam sem que ela precisasse ordená-los. Pareciam guiados por outra força maior enquanto seu coração acelerava descompassado a cada pequeno passo.

Olhou no relógio pela última vez. 17h55. Cinco minutos de antecedência. Tocou a campainha da pequena casa e apenas aguardou. Ouviu lá dentro barulho de cadeiras sendo arrastadas, passos apressados e imaginou que Estella estivesse nervosa. Sorriu com esse pensamento e bem na hora a professora abriu a porta e viu a menina com aquele sorriso cheio de segundas intenções no rosto.

– Você está adiantada. – Estella falou ainda meio sem ar por causa do sorriso
– Quer que eu espere aqui fora?
– Não. Pode entrar.

Estella se afastou da entrada e segurou a porta liberando o caminho para Dani. A menina, que não estava para brincadeiras entrou e parou na frente da professora lhe dando um beijo no rosto. Estella ficou vermelha na mesma hora. Era possível sentir o calor subindo pelo seu corpo. Dani não prestava e isso tornava tudo mais interessante.

– Posso me sentar nessa mesa? Tem algum lugar específico? – Dani perguntou apontando para uma pequena mesa que Estella tinha preparado para a aula.
– Pode sentar onde você quiser – Estella falou com a voz mais séria que podia.

Dani riu da resposta de Estella, passou pela cadeia e se sentou no sofá que ficava atrás. Era possível ver a irritação da professora com o abuso de Dani.

– Acho melhor termos a aula na mesa. Ajuda na concentração.
– Eu me concentro melhor no sofá. Você se importa?
– Não. Apenas quero que a aula seja útil.

Estella foi até a cozinha, pegou dois copos de água e colocou em cima da mesa. Pegou o primeiro livro, abriu e começou a falar.

– Vamos começar pela matéria de gramática. Foi a sua pior nota nas provas e acho que temos muito o que revisar.

Dani continuava com as coisas guardadas na mochila e os olhos fixos na boca de Estella. Aqueles lábios se movendo, se grudando e desgrudando enquanto ela falava a deixava hipnotizada. A fazia esquecer do mundo. Ela conseguiria ficar horas olhando fixamente para aqueles finos lábios com batom vermelho escuro. Era enlouquecedor.

– Você não vai anotar o que vamos falar? – Estella perguntou tirando Dani do transe que a menina se encontrava
– Vou sim. Desculpe. Estava distraída – E com um sorriso recheado de segundas, terceiras e quartas intenções, Dani fez Estella ter uma recaída com um olhar sexy.

Dani percebeu a abertura, pegou seu caderno, se levantou e sentou ao lado de Estella na mesa. Fazendo questão de passar o braço pelas costas da professora.

– Decidiu mudar de lugar? – Estella provocou
– Vou ficar mais perto de você para ver se aprendo mais rápido.

Estella sorriu sem graça, dando a condição necessária para Dani. Era tudo que a menina queria.

Ela pegou na mão da professora e quando Estella tentou puxar, Dani não deixou, pressionando, mas sem machucar, a mão da professora entre as suas. Estella então levantou o rosto e deu de cara com os enormes olhos de Dani dentro dos seus. A menina estava com tudo planejado.

– Eu não quero o seu mal. Eu sei o que já aconteceu.

Estella sabia que isso voltaria em algum momento. A professora mudou a sua expressão na mesma hora. Ficou tensa e com um olhar petrificado. Não esperava que essa historia retornasse tão rapidamente. Tentou mais uma vez puxar sua mão que estava guardada entre as de Dani. Mais uma vez, sem sucesso.

– Não sei do que você está falando, Daniela. Você pode soltar a minha mão, por favor?
– Eu solto, Estella. Mas antes, olha pra mim.

Estella olhou e mais uma vez viu os olhos de Dani dentro dos dela.

– Eu não quero o seu mal, nem quero usar você.
– Então o que você quer, garota? – Estella estava com os olhos cheios dágua e se deixou levar pela emoção.
– Eu quero você. – Dani respondeu e começou a se movimentar em direção à professora, como se fosse beijá-la.

Estella parecia petrificada e não se moveu deixando Dani se aproximar de seu rosto. Quando recuperou os sentidos, puxou sua mão, levantou e pego um dos copos de água o bebendo inteiro enquanto caminhava para a cozinha.

– Você é louca, menina. Acho melhor continuarmos essa aula outro dia. Não estou me sentindo bem.

Dani sabia que tinha mexido com a professora de uma forma irreverssível. Decidiu que por hoje estava bom. Juntou suas coisas em silêncio, colocou a mochila nas costas e foi até a cozinha onde Estella se apoiava na pia, de costas para a menina. Dani deu um beijo no ombro de Estella e antes de ir embora falou em seu ouvido:

– Estou ansiosa para o próximo encontro, quero dizer, para a próxima aula.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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