O Amor, Simplesmente – Cap 87

A noite foi quente. Não só pelas altas temperaturas, mas por excesso de pensamentos pecaminosos que percorriam aquela cidade. Em uma madrugada de segunda para terça tanta coisa acontecia e nada parecia estar acontecendo de fato.

Beta e Tati compartilhavam de uma noite romântica. Passava o tempo e as duas estavam ainda mais apaixonadas. Quando Tati entrou para tomar banho, Beta preparou o quarto todo. Guardou mochilas, livros e cadernos. Apagou a luz e ligou o abajur, colocou uma música de fundo, vestiu uma roupa bonitinha, mas a cara dela: cuequinha nova e blusa. Encheu a cama de rosas que estavam escondidas no armário e apenas esperou sua menina sair do banheiro que ficava dentro do quarto. Tati quando viu toda aquela preparação se deu ao direito de ficar um pouco sem ar e quase chorar. Deixou apenas que os olhos ficassem úmidos. Com um pijama conhecido, mas confortável, correu para o colo de sua amada e a beijou intensamente. Caíram na cama e dali não saíram mais. Tati não cansava de agradecer a surpresa. Aliás, agradeceu de todas as formas que conseguia imaginar. Beta considerou fazer surpresas todas as noites só para ganhar aqueles agradecimentos.

Na rua detrás, em sua pequena casinha, Estella ainda não tinha se recuperado do estranho encontro, se é que podia chamar de encontro, com Dani. A menina era muito parecida com Camila nesse jeito atrevido de ser. Jeito atrevido de a querer. A professora tentou dormir repetidas vezes e em todas elas via a menina em seu quarto, em sua cama, em seus braços, sem roupa…de todas as maneiras. Levantou, tomou um remédio, dessa vez mais leve e sem combinar com álcool e conseguiu apagar. Em seus sonhos, Dani pulava a pequena cerca da frente, entrava pela janela, subia até seu quarto e a surpreendia com beijos quentes, mãos abusadas, línguas desbravadoras e sussurros ensurdecedores. Acordou molhada, de suor e de tesão. Não sabia mais o que fazer para tirar Dani da cabeça.

No final da rua, em seu quarto, Dani deitava olhando para o teto com as duas mãos embaixo da cabeça em uma posição de quem mandava na situação. Foi quando ouviu seu celular apitar. Seu coração disparou e por algum momento pensou ser Estella, mesmo que a professora não tivesse seu número. Era Di.

– Acordada?

Ao ver o rosto de sua ex-namorada na tela, Dani fechou a cara e perdeu o sorriso. Não é que estivesse triste, mas é que bateu uma saudade enorme. Daquelas que faz a gente perder o chão e ter vontade de chorar para sempre. Lembrou de tudo que passaram e deu um enorme aperto no peito.

– Para você? Sempre!

Achou que uma resposta leve seria bom, não denunciaria a saudade e continuaria tudo bem. Achou.

– Estava pensando em você e resolvi mandar mensagem. Tudo bem?
– Pensando em mim? Espero que seja coisa boa.
– Não teria outra forma de pensar na melhor coisa da minha vida…

A resposta de Di fez Dani tremer. Deixou as lagrimas correrem e a saudade apertar de vez. Começaram um assunto qualquer para não se entristecerem ainda mais. Dani gostava muito de Di, mas sabia que não era capaz de um relacionamento à distancia. Pelo menos não agora. Se despediram prometendo não deixar o amor morrer. Isso elas conseguiam fazer. Nos sonhos, Di e Estella brigavam pelo amor (ou corpo) de Dani. Ela não conseguiu saber quem ganhava.

A terça começava cinzenta para Dani e Estella que não tinham dormido nada. Beta e Tati eram as únicas coloridas naquele dia. O trio se reuniu cedo na porta da escola e o casal logo percebeu que a amiga não estava bem. Compraram os cafés de sempre e seguiram para a mesa lá no final do pátio.

– Falei com a Di ontem…. – Dani falou como se não soubesse como continuar
– Ela está bem? – Beta continuou
– Está sim. Ficamos até altas horas conversando
– Voltaram? – Tati perguntou e na mesma hora viu o olhar de Dani mudar e se arrependeu da pergunta.
– Não, amiga. Apenas conversamos. Achamos melhor deixar assim…
– E você está feliz? – Beta tentou consertar o assunto
– Acordei com um pouco de saudade, mas estou bem. Vou ficar bem.

Nesse momento Beta viu a professora Estella vir até o pátio, olhar para todos os seus alunos e voltar. Era a forma dela de avisar que a aula vai começar e que ela espera todos a seguindo. As três se levantaram e seguiram juntas. Dani foi no meio dessa vez, sendo abraçada e acalentada pelo casal mais amigo que existia. Ela nem viu que Estella estava com o cabelo diferente nesta terça. Sua cabeça estava em Di e ela não conseguia mudar isso. Será que ela não estava perdendo a mulher que a amava por uma besteira? Seus pensamentos a dominaram e ela viajou para uma outra dimensão.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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