O Amor, Simplesmente – Cap 84

Entendendo Estella, parte 2….

Estella dormiu naquela noite, ou melhor, deitou, com o coração na boca. O que Camila queria? Porque ela a beijou daquela maneira? E o pior de tudo…porque Estella tinha gostado tanto do beijo?

Foram mais ou menos uns 6 segundos de beijo até que Estella parasse e pedisse desculpas e desculpasse Camila. Tudo ficou esquecido e elas conseguiram até continuar com a aula particular. Os corações aceleravam todas as vezes que os olhos se cruzavam e todas as vezes que as mãos se tocassem. Estella sabia o quão errada estava, mas não podia negar a sensação boa que estava dentro de si.

Camila era uma menina apaixonada por sua professora. Tinha admiração e queria mais com Estella. Sabia que esse não era o momento, iria esperar. Não demorou muito. Naquela noite Camila sonhou com Estella e Estella não dormiu pensando em Camila. Estava relutante.

As aulas daquela semana foram frias e distantes. Estella passou a sentar longe e pediu para ser tratada como professora, mesmo em sua casa. Camila continuava chegando de short curto e blusas provocativas para as aulas particulares. Ela mexia com a imaginação da professora que via a menina nua em sua cama enquanto dava aulas. Era enlouquecedor.

No domingo, Estella estava em seu ritual de sempre: almoço comprado em algum restaurante acompanhado de um bom vinho e muitos filmes cults para renovar as energias e as inspirações para começar mais uma semana. A turma da oitava série estava cada vez mais impossível e agora ela se dava ao luxo de dar aula para ninguém enquanto ignorava os comentários maldosos que ouvia sobre a sua pessoa. Resolveu que seria superior.

Eram quase oito da noite quando a campainha tocou. Assustada, sem esperar ninguém, Estella se arrumou rapidamente. Estava com um short de pijama e uma blusa velha de manga comprida. O ar condicionado gelava tudo e ela adorava essa sensação de estar em outro mundo. Era Camila na porta. Ela estava aos prantos.

– O que houve, Camila? Está tudo bem?
– Não! Posso entrar?
– Pode, lógico. Entra.

Camila sentou na ponta do sofá com receio de ir além do que podia. Estella esperou ela respirar e colocou uma água para ferver. Iria fazer um chá para a menina enquanto continuava com sua taça de vinho na mão. Camila, aos poucos foi parando de chorar e quando Estella sentou ao lado dela no sofá, a menina sorriu e pediu desculpas pela intromissão no domingo da professora, mas não tinha a quem recorrer.

– Não se preocupe. O que houve? Está machucada?
– Não. Apenas briguei com algumas pessoas.
– Quer me contar? Quer conversar?
– Acho que não, você se importa?
– Nem um pouco. Podemos ficar em silêncio, eu gosto de silêncio. Ele é tão barulhento.
– Você fala tão bonito…
– Isso é coisa de professora…um dia passa.
– Não deixe passar. Eu gosto.

Estella deixou seu olhar encontrar com o de Camila e se arrependeu instantaneamente. A menina sorria para ela de canto de boca meio sem graça, meio provocativa. Estella bebeu todo o vinho que estava em sua taça como uma ótima maneira de desviar a atenção. A chaleira estava apitando e o chá ficaria pronto já.

Na cozinha, que ficava ao lado da sala, Estella colocava mais vinho na taça enquanto deixava o chá se dissolver na água quente. De costas para a sala fechava os olhos pedindo paciência e controle para qualquer força maior que a ouvisse. Ninguém ouviu e as mãos de Camila encontraram sua cintura junto com o corpo da menina pesando em suas costas.

– Por favor, Estella. Por favor. Eu não estou brincando.
– Menina, você não vê que isso não dará certo nunca?
– Deixa eu te mostrar que você está errada.
– Você não sabe de nada da vida, Camila.
– Eu sei que te quero. Não parei de pensar no nosso beijo.

Estella também não. Ela continuava apoiada na pia e o chá na sua frente já estava para lá de frio. Camila a abraçava por trás e apertava os braços contra a cintura da professora que não conseguia mais controlar e as lágrimas corriam. Eram lágrimas de nervoso, medo e raiva. Raiva por não conseguir controlar aquele desejo pela Camila. Pediu desculpas àquela força maior que vinha dos céus e se virou para encontrar a boca de Camila em um ato louco e incontrolável. Camila retribuiu o beijo na mesma intensidade e as duas se entregaram ao desejo que as matava.

As aulas particulares continuaram e o relacionamento também. Estella ficou mais confiante e até mais bonita, passou a ter um pouco de moral com os alunos tão difíceis da oitava série. Camila, continuava sentada no canto da sala sem muitos amigos, mas agora não se importava mais. Admirava sua mulher, namorada ou o quer que fosse deslizando na sala de aula.

No recreio dividiam uma mesa, lanches e olhares nem um pouco discretos. As aulas particulares continuaram e eram aproveitadas de uma forma bem diferente. Camila e Estella estavam vivendo um grande amor e a diferença de idade pareceu sumir nos meses seguintes.

E aí as coisas deram errado. Pegaram o celular de Estella, viram mensagens, descobriram que era Camila e as coisas passaram a desandar. A professora não esperou o final do ano e pediu demissão antes que as coisas ficassem pior para ela. Camila mudou de escola e por um tempo foi proibida de ver Estella. Essa limitação não durou muito e as duas voltaram a se encontrar e se encontrar novamente…e engataram um relacionamento que parecia perfeito.

Camila cresceu e deixou Estella. A professora, que estava se dedicando apenas à aulas particulares e terminar seu livro, voltou para o interior. Precisava recuperar seu coração e sua vida. E resolveu voltar a ser professora, estava com saudade. Seria uma nova chance.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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