O Amor, Simplesmente – Cap 82

Se despediram mais uma vez e então Dani deixou sua gostosa ir embora. Sentou na escada do colégio e esperou Tati e Beta chegarem. Por incrível que pareça, não se sentia triste ou abandonada. Apenas com um pouco de medo.

O outro casal demorou um pouco a chegar. Elas estavam curtindo os minutos que podiam aproveitar ainda na cama. Tati e Beta eram o tipo de casal grudento-lindo-que-todas-querem-ser. Dani sorriu quando viu elas se aproximando. Precisava de um sorriso confortante e colo.

– Reunião? Agora? Mesa de sempre? – foi o bom dia dela para o casal

Na mesma hora os sorrisos leves de Tati e Beta foram substituídos por lábios travados e expressões que poderiam ser traduzidas por um enorme ponto de interrogação no rosto das duas. Sem falar, seguiram contra o fluxo que chegava para as primeiras aulas e andaram até a mesa que sempre usavam em situações como essa.

Tati e Beta de um lado e Dani de frente para elas. As três ainda estavam em silêncio quando finalmente Tati começou o assunto. Ela não suportaria aquela demora toda.

– A Di já foi? – Ela começou aos poucos. Tinha certeza que o assunto era relacionado com a menina.
– Já sim. Ela foi cedo para não pegar muito trânsito.
– E foi tudo bem essa noite? – Beta continuou com as perguntas leves.
– Maravilhoso. Não dormi nada. – Dani não perdia o bom humor nem quando estava meio triste o que fez Tati e Beta rirem e ficarem um pouco mais tranquila.
– Então as coisas continuam indo bem, certo? – Tati arriscou a frase com um riso de fundo.
– Não sei. Nós terminamos. – Dani finalmente falou o que estava acontecendo.

Beta e Tati seguraram o ar. Como se respirar pudesse causar uma terceira guerra mundial ou alguma reação inesperada de Dani.

– Ela disse que eu to apaixonada pela Estella. – Dani continuou.

Foi o suficiente para Tati e Beta caírem na gargalhada. Dani não agüentou e acabou entrando na piada e rindo. Da própria desgraça.

– Nós conversamos e a Di disse que achou melhor ficarmos separadas e prometidas. Continuamos querendo ficar juntas, mas com a distância e com o mundo a nossa volta fica um pouco difícil, então estamos separadas para não nos magoarmos. – Dani conseguiu puxar ar depois de caírem na gargalhada e finalmente terminou de contar a história para Tati e Beta.

– E como você está, amiga? – Tati perguntou enquanto puxava as mãos de Dani para as suas.
– Eu estou bem. Gosto muito da Di, mas a distância não ajuda e eu não queria correr o risco de magoá-la.

Tati e Beta prestaram a solidariedade que acharam necessária. Também não queria fazer nenhum drama já que Dani parecia estar bem. A vida continuava e além do mais a decisão não foi tão absurda como parecia.

O assunto mudou de rumo e as amigas começaram a falar de besteiras e já planejavam o fim de semana. Ou pelo menos o que teriam dele já que no próximo sábado as aulas específicas para provas de vestibular começavam. O ano começava a mostrar que não seria fácil para o trio.

O sinal tinha tocado há uns cinco minutos quando elas resolveram seguir para a sala. A primeira aula era com Estella e justamente por isso, corriam contra o relógio. Não podiam se dar ao luxo de atrasar e tomar outro esporro em tão pouco tempo. Foi por pouco. Entraram junto com a professora. As três de cabeça baixa. Mentira. Menos Dani, que encarava os grandes e severos olhos da professora. Tanto encarou que conseguiu que Estella por um segundo saísse de sua casca de dureza e transparecesse um resquício da mulher frágil que a habitava. Dani riu e gostou da sensação. Sabia que Estella tinha reparado nela e isso fez Di sumir como uma fumaça preta quando o fogo acaba.

Aula longa e chata para todos. Dani era a única que parecia amar a matéria. Sinal de liberdade e em poucos segundos a sala estava praticamente vazia. Praticamente. Dani fingiu que estava terminando uma frase no caderno e ficou por último na sala. Ela estava decidida a desvendar o mistério que Estella escondia. E a professora parecia se abalar com a constante presença da menina.

– Professora, gostei muito da sua aula. Parabéns. – Dani falou de longe, encostada na porta.
– Obrigada, Daniela. – Estella respondeu sem mudar nenhuma expressão no rosto. Mexendo apenas os músculos necessários para a fala. Não queria transparecer nenhum sentimento. Nem seu coração acelerado.
– Que bom que já sabe meu nome. Primeira conquista.

E então Dani saiu da sala deixando Estella sem palavras, sem ações e sem saber o que fazer. Ela tinha medo do que aquela menina poderia representar. Seu passado não ajudava. Ela tinha reconhecido Beta e agora o medo é maior ainda.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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