O Amor, Simplesmente – Cap 81

Por enquanto, fingiram que nada aconteceu. Mas não ia ser assim para sempre.

O dia continuou sendo um sonho. Di estava de carro e aproveitou para levar as meninas para a praia e almoçarem em um lugar de sanduíches que elas adoravam. Era bom já que dava para olhar o mar enquanto almoçavam. E o mar era como se fosse o elemento de ligação delas. Uma alma gêmea de todas.

O papo era fácil, solto e nem parecia que elas se conheciam a pouco tempo. Di estava realmente envolvida pelo carisma e bom humor de Dani. Tati estava radiante em ver sua amiga sendo tão bem tratada e cuidada por Di. Gostava bastante da nova cunhada, como gostava de chamar Di. Beta não sabia onde tinha acertado mais, em se juntar as duas ou levá-las para conhecer Di e Má.

Já passavam das 3 da tarde quando Di disse que precisava ir. Afinal de contas, ela tinha uma viagem de volta de mais ou menos uma hora e pouco de carro. O encontro teria que acabar. Dani não ia deixar sua menina ir embora sem que elas tivessem algum tempo para ficarem um pouco mais juntas. Decidiu ligar para sua mãe. Levantou com o celular na mão, foi até lá fora e enquanto via as três que tinham ficado sentadas na mesa, ligava para sua mãe.

– Mãe, uma amiga pode dormir lá em casa hoje?
– A Tati e a Beta? Lógico, filha.
– Não mãe, é aquela amiga da Beta que conheci na nossa viagem. Eu te falei dela.
– Bom, filha. Pode sim, mas não esquece que amanhã você tem aula e nada de faltas, hein.
– Pode deixar, mãe. É só que está tarde para ela voltar hoje. Estou preocupada.
– Ok, filha. Pede pizza. Eu pago. Beijos e até mais.

Dani voltou saltitando para a mesa e anunciou a boa notícia para Di e as amigas, inclusive as convidou para dormirem lá também. Tati disse que adoraria, mas que deixaria elas ficarem um pouco juntas e além do mais, ela e Beta iriam dormir juntas na casa de Tati, estavam com saudade de um tempo só para elas, também. Di avisou sua mãe e confirmou que passaria a noite por ali. Estavam ansiosas, felizes e saltitantes quando, finalmente, saíram do restaurante.

Já que estavam tão perto da praia, não perderam a oportunidade e foram até a água para sentir o sal do mar. Beta dizia que dava sorte.

Di deixou o casal na casa de Beta para que ela pegasse suas roupas e o que mais fosse necessário para dormir na casa de Tati. Depois, junto com Dani, seguiram para o outro lado. A casa estaria vazia essa hora e elas poderiam matar um pouco da saudade que estavam sentido. Pelo menos, a que Di estava sentindo.

– Quem é aquela professora de vocês? Aliás, ela é professora? – Di levantou o assunto justo agora que Dani tinha até esquecido sobre Estella. A pergunta foi suficiente para uma pedra afundar o estômago de Dani.
– É sim. Estella o nome dela. Só tivemos uma aula dela até agora.
– Ela é linda, hein.
– É? Não reparei muito não. – Dani tentou disfarçar, mas seu coração batia tão rápido que ela tinha certeza que Di estava ouvindo.
– Tem certeza? Olhou tanto para ela hoje mais cedo.
– Que isso, gata? Impressão sua. – A cara de espanto que Dani fez depois da acusação de Di deve ter sido convincente, porque Di não voltou mais no assunto.

Na verdade, Di não queria insistir, mas sabia que algo estava rolando na mente de Dani e isso a deixou incomodada e com bastante ciúmes. A menina da cidade grande tinha se apaixonado por Dani, mas não se permitiria sofrer novamente. Ficou com medo e seu coração começou a bater diferente de antes.

Chegaram na casa de Dani e como esperavam, estava vazia. Di parou o carro e antes de sair, passou as mãos no cabelo de sua namorada, apenas sorriu enquanto olhava a carinha de sem graça que ela estava.

– O que foi, Di? – até a voz de Dani mudava nesses momentos.
– Você é linda. E eu senti sua falta.
– Eu também senti sua falta e você precisa de um óculos.

Dani ganhava as pessoas com essa coisa de brincar nas horas certas. Deu um estalinho em Di, sabia que não tinha ninguém em volta e a convidou para entrar.

Mostrou toda a casa para a namorada enquanto paravam em todas as paredes para matar as saudades que estavam. Se beijavam e se abraçavam sem falar muito, estavam querendo mesmo é aproveitar o tempo de distância. O último cômodo a ser apresentado foi o quarto de Dani, o qual elas iriam parar.

Nessa noite, seriam só Dani e sua mãe e como ela tinha pego turno extra, só chegaria quando estivessem dormindo, provavelmente. A casa era só delas então.

Dani não quis nem trancar a porta, apenas a empurrou para bater e sem nem pensar duas vezes jogou Di em sua cama enquanto já tirava a blusa e abria a calça jeans. Estava com muita saudade e não queria perder muito tempo com as preliminares. Di não se importou nem um pouco, chutou os sapatos para longe, tirou a blusa e a calça, ficando só de calcinha e sutiã na cama de Dani enquanto esta vinha em sua direção.

– Como eu estava com saudade dessa gostosa só para mim. – Dani falou como se tivesse uma terceira pessoa no quarto, mas era só para Di ter certeza do quanto ela sentira sua falta. E isso não era mentira.
– Então vem aqui me aproveitar, agora.

Não precisou nem pedir duas vezes. Antes mesmo de se jogar em cima de Di, Dani tirou sua calcinha e arremessou para longe e já foi redesenhando todas as curvas conhecidas da namorada. Estava com saudade do seu cheiro, da sua voz, do seu gosto, do seu toque.

A tarde foi longa e rápida ao mesmo tempo. Depois de matarem uma parte da saudade, começaram a ver o relógio correr demais e sabiam que teriam que parar já que o dia seguinte chegaria. A mãe de Dani entrou em casa em silêncio achando que encontraria a filha dormindo, mas acabou vendo as duas na sala assistindo a um programa de televisão. Estavam abraçadas no sofá quando ela passou pela sala. Di parecia que tinha visto um fantasma, pulou para a outra ponta do sofá o que fez Dani ter vontade de rir e sua mãe perceber que algo acontecia.

Depois das apresentações e de um papo rápido a mãe de Dani pediu para que fossem dormir. Estava tarde e dia seguinte tinha aula logo cedo. Sem nem discutir muito, foram para o quarto. Tinham coisas interessantíssimas para fazer no quarto.

Dani ficou prestando atenção a cada pequeno som que vinha do quarto de sua mãe. Ouviu ela entrando no banho, ouviu ela trocando de roupa, ouviu ela arrumando as coisas para o dia seguinte e por fim, ela apagando a luz e deitando na cama. Assim que percebeu que o ritual noturno da mãe tinha acabado, puxou Di para sua cama.

Mesmo morrendo de medo de ser pega na cama de Dani, Di não conseguia resistir as mordidas na orelha e lambidas que a namorada dava para provocar. Na verdade, não queria resistir a nada disso. Fizeram amor até a metade da madrugada quando, cansadas, resolveram se render ao sono nos braços uma da outra.

O despertador as acordou e os raios de sol que já espiavam pela janela não permitiram que voltassem a dormir. O bom dia compartilhado era sempre mais gostoso e as duas levantaram depois de trocar alguns beijos ainda deitadas. Precisavam se arrumar e sair, não estavam atrasadas, mas Di queria pegar a estrada cedo para não chegar tarde em casa.

Saíram depois de tomar um café rápido e foram em direção à escola. Ainda era cedo para Dani, mas ela aproveitou para curtir um pouco mais a cia de Di no carro.

– Criança, precisamos conversar. – Di foi obrigada a interromper um beijo para falar.
– Não pode ser depois? Tenho planos mais interessantes para este momento. – Dani escorregava sua mão para o meio das pernas de Di enquanto falava.

Di segurou a mão da namorada e respirou fundo para se controlar.

– Por mais que eu ame o que você esta pensando, precisamos conversar antes.
– O que foi? Algo de errado? – Dani se assustou com a gravidade da situação.
– Ainda não. Por isso acho melhor conversarmos.
– Você está me preocupando
– Minha criança, acho melhor terminarmos. – Di falou pausadamente, sem lágrimas ou dramas. Direta, mas carinhosa.
– Como é? Você veio até aqui, passou a noite só para isso?
– Não. Eu não vim com esta intenção, decidi isso essa noite.
– O sexo foi ruim?
– Como sempre, o sexo foi maravilhoso, mas acho que você está com seu coração ou com a sua cabeça um pouco confusos.
– Oi?
– Você chamou a noite toda por essa tal de Estella. E eu vi a maneira como você a olhou ontem e eu sei quem ela é. A Beta me contou há uns dias atrás.

O silêncio de Dani era um misto de surpresa por ter chamado Estella durante a noite e pela maturidade surpreendente de Di. Procurou as melhores palavras para não falar besteira.

– Eu não tenho nada com ela. Acho que só fiquei impressionada. Mas eu não sinto nada por ela.
– Eu sei, minha criança. Minha proposta é o seguinte: como moramos longe, acho melhor não estarmos comprometidas. Se você quiser ficar com alguém, fique. Eu farei o mesmo, caso me dê vontade. Mas você continua sendo a minha criança e eu, a sua gostosa.

Dani ficou com o estômago embrulhado só de pensar em Di ficando com outras pessoas, mas sabia que a proposta era válida e justa e sabia que o lance dela com a Estella era mais do que “estar impressionada”. Em silêncio movimentou a cabeça fazendo que sim e deixou os olhos encherem de lágrimas involuntariamente.

– Ei, criança. Eu te amo. Isso não mudou. Estou querendo que a gente dê certo e acho que esse é o melhor caminho agora.
– Eu sei, gostosa. Eu também te amo, acredita em mim não é?
– Só acreditarei se você me der um beijo de despedida agora.

Dani se jogou no colo de Di e se encaixou ficando de frente para ela enquanto a beijava com toda a vontade que podia. Até perder o ar.

Se despediram mais uma vez e então Dani deixou sua gostosa ir embora. Sentou na escada do colégio e esperou Tati e Beta chegarem. Por incrível que pareça, não se sentia triste ou abandonada. Apenas com um pouco de medo.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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