O Amor, Simplesmente – Cap 80

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A história tinha causado um efeito devastador em Dani. Ela começou a pensar demais em Estella e de menos em Di. Parecia que essa coisa de namoro à distância não funcionaria tão facilmente para a mais recente gay do local.

Depois da notícia devastadora, o dia se resumiu ao trio unido indo de casa em casa e terminando para dormir na casa de Tati, as três, como deveria ser o resto do ano. Dani dormiu no colchão no chão e o casal aproveitou a cama grande que a menina tinha. Era sempre bom poder dormir com espaço sobrando para todas.

Dani apaga rápido, em minutos já estava roncando no chão virada para o outro lado. Era o momento que Tati e Beta tinham para curtir uma a outra, os carinhos, as mãos, os beijos e o calor dos corpos. Era sempre tenso ter que fazer silêncio e poder curtir um sexo escondido. Era sempre engraçado e elas terminavam rindo baixinho com medo de acordar alguém.

Nessa noite fizeram o sexo que gostavam e continuaram sem sono, resolveram levantar da cama e foram sentar no parapeito da janela do quarto para curtir a luz da lua e conversarem um pouco.

– Estou preocupada com a Dani. – Tati sussurrou para não correr o risco de acordar a amiga.
– Preocupada? O que houve?
– Essa história da Estella. Ela ficou muito interessada para o meu gosto. Conheço essa menina.
– Você acha que ela tentaria algo com a professora?
– Não sei, sinceramente….
– Será que assim passaríamos de ano mais fácil?

A piada de Beta arrancou um sorriso bobo e lindo de Tati que retribuiu com um leve tapa no braço da namorada, só para mostrar que estava falando sério e aquilo não era brincadeira, mas não resistiu quando Beta a puxou pela cintura e a beijou sob a luz da lua. O assunto morreu por aí, mas não na cabeça de Tati.

O dia amanheceu normal, como deveria ser. As três morrendo de sono se arrastando para a escola de todos os dias. Beta e Tati abraçadas e Dani sendo arrastada pelo braço por Tati. O casal de meninas não era novidade na escola, ninguém mais olhava com cara estranha, já estavam acostumadas. Menos Estella. Logo que chegaram no pátio, Dani viu a professora encarando as três do canto de uma mesa. Ninguém mais reparou, só ela. E sem perder a chance sorriu para a professora que na mesma hora ficou meio vermelha e disfarçou o olhar. Dani ficou ainda mais balançada com aquela timidez súbita da professora carrasca.

A aula estava mais do que chata e Dani quase dormia na cadeira quando sentiu o celular no bolso vibrar. Era mensagem. Olhou para Tati e Beta, mas elas estavam concentradas demais no que o professor falava. Pegou o celular e quando viu o nome de Di seu coração bateu descompassado e resultou em um sorriso de canto de boca. Saudades da minha boca gostosa? Estou ansiosa. Meio estranha e meio misteriosa essa mensagem né? Dani respondeu e voltou para o seu momento de sono.

Quando o dia já estava pela metade o sinal final apitou e as três arrumaram suas coisas e saíram da sala juntas. Como sempre. Tati inventou uma desculpa qualquer e segurou Beta um pouco mais atrás deixando Dani ir sozinha na frente. Estava tudo armado. Quando cruzaram a grande porta de entrada estava Di, encostada em uma árvore com um enorme sorriso esperando por Dani.

Nada como uma visita surpresa de alguém que se ama. Dani correu e abraçou Di. Ela não tinha problemas com o que as pessoas pensavam e comentavam. Evitou beijá-la, mas a abraçou bem apertado. Logo depois, Beta e Tati chegaram e cumprimentaram Di.

– Você já sabia né safada? – Dani disparou contra a melhor amiga.
– Ela precisava confirmar o endereço da escola né. – Tati respondeu.

Di estava de carro e convidou todas para um passeio até a praia, o que era sempre bem vindo. Foram andando até o estacionamento. Beta e Tati abraçadas como sempre e Dani e Di de mãos dadas.

Chegando na fileira de carros, Dani avistou uma mulher alta abrindo a porta de um carro vermelho e colocando suas coisas. Era Estella. Isso parecia perseguição, só podia ser. Dani estava enfeitiçada por aquela mulher e não conseguiu desgrudar os olhos enquanto acompanhava cada movimento da professora. Di percebeu, mas preferiu não comentar nada. Não queria ser a louca ciumenta cinco minutos depois de se reencontrarem.

Por enquanto, fingiram que nada aconteceu. Mas não ia ser assim para sempre.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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