O Amor, Simplesmente – Cap 78

As duas, na mesma hora olharam para Beta que sem fazer muito barulho sussurrou:

– Já sei quem é ela.

O tom da voz deixou claro que não poderiam conversar sobre esse assunto ali, no meio de toda a escola, que neste momento estava na mesa das meninas. Tati e Dani entenderem o recado e ficaram quietas. Por baixo da mesa, o trio estava ligado. Beta no meio de mãos dadas com Dani e Tati. Era como se a vibração delas fosse a mesma e uma só sobrevivesse conectada às outras duas. E era bem isso que acontecia.

Não demorou para o sinal, que marcava o fim do recreio, tocar. Foram uns cinco minutos depois, mas para o trio pareceram cinco horas, tamanha a curiosidade e o nervosismo. Seguiram com o fluxo em direção aos corredores das salas. O mais discretamente possível, as mãos de Tati e Beta continuavam conectadas, agora de dedos entrelaçados como um belo casa que caminha em um parque. Dani não estava distante. Se mantinha próxima a elas para não quebrar a sintonia.

Nem parecia, mas esse era apenas o primeiro dia de aula e na noite anterior elas estiveram na praia, bebendo e fumando comemorando novos momentos na vida. E agora estavam se entreolhando no meio da multidão de alunos.

Como se conversassem por olhares – e conversavam – entraram no banheiro no meio do corredor. Como se ninguém percebesse a movimentação, os três corpos se arrastaram para a porta à esquerda.

O banheiro estava vazio e antes de falar qualquer coisa, Beta verificou todas as portas para garantir que não teriam surpresas no final. Tati e Dani se apoiaram na pia como em um coreografia e cruzaram os braços esperando que Beta desse a notícia tão esperada nesta manhã.

– Ela foi minha professora.

Beta soltou a bomba em um tom de voz quase inaudível e a resposta veio em vários tons acima.

– Puta que o pariu! – Dani e Tati não se controlaram no palavrão. Era muita novidade ao mesmo tempo.

– Xiuuu. Falem baixo. Ninguém pode saber de nada.
– De nada o que? – Tati insistiu
– Ela é gay. – Beta falou ainda mais baixo, olhando para todos os lados.
– Sabia. – Dani soltou seu primeiro comentário.
– Ela tinha um caso com uma aluna mais velha do meu colégio. Eu lembrei por causa da história das moedas. Essa mania é velha dela.
– To chocada.

Tati e Dani estavam incrédulas e nada fazia muito sentido. Queriam mais de Beta. Mas a menina ainda estava colocando as memórias no lugar e não quis falar mais nada, não ali. A decisão era óbvia e obrigatória: precisavam sair dali.

Sem falar nada, Beta abriu a porta do banheiro, olhou para os dois lados e conferiu que o corredor estava vazio, na ponta dos pés correu em direção à porta, que não estava muito longe e com todo o cuidado possível, abriu sem fazer barulho. Em poucos segundos, as três estavam na rua, fugindo das aulas que restavam.

Chegaram no lugar mais seguro que conheciam: a pedra no meio da praça. Jogaram as mochilas no chão, sentaram e esperaram Beta começar a falar.

– Para começar, ela é gay. E isso é só o começo.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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