O Amor, Simplesmente – Cap 75

Muita besteira ainda ia ser falada nessa fase de promessas e Beta tinha um plano infalível para o final da noite. Mas isso tudo era para mais tarde.

Ainda estava cedo, não passava de 1 da manhã. A vodka ajudou o trio a falar de coisas mais íntimas. A discussão era o sexo de Di e Dani e a o menage de Tati, Beta e Má. Afinal de contas, elas nem conversaram os mínimos detalhes do que tinha acontecido na viajem.

– Eu não consigo entender porque o sexo com mulher é tão mais gostoso. Não esperava que fosse tudo isso. – Dani falava meio enrolado já.
– Eu te avisei que era bem melhor. Você que não me ouviu. – Tati ajudava a continuar o assunto.
– Bom, eu não tenho grandes experiências no sexo com homens então não posso dizer nada. Aliás, nem você né Tati? – Beta brigou com a namorada que tinha perdido a virgindade com ela.
– Eu não tenho experiencias, mas sei o quanto é bom sexo com você e isso basta.
– Mas é porque eu sou muito boa na cama.

A humildade velada de Beta fez o trio cair na gargalhada. Era bom ter alguém para ouvir até os comentários mais bobos e desnecessários e também para falar das intimidades. Dani tomou mais um gole de vodka e criou coragem para falar de um assunto que estava incomodando a ela.

– Beta, você que é mais experiente. Pode me ajudar?
– iiii, lá vem problema!
– Não, é sério.
– Diga lá, tentarei ajudar.
– Quando eu fui fazer penetração na Di ela me disse que ia deixar mas que era ativa.
– Na hora eu ignorei, mas na real, qual é dessa parada de ativa?
– Di e essa mania dela.
– Eu sempre não entendi isso também. Mas tinha vergonha de perguntar. – Tati parecia a criança mais linda do mundo quando falava assim, tímida.
– Bom, vou falar o que eu penso tá? Ativa, passiva e relativa: uma come, outra dá, outra depende.

O excesso de sinceridade fez as outras duas gargalharem alto. Um pouco alto demais, até.

– Não é tããão simples assim, mas é quase isso. A ativa é a que gosta de mandar e tal e normalmente sente prazer só em ver sua companheira tendo prazer. A relativa faz o papel de submissa e normalmente só recebe a penetração e a relativa é a que faz de tudo.
– Então quer dizer que a Di não sente prazer quando eu faço penetração nela? Não era bem o que parecia!
– Pois é. Eu acho isso tudo um pouco de babaquice. Em uma relação e isso inclui o sexo também, deve ser feito o que der vontade. Quer comer? Come. Quer dar? Dê. Quer lamber? Lambe. Sei lá, fica arrumando nome pra tudo, definição pra tudo. É chato isso.
– Amor, você é o que? – Tati ressurgiu das cinzas.
– Eu sou o que você quiser minha Tita linda.

O casal aproveitou para trocar um beijo rápido enquanto Dani fazia cara de pensativa. E foi a própria Dani que interrompeu o silencio. Ela nem ligava mais para as amigas em momentos românticos na sua frente.

– Então quer dizer que se da próxima vez eu amarrar a Di na cama e fizer tudo eu sou ativa e ela passiva?

Beta nem precisou responder. Dani já estava com aquela cara de safada e de quem iria fazer exatamente isso da próxima vez para acabar com essa coisa de ativa, passiva e sei lá o que. Isso tudo parecia uma frescura para ela.

O sono e o cansaço estavam se aproximando. Beta sabia que se não colocasse o plano que tinha em prática agora, não colocaria mais. Então pegou a garrafa de vodka quase vazia, virou o rostinho que tinha. Pegou uma outra cheia, escondida no armário, um último baseado, que era o último dos últimos, levantou e foi em direção à janela. Colocou um pé para fora, ainda sem falar nada e jogou o corpo depois. Beta e Tati pularam de uma vez só em direção à janela. E viram Beta descendo uma escada que estava apoiada perto da janela.

Elas nem perguntaram nada, apenas seguiram Beta que as esperava no chão com os mantimentos na mão. Apesar de ser meio óbvio o plano de Beta ela quis fazer seu discurso.

– Queria agradecer ao universo por ter colocado vocês duas no meu caminho. Há mais ou menos um ano atrás eu não tinha noção do que era ser feliz. E hoje eu sei. Hoje eu tenho uma felicidade plena ao lado de vocês. Como estamos entrando em mais uma etapa da vida, agora juntas. Achei justo comemorar no lugar que, desde sempre, foi a nossa segunda casa. Tanto nos momentos bons, quanto nos ruins. Me acompanham?

E assim, Beta se colocou no meio das duas e colocou os braços de forma que o trio estava entrelaçado. Elas não precisavam de mais nada.

Caminharam em direção à praia. Beberam a garrafa toda que levaram, fumaram o baseado e assistiram ao nascer do sol de dentro da água de calcinha e sutiã, como já haviam feito outras vezes. Era a lavagem da alma que elas precisavam para começar uma nova vida, ou ao menos, uma nova etapa da vida.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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