O Amor, Simplesmente – Cap 73

O fim de semana ainda restava com apenas um dia. Eram 24 horas para que tudo mudasse na segunda de manhã. Depois da rodoviária todas foram para suas respectivas casas. Precisavam gastar um tempo com a família já que tinham passado a semana toda fora.

Beta estava com saudades do abraço da mãe e dos assuntos bobos sobre esporte com seu pai. Já no carro, indo para casa, a mãe quis saber como estava o apartamento e se tudo tinha sobrevivo as três. Beta brigou, como se a mãe estivesse sendo injusta e depois lembrou dos primeiros dias que elas exageraram na cerveja, na pizza e na maconha e reconheceu que fizeram bastante bagunça. Mas depois arrumaram tudo. Estava tudo perfeito para o próximo inquilino.

Beta contou para a mãe que Má e Di passaram alguns dias com elas e sem querer falou sobre o namoro à distância entre Di e Dani. A mãe de Beta riu, mas gostou da ideia. Estava curiosa para saber no que iria dar aquela bagunça toda. E para ser sincera, estava com medo. Na cabeça ingênua dela, sua filha estava espalhando o gene gay pela cidade. Já já seriam apedrejadas na rua. Mas quem precisa pensar nisso agora, não é? Sua filha estava de volta e ela poderia matar as saudades.

Tati quase dormiu no carro, já que a animação de Dani com o namoro não tinha deixado ela descansar no ônibus. Sua mãe estava feliz que ela estava de volta. E inteira. Finalmente, já tinha superado o fato de que ela dormiu a semana inteira ao lado de Beta e na cidade grande, longe dos olhos da mãe super-protetora. Inclusive, o assunto de quem dormiu com quem não foi levantado e era melhor assim. Não precisávamos de mais detalhes, não é?

Mas, a melhor parte veio depois. Quando estavam chegando em casa Tati avistou, na garagem, um carro que ela adorava ver. Era seu irmão. A mãe, que não pode deixar de perceber no semblante feliz da filha, foi logo explicando:

– Diego chegou hoje pela manhã. Disse que queria passar o seu último fim de semana de férias com a gente.

Era muita felicidade junta. Tati não cabia em si e assim que a mãe parou o carro ela correu para dentro da casa e foi encontrar Diego sorrindo no pé da escada a esperando de braços abertos e sem nem pensar duas vezes pulou e agarrou o pescoço de seu irmão se jogando para o colo dele. Os dois estavam mais do que felizes em se reencontrarem. Fora que tinham bastante assunto para por em dia, não é? Essa semana tinha sido agitada e Tati estava doida para dividir com o irmão.

Dani e sua mãe foram com o carrinho velho para casa conversando sobre as maravilhas da cidade grande e o capitalismo desenfreado que a comandava. Dani estava com preguiça daquele papo e focou em contar os bons momentos com as amigas e, logicamente, falou sobre as novas amizades que tinha feito. Inclusive comentou sobre a possibilidade de ir morar lá depois do terceiro ano. Quase bateram de carro nesse momento. A mãe não estava pronta para tal revelação. Dani disse que isso era apenas plano de futuro, nada certo, para discutirem depois, que era melhor.

A cabeça dela fervilhava em contar ou não contar sobre Di. Ou melhor, contar a verdade, porque já tinha contado para a mãe da nova amiga super legal, interessante e divertida. Será que sua mãe entenderia? Ela sabia da Beta e da Tati e não tinha problemas com isso, achava normal e entendia o amor como algo maior do que corpos. Ela entendia que o amor era uma coisa de alma, espírito. Mas será que assim mesmo, ela conseguiria encarar o fato de Dani ser gay? Ou bi?

O sábado estava chegando ao final. Já passava de meia noite quando Tati chamou as outras duas pelo celular e falou que Diego estava na cidade. Isso significava que ela estaria meio ausente, mas que não era para se preocuparem. Beta sentia um pouco de ciúmes já que tinha que dividir a atenção de Tati com mais um. Mas a felicidade da namorada era tanta que aprendeu a conviver com isso.

Se falaram um pouco mais por mensagens, mas logo se renderam e foram dormir, coisa que não tinham feito muito nos últimos dias. No domingo iam almoçar em família e tinham combinado de tentar se encontrar à tarde, na pracinha. Beta e Dani confirmaram. Tati ficou de confirmar por causa de Diego, mas sabia que conseguiria uma brechinha no dia para ver sua namorada, que já estava morrendo de saudades.

Ah sim, como era o último dia antes de começar as aulas, combinaram continuar com a tradição de Dani e Tati: dormirem juntas de domingo para segunda. Só faltava decidir aonde.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem 3 comentários

      1. Grupo HPM

        Falta pouco, falta pouco!! 😉

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