O Amor, Simplesmente – Cap 72

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O relógio caminhava e Di ainda não tinha respondido a mensagem de Dani. Já estavam acomodadas no ônibus e o motor já fazia barulho e embalava o sono do trio. Era sábado, a rodoviária estava vazio e não haveriam atrasos.

O sono já dominava os corpos, afinal de contas, a semana tinha sido bem cheia e não havia tido tempo para descansar. Dani não parava de olhar o celular, estava chateada por não ter tido resposta depois de quase uma hora de mensagem enviada. Estava começando a acreditar que tinha sido um lindo amor de verão e só.

Tati percebia a inquietação da amiga e sabia que o motivo era Di. Beta estava quase roncando com a cabeça encostada no ombro da namorada. Ela era a mais cansada de todas. Estava ficando velha, como costumava dizer por aí.

– Para de pensar nisso e tentar dormir um pouco. – Beta tirou Dani do transe que ela estava.
– Você acha que eu demorei muito?
– Acho que você fez no seu tempo e se não for pra ser, não será.

Dani não respondeu. Estava pensativa e cansada. Sorriu para a melhor amiga e se arrumou com a mantinha que se cobria. Era sinal de que ia tentar dormir. Tati ia fazer o mesmo. O ônibus mal tinha saído da rodoviária e o trio já estava sonhando, ou melhor, deveria estar.

Tati e Beta se abraçaram e dormiram nos braços uma da outra. Dani, do lado da amiga, encostou a cabeça na janela e dormiu, mas não sonhou, na verdade teve pesadelos. Viu Di em uma boate com outras meninas rindo da cara dela. Escutou coisas como tarde demais e viu até mesmo Beta e Tati rindo dela. Acordou assustada quando o farol de um carro a tirou do sono.

Ainda sem esperanças olhou o celular e viu uns 5 avisos de mensagens. Uma era de sua mãe dizendo que estava com saudades e que não via a hora dela chegar as outras eram de Di. Seu coração deu saltos e parecia que ia sair pela boca. Queria gritar, mas todos estavam dormindo. Apenas se arrumou no banco e abriu a primeira mensagem que chegou: “Desculpe linda, caí no sono. Faz alguns dias que não durmo bem” Ela a tinha chamado de linda. Isso era um ótimo sinal. Foi para a segunda mensagem: “Achei que você nunca ia perguntar sobre ser diferente. E se você quer saber a verdade, você ser diferente é o principal motivo pelo qual não paro de pensar em você.” e lá estava Dani com lágrimas nos olhos enquanto o ônibus avançava.

Pulou para a terceira mensagem: “Espero não ser tarde demais para responder” Dani riu da demonstração de preocupação bem parecida com a que ela mesma estava há algum pouco tempo atrás. Foi para a quarta para terminar: “Por favor, me diz que você está pensando em mim. Não aguento mais de ansiedade”

Dani ria que nem uma boba e se mexia que nem uma criança no banco. Parece que tinha ganho um presente de Natal adiantado. Mas na verdade ela tinha ganho um coração cheio de esperanças e muitas borboletas no estômago fazendo com que ela tivesse vontade de parar o ônibus, pegar carona e voltar para os braços de sua nova paixão. Mas antes disso tudo, respondeu as mensagens:

“Desculpa linda, estava dormindo. Uma certa menina me fez ficar acordada nas últimas noites. Não parei de pensar em você, em nenhum momento. Estou com medo”

Foi uma mistura de desabafo e declaração. Não demorou nem 2 minutos e Di respondeu. Mesmo esperando, o nome na tela causava um frio na barriga novo e estranho em Dani.

“Ufa. Tava infartando aqui. Com você do meu lado, não dormiria nunca mais. Medo de que?”

Dani riu das segundas intenções explicitas na mensagem. Mas não era esse o assunto foco do momento.

“Medo da vida. Moramos longe, você aí, cercada de uma vida inteira e eu aqui, cercada por esta vidinha pacata que levo.”

O momento era de alegria, mas Dani encarava as coisas com a realidade que lhe era característica. Se arrependeu um pouco de ter enviado a mensagem. Não queria parecer criança, medrosa, insegura e completamente apaixonada logo de cara. Mas era meio tarde demais para pensar nisso, né? A resposta veio rápida e certeira.

“Enquanto quisermos estaremos juntas. Você quer? Porque eu sei que eu quero.”

Aquela expressão “estaremos juntas” fez Dani tremer. Estavam namorando então? Preferiu perguntar.

“Estamos namorando?”

Novamente se arrependeu, mas era tarde mais.

“Acho bom você estar, porque eu estou.”

Foi a maneira mais fofa do mundo de responder a mensagem e Dani leu e releu várias vezes para saber se estava certo. Ria que nem uma criança e se sentia nas nuvens, levantada pelas borboletas que estavam em seu estômago. A animação era tanta que acordou Beta que estava ao seu lado.

– O que foi Dani? Que que aconteceu?
– Acho que estou namorando amiga.
– Como assim? Quantos meses eu dormi?

Dani mostrou todas as mensagens trocadas para a amiga que já tinha acordado Beta para dividir a novidade. O casal abraçou a amiga e comemorou sua felicidade. Fizeram piadinhas e aproveitaram para combinarem vários programas de casais, já que agora eram em 4. A felicidade era enorme mas o coração de Dani ainda estava cheio de medo, afinal de contas, como seria aquele namora à distância?

Deixou para pensar nisso depois. Faltava pouco para estarem em casa, mais uns 20 minutos no máximo. Todas as mães estavam ansiosas esperando pelas filhas que tinham passado a semana toda fora. Na verdade, as três mães estavam esperando na rodoviária já. Era muita saudade.

Na verdade, as meninas também estavam com saudades da pracinha delas, da praia delas, das garrafas divididas na pedra escondida e nas fugidas de madrugada para se verem. A semana tinha sido como uma vida inteira, mas uma vida dessas que você vive por fora. O coração ficou acelerado o tempo todo, mas agora estava voltando para casa. Até mesmo Beta, menina de cidade grande não via a hora de voltar.

A vida estava começando naquele ano. Domingo era para descansar e na segunda o tão temido e esperado terceiro ano viria cheio de surpresas, decisões, amadurecimentos e tudo mais que elas esperavam e não esperavam.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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