O Amor, Simplesmente – Cap 71

O sol já raiava alto quando os dois corpos entrelaçados na cama se movimentaram. Dani e Di acordaram ao mesmo tempo, como se não bastasse toda a sintonia que os corpos se mostravam.

Beta e Tati ainda estavam na cama também. Elas já tinham acordado a algum tempo, mas estavam ocupadas namorando e curtindo a última manhã juntas. Elas iriam embora em algumas horas e precisavam aproveitar o que lhes restavam de tempo. Dani, para dizer a verdade, estava fazendo a mesma coisa, mesmo que as outras duas não soubessem.

Eram beijos pra lá, carinhos pra cá, respirações profundas e ofegantes e tudo mais que tinham direito. Beta e Tati, finalmente, decidiram levantar quando a fome falou mais alto. Colocaram uma roupa qualquer e na hora que passaram na porta de Dani gritaram para ela acordar dizendo que estavam aguardando ela para o café da manhã. A falta de resposta deixou o casal curioso e elas esperaram algum sinal de vida vindo lá de dentro. Estavam quase invadindo quando Dani respondeu em meio a risadas.

– Já estou indo. Põe um prato a mais.

Beta e Tati se entreolharam e chegaram mais perto da porta a ponto de ouvir as risadas e os movimentos lá dentro. Não precisava pensar muito para entender o assunto. Beta então sorriu aliviada, puxou Tati para perto, a presenteou com um beijo nos lábios e correram para a cozinha. Tati estava curiosa:

– Que horas que a Di chegou?
– A hora eu não sei, mas a Di é meio maluca e não costuma pensar muito antes de agir então ela teve vontade e veio. Simples assim.
– Sorte a dela.
– Sorte da Dani, isso sim.

As duas riram na cozinha. Tati sentada olhando Beta preparar o café para as quatro.

– Quando casarmos vai ser assim?

A pergunta fez Beta parar e se virar lentamente para encarar sua namorada.

– Você quer casar comigo?
– Só se você quiser. Você não quer?
– Eu quero. É só que você nunca falou desse jeito.

A timidez na declaração de Beta fez Tati levantar e ir até a namorada que a esperava de braços abertos encostada na pia. Tati abraçou o pescoço da amada e deixou o corpo se encaixar no dela. Os quadris foram abraçados pelo abraço de Beta.

– Porque eu não iria querer casar com você?
– Sei lá, Tita, eu sou a primeira da sua vida, você não tem curiosidades?
– Tenho. Quero muito saber porque você pensa essas besteiras!
– Não são besteiras. São fatos.
– Beta, eu já considerei casar virgem, então já to na vantagem.

A risada de Beta destoou do tom do assunto e fez Tati rir mais ainda. As duas emendaram em um beijo gostoso até que foram interrompidas pelo mais novo casal chegando na cozinha. Dani estava eufórica e animada enquanto Di se escondia atrás de seu par.

– Que romance todo é esse aqui?
– Estávamos falando do nosso casamento. – Tati respondeu enquanto olhava de rabo de olho para Beta.
– Casamento? Como assim? Ficamos tanto tempo assim no quarto?
– Mais ou menos, mas tudo bem.

Di se escondeu ainda mais e foi a vez de Beta deixar a amiga de longa data mais à vontade.

– Di, você não precisa se esconder, vocês até que são bem silenciosas.

Dani não perdeu tempo e completou:

– Diferente dessas duas aí no primeiro dia.

Agora foi a vez de Tati enfiar o rosto no pescoço da namorada morrendo de vergonha. O clima era de nuvens, parecia que eram dois casais que moravam juntos há anos e estavam em uma manhã de domingo.

A manhã era de sábado e na verdade tinha um que de despedida. O que ainda não tinha sido percebido, mas faltava pouco.

O café foi tranquilo: Dani contou como Di chegou na noite passada, se derretendo toda para sua amante. Beta e Tati ficaram babando na paixonite da amiga. Era lindo ver Dani daquela forma. Só não sabiam o que ia acontecer quando voltassem, afinal de contas, todas estariam em um ano muito importante da escola, teriam que fazer decisões e não podiam se distrair com nada ou com quase nada. Mas isso era preocupação para mais tarde. Tinham um pouquinho de tempo para aproveitar ainda.

Louças lavadas, cozinha arrumada, partiram para a sala. Recolheram o que restava de garrafa de cerveja, restos de baseado, caixas de pizza e o que mais estivesse jogado por lá. Beta deu uma varrida enquanto Tati limpava os vidros. Dani e Di arrumavam o banheiro que estava de pernas para o ar. Com tudo brilhando, foram arrumar as malas.

Beta e Tati foram para o quarto que tinha sido delas durante essa semana e começaram a arrumas as roupas. O silêncio imperava, já estavam sentindo a distância que se aproximava quando voltassem para suas casas. Ia ser difícil se acostumar a dormir longe uma da outra depois desses dias.

No quarto de Dani, Di ficava olhando enquanto a menina colocava as roupas na mala. A blusa jogada no canto do quarto estava indo pra mala quando Di interrompeu Dani e pediu para ficar com ela. Era a roupa que Dani estava no dia que ficaram na boate. Uma camiseta com uns desenhos super legais. Dani nem pensou duas vezes, deixou Di pegar sua blusa, ou melhor, levou até ela e aproveitou para dar um beijo na menina:

– Vou sentir sua falta, sabia?
– Duvido! Tá cheio de meninas aqui na cidade, me troca rapidinho.
– Você é diferente. Não é igual a elas.
– Espero que isso seja um elogio.
– Isso é um motivo.

Dani queria saber o que aquela frase significava, mas tinha um pouco de medo do que iria acontecer depois. Elas iam namorar? A distancia? Isso não dava certo nunca.

– Não vamos pensar em nada, é melhor.
– Pensar? Desde que você chegou aqui com a Beta que parei de pensar.

Di estava se declarando e Dani não sabia se queria pular de cabeça ou se queria se proteger. Preferiu não responder, apenas beijo Di com todo o calor que tinha em seu corpo.

Era hora de irem para a rodoviária. Di deixou elas na porta do taxi e seguiu com as mãos nos bolsos para casa. O trio, no carro, ia em silêncio. Cada uma com seu barulho interno.

Chegaram na rodoviária, apresentaram as passagens e foram esperar perto da onde o ônibus parava. Beta deixou as duas sentadas enquanto ia comprar uma água, estava de ressaca eterna depois dessa semana. O silêncio ainda imperava entre elas, cortado apenas por uma piada ou outra que Dani fazia, como sempre. Foi só Beta sair que Tati resolveu conversar com a amiga. Sentia que era necessário.

– Amiga, fecha o olho e se joga. Você até pode cair, mas antes você vai voar.

Elas tinham uma conexão absurda e nada mudaria isso.

Dani entendeu o recado, pegou o celular e digitou uma mensagem para Di: “eu ser diferente é motivo para que?”

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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