O Amor, Simplesmente – Cap 58

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Estava pronta para uma pequena guerra que iria enfrentar agora. Mas estava feliz ao ver que Beta e Tati estavam bem e felizes. Tati e Beta pareciam não acreditar no que estava acontecendo. D. Ana parecia estar aceitando o namoro delas, aos poucos, mas aceitando. A louca da D. Carmela tinha perdido sua última aliada já que todas as outras senhoras da igreja a deixaram falando sozinha quando o assunto era o namoro das duas meninas.

Mais tarde naquele dia, Beta saiu da casa de Tati de cabeça erguida. Com seu skate debaixo dos pés foi para casa contar o que tinha acontecido para a mãe. No final das contas, deram boas risadas com o fora que D. Ana deu em Carmela. Se abraçaram e mais uma vez, Beta agradeceu imensamente a mãe que tinha. A ela mesma e a Deus.

Durante a noite, Tati e Beta ligaram para Dani, fizeram uma pequena conferencia no telefone, assim as três poderiam falar ao mesmo tempo. Beta ainda derramou algumas lágrimas ao começar contanto a história de Carmela e sua mãe no supermercado de manhã. Depois Tati continuou falando de como resgatou Beta na praia – sem mencionar o real motivo pelo qual Beta veio para uma cidade pequena – e como as coisas aconteceram durante a tarde.

A conversa foi longe. E o relógio também. Deviam ser umas 5 horas da manhã quando as três desligaram o telefone com um plano na cabeça para mostrar ao mundo como o amor delas, e principalmente de Beta e Tati, era o mais forte do mundo. Definitivamente, marcariam seus nomes na historia daquela pequena e pacata cidade.

D. Ana estava na cozinha quando a filha chegou pedindo a mãe para que fossem juntas à missa de domingo. A mãe de Tati não estava acostumada com o comportamento tão católico da filha e preferiu não discutir, aceitou o convite e confirmou presença. Era mais garantida do que o próprio padre naquele domingo.

Beta por sua vez, surpreendeu sua mão ao pedir que fossem à igreja. Disse que precisava de energia e que não custava nada irem juntas. Sua mãe não gostou nem um pouco, até porque na mesma hora lembrou que D. Carmela era presença garantida na igreja aos domingos (e todos os outros dias). Mas gostou do pedido da filha e achou que realmente estava na hora delas terem um vínculo maior com a religião, e porque não tentar agora?

Dani não ia ficar de fora dessa e convenceu sua mãe a marcar presença na missa de domingo. Realmente, teríamos muitas pessoas novas e presenças ilustres. As mães não sabiam de nada, mas as três queriam mostrar ao mundo como o amor pode superar todas as barreiras.

O padre Bento era morador da pequena cidade desde sempre. Conhecia tudo e a todos. Todo domingo corria na praia bem cedo, tomava seu banho e iniciava os rituais para celebrar a missa. A cidade o adorava. Era novo. Já tinha visto coisas pelo mundo e acreditava no poder do amor de Deus. Mas acreditava que o amor curava e se fosse puro, bonito e sincero, nada poderia ser mais forte.

Bento sabia do caso de Tati e Beta. D. Carmela já tinha vindo falar e além do mais as notícias correm, depois do que Tati falou no lual, não demorou a virem falar pro padre do sermão de amor que todos presenciaram. Em silêncio, Bento aprovou a atitude da menina. “Tão nova mas tão madura” ele logo pensou. Gostava de ver a juventude, tão mal falada pelo mundo, dar sinais do quanto acredita no amor e do quanto o mundo ainda pode ter futuro.

O padre já estava na porta da igreja, o que normalmente acontecia em cidades pequenas quando o padre recepcionava a todos que chegavam. E ele foi o primeiro a perceber o que estava acontecendo por ali. As três estavam chegando com suas mães, que já estavam super sem graça de se encontrarem ali, daquele jeito. Mas respeitaram os costumes sociais, se cumprimentaram e seguiram em frente.

Bento sabia que aquilo iria mudar o rumo da missa e já começou a se preparar. Conduziria de forma diferente hoje.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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