O Amor, Simplesmente – Cap 57

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D. Ana levantou e foi atender a porta. Era D. Carmela em uma visita de surpresa a casa de D. Ana. Tati e Beta ouviram a voz da senhora da sala e se entreolharam. Beta na mesma hora levantou e começou a chorar silenciosamente. Tati, sem pensar em nada, levantou, abraçou a namorada e começou a chorar junto com ela. Podia imaginar a dor que a atormentava.

Dava para ouvir a conversa que acontecia na porta. D. Carmela pediu para entrar e D. Ana, como era amiga, deixou. As duas senhoras chegaram na porta da sala e viram Tati sentada no sofá com os olhos vermelhos e Beta na outra ponta enxugando suas lágrimas o mais rápido que podia.

D. Ana se assustou com o que viu e imaginou logo que as duas tinham brigado, mas não fazia muito sentido já que há poucos segundos atrás estavam as três conversando ali mesmo naquela sala. D. Carmela corria os olhos de Tati para Beta e vice versa sem parar. Parecia que estava gostando de ver a tristeza no rosto das meninas e foi a primeira a quebrar o silêncio.

– Parece que o diabo já entrou em sua casa, Ana.

D. Ana que não sabia de muita coisa levou um susto com o comentário de Carmela, mas entendeu o que ela estava dizendo.

– Não estou entendendo Carmela. Você está dizendo que o diabo está em minha casa? Porque diz isso?
– Ora Ana, não se faça de boba. Certas pessoas deviam ser proibidas de conviver com pessoas de Deus, como nós.
– A senhora está se referindo a minha filha, Carmela?
– Não Ana, Deus me livre. Sua filha é um anjo, está apenas sob influencia do capeta.

Tati na mesma hora levantou e foi para cima de D. Carmela. Nem ela sabia o que ia fazer quando chegasse perto, mas não ia deixar aquela velha maluca falar mal de sua namorada na frente dela, ainda mais daquele jeito. Beta só fazia chorar no canto do sofá. Queria ir embora, mas não tinha forças para sair do lugar. Antes de chegar até a velha maluca, Tati foi impedida por sua mãe, que colocou o braço na frente e com o olhar fez ela parar. E aí, foi a vez de D. Ana falar.

– Carmela, se você entrou na minha casa para insultar qualquer pessoa aqui dentro, peço que se retire.
– Mas Ana, a cidade toda já está comentando…
– Carmela, o que a cidade comenta não me interessa. Apenas o que acontece aqui dentro da minha casa me interessa. E o que vejo é que uma senhora abusada e desrespeitosa está magoando a minha filha e a amiga dela.
– Ora Ana, não fale assim comigo. Me respeite.
– Eu respeito, quem me respeita. E você não teve o mínimo de respeito por mim falando dessa maneira de pessoas que recebo na minha casa.
– Se você acha isso, fique com os seus pecados.
– E a senhora acha que magoar pessoas e compara-las ao diabo sem justificativa não é pecar? D. Carmela, peço que a senhora se retire da minha casa.
– Ana, que absurdo é esse? Está me expulsando?
– Estou sim. E já que a senhora disse que a cidade está comentando, vá contar para a cidade toda que o que acontece com a minha família só diz respeito a mim e a minha família. A mais ninguém.

E assim sendo, D. Ana se encaminhou para a porta, abrindo-a para que D. Carmela passasse em silencio. E antes que a velha rabugenta pudesse responder algo, D. Ana bateu a porta na cara dela.

Tati estava sentada ao lado de Beta, abraçando-a bem próximo enquanto Beta chorava tudo que podia e não podia. D. Ana estava tão nervosa que foi até a cozinha e serviu um gole de whisky do marido e bebeu. Ela fazia isso em situações extremas.

Quando a mãe de Tati voltou para a sala viu sua filha abraçando Beta pelos ombros enquanto a menina chorava. Dessa vez não foi ruim de ver a cena, foi até bom ver o carinho entre as duas meninas. D. Ana se aproximou das duas, sentou ao lado de Beta, pegou a mão da menina e falou.

– Não fique assim. A Carmela é uma velha maluca e rabugenta. Não chore.

Beta em uma atitude impensada saiu dos braços de Tati e abraçou D. Ana no pescoço. Recuperado o susto a mãe de Tati retribuiu o abraço com muito carinho. As coisas estavam prestes a mudar.

Depois que as três se acalmaram D. Ana queria saber como Carmela ficou sabendo delas duas. E aí foi a vez de Tati contar tudo que tinha acontecido no lual da escola. D. Ana não gostou muito de saber do ataque de moral da filha, mas entendeu e respeitou. Estava pronta para uma pequena guerra que iria enfrentar agora. Mas estava feliz ao ver que Beta e Tati estavam bem e felizes.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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