O Amor, Simplesmente – Cap 56

Na verdade a mãe de Tati tinha desistido de sair, mas isso não seria ruim no fim das contas. E elas iam descobrir já já. E assim foram, caminhando devagar até chegarem na casa de Tati. Sem nem pensar a dona da casa abriu a porta colocando a namorada pra dentro enquanto ouvia ela forçar uma risada por causa de uma besteira qualquer que estavam falando.

Beta estava visivelmente triste e com aquela cara de choro que não engana ninguém. E rapidamente a cara dela se transformou em susto e em choque quando viu D. Ana vindo da cozinha para saber quem tinha chegado.

– Desculpe D. Ana. Tati me disse que a senhora tinha saído. Eu vou voltar mais tarde.

Beta estava tão sem graça que até atropelou a namorada no caminho para a porta. Mas antes mesmo de tocar a maçaneta D. Ana interrompeu.

– Pode ficar Beta. Vocês já almoçaram? Posso prepara algo para comerem.

Até Tati achou a atitude da mãe estranha. Sabia que D. Ana ainda não estava muito acostumada a toda aquela situação. Antes de interferir na oferta olhou para os olhos de sua mãe e viu uma leveza e uma sinceridade que há muito tempo não encontrava. Por incrível que pareça, D. Ana estava realmente tentando.

– Fica Beta, a gente come algo e vê um filme na sala. Pode ser, mãe?

Tati estava lidando com a situação com muito cuidado. Não queria estragar tudo.

– Lógico que pode meninas.
– Tudo bem então. Posso só ligar pra minha mãe antes? Meu celular acabou a bateria.

D. Ana pegou o aparelho sem fio e entregou para Beta que sorriu o máximo que pode. Seu rosto ainda estava dolorido de tanto chorar. Ela e Tati foram para a sala e ligaram a tv enquanto D. Ana estava na cozinha preparando algo.

– Sua mãe me tratou tão bem. Fiquei até assustada.
– Por incrível que pareça, eu também.

As duas evitaram falar de mães e problemas e ficaram procurando algum programa bom para assistirem. Falaram de banalidades e da preparação para o último ano na escola.

Tati estava deitada no sofá enquanto Beta estava sentada no chão. Tati estava fazendo cafuné na namorada quando D. Ana entrou na sala sem que elas percebessem. Antes de anunciar o cardápio que tinha preparado, engoliu em seco ao ver a mão de sua filha enrolada no cabelo de Beta. Ainda era um pouco estranho.

– Como vocês estão de férias, fiz batatas fritas e nuggets com ketchup, mostarda e maionese. Gostaram?

As duas abriram um imenso sorriso. Era o melhor cardápio para melhorar o humor de qualquer um. D. Ana apoiou a bandeja na mesa e se juntou as duas para comer.

– Obrigada mãe, está uma delícia!

Tati estava tentando que o ambiente continuasse leve.

– Avisou a sua mãe, Beta?
– Avisei sim D. Ana. Mais tarde vou pra casa.
– Pode ficar o tempo que quiser. Fique a vontade.

Pois é, estava cada vez mais estranho aquela atitude de D. Ana. Ela até começou a conversar com as meninas.

– Você já sabe o que quer fazer Beta? Para o vestibular?
– Não tenho muita certeza. Mas gosto muito de escrever, vou tentar buscar alguma coisa nessa área.
– Porque não tenta jornalismo? Acho uma profissão muito bonita.
– É a minha primeira opção e provavelmente a que vou escolher.
– Faz bem!

O assunto morria rapidamente, elas ainda não tinham a intimidade necessária para ficarem batendo papo por muito tempo. Mas Tati estava radiante com aquele início de aproximação. Foi quando a campainha tocou. D. Ana levantou e foi atender a porta. Era D. Carmela em uma visita de surpresa a casa de D. Ana.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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