O Amor, Simplesmente – Cap 54

E com um beijo delicado selaram aquela nova fase que estava começando na vida delas. Tiraram a roupa e foram se juntar ao grupo que as esperava na água. Era o nosso trio favorito, espalhando o amor e mais uma vez abençoando com a água do mar. Era a vida mostrando novos rumos a elas.

O luau ficaria para a história delas e do colégio. Elas sabiam que agora tudo seria diferente. Todo mundo sabia do namoro delas, e em cidade pequena se tem de tudo. Desde pessoas que respeitam até algumas outras preconceituosas que vieram ao mundo estragar a felicidade alheia. E assim era D. Carmela.

Carmela foi criada na igreja desde criança. Viúva, tinha uma filha que morava na cidade grande , justamente por não aguentar as loucuras de sua mãe. Carmela era conhecida na cidade por frequentar mais a igreja do que a própria casa e além disso falar e fofocar sobre a vida de todos, isso mesmo, todos, os moradores da cidade. Dona Carmela morava sozinha com seus gatos. Bem típico de velha chata né?

Bom, o que ela tem a ver com nosso trio preferido? A notícia do barraco do luau rapidamente se espalhou pela cidade toda. Dani, Tati e Beta ficaram na boca do povo, bem como D. Carmela gosta. Era o momento perfeito para ela colocar suas garras de fora e mostrar toda a maldade que havia em sua língua. E a primeira vítima seria a mãe de Beta. Logo ela, tão quieta.

Era uma quarta feira de manhã quando D. Carmela foi ao pequeno hortifruti que tinha na cidade comprar algumas coisinhas para o almoço. Estava vazio, apenas algumas senhoras, os funcionários e a coitada da mãe da Beta.

– Ouvi dizer que temos maus elementos no colégio da cidade.

D. Carmela fingiu estar conversando com outras senhoras para anunciar a notícia como se fosse a última novidade. A mãe de Beta sabia do que ela estava falando. Mas ignorou e achou melhor continuar suas compras sem se manifestar. D. Carmela não pararia tão cedo.

– O que eu não entendo é como essas pessoas ainda podem frequentar o colégio. Possuídas pelo demo. Corrompem as outras meninas.

D. Carmela seguia a mãe de Beta enquanto bradava seus xingamentos e ofensas. A mãe de Beta, que já tinha um lugar reservado nos céus, achou melhor não responder e simplesmente deixou que ela falasse. Fingiu não prestar atenção, apesar daquilo tudo a magoar de forma que as lágrimas quase caíam.

– Sabe qual o problema? Educação! Essas pessoas não tem família, não tem Deus em suas vidas e ficam por aí espalhando tudo que há de ruim. Elas deveriam viver longe daqui. Nas ruas. Ganhando dinheiro com os corpos. Pois são assim que elas são. As meninas e as mães.

Bom, aí já era demais. A mãe de Beta soltou o carrinho, virou em direção a D. Carmela e teve vontade de soltar o braço em cima dela, mas achou melhor a atingir de outra maneira.

– Isso tudo é inveja D. Carmela? Porque eu tenho uma filha que me ama e quer ficar ao meu lado? Porque pelo que sei a sua foi embora por não aguentar a sua chatice e sua velhice. Hoje entendo melhor ela. E cuidado, porque todo mundo aqui tem teto de vidro, a pedra atirada, pode voltar para a senhora e quebrar o seu teto. E, para constar, a minha filha é uma menina maravilhosa, muito melhor do que muitas outras por aí. E se a senhora ficar falando dela por aí, a processo por calúnia e difamação. Passar bem.

E assim, D. Carmela foi calada por uma mulher de fibra e força que defendeu como uma leoa a honra de sua filha. As outras senhoras no local pareceram gostar da situação que Carmela ficou, pois podíamos ver os risos e olhares quando elas se afastaram deixando a senhora ranzinza parada no meio do corredor enquanto absorvia as palavras.

Beta tinha saído cedo para andar de skate na orla da praia e já estava em casa quando viu sua mãe estacionando o carro e saindo aos prontos para dentro de casa. Nenhuma palavra foi dita de imediato, apenas um abraço sincero e apertado entre mãe e filha aconteceu. A história toda, ficaria para mais tarde.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem um comentário

  1. "Q bom que sua mãe li defendeu" ao contraria the minha que mim mando pra outra cidade, agora to eu aqui em uma cidade que não conheço longe de minha namorada e dos meus amigos.

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