O Amor, Simplesmente – Cap 50

A resposta possivel foi um balanço de cabeca de Tati.

– Conversa comigo filha! O que houve?
– Você não vai entender mãe!
– Porque você não experimenta?

E pareceu uma boa ideia a Tati, que respirou fundo e escolheu as palavras com calma. Não sabia como sua mãe iria reagir a muitas verdades, preferiu então jogar limpo.

– Mãe, você está pronta para ouvir?
– Não sei filha, mas pode ser que sim!
– Bom, vamos lá então, se quiser que eu pare, me avise!

Tati respirou, ficou com medo da reação da sua mãe a respeito do “beijo” de Beta e Dani, mas não tinha mais ninguém para conversar, resolveu arriscar de vez.

– Bom, resumindo a historia: naqueles dias que você não me deixou ir para a cidade com as meninas, elas foram a uma festa e acabaram se beijando no final da festa.

D. Ana se mexeu no banco, respirou bem fundo. Estava visivelmente incomodada a ponto de suas mãos começarem a suar. Tati percebeu e decidiu desistir.

– Mãe, não quero falar disso com a senhora, é complicado!
– Filha, por favor! Me dê a chance de me reaproximar de você!

Aquela frase pegou Tati desprevenida. D. Ana estava realmente querendo voltar as boas com Tati e no melhor estilo “mãe compreensiva”

– Tudo bem. Bom, elas se beijaram, e quando chegaram aqui vieram correndo me contar! Eu sei que elas se arrependeram, conheço as duas! Sei que não significou nada pra elas também! Mas toda vez que as vejo juntas, rindo e tudo mais sempre imagino o pior, sempre imagino que estão me apunhalando pelas costas! Eu não sei como parar de pensar nisso e também não sei viver sem elas.

A última frase saiu engasgada já com sinais do choro que estava por vir. D. Ana então se aproximou da filha, passou o braço pelo seu ombro e a puxou para perto. Tati estava achando tudo muito estranho, até porque, D. Ana não era do tipo melhor amiga. Mas resolveu curtir a nova fase da mãe!

– Filha, você acha mesmo que no meu casamento com seu pai, nunca existiram problemas? Nunca existiram outras pessoas envolvidas?
– Como assim mãe? Meu pai te traiu?
– Não filha! Mas eu já o traí!

Tati estava horrorizada! D. Ana riu ao ver o desespero no rosto da filha.

– Não é bem assim Tati! Quando amamos, de verdade, as vezes fazemos besteiras no meio do caminho. Vou te contar. Estava casada com seu pai, fazia 1 ano! Ele trabalhava demais e eu estava sempre em casa! Era nova ainda, bonita, tinha sonhos e vontades enormes! Foi quando decidi fazer aula de culinária com uma amiga. Nessa turma tinha um rapaz bonito, o Joaquim. Solteiro e rico! Adorava cozinhar! Em um belo dia, depois da aula ele me chamou para jantar e como seu pai sempre chegava tarde, aceitei! Fomos a um restaurante chique que tinha aqui perto, comemos bem, rimos bastante e lá no final da garrafa de vinho eu já estava um pouco tonta quando na porta do carro ele me deu um beijo. Não sei se foi o alcool ou a criança que ainda havia dentro de mim. Mas retribuí o beijo. Foi o minuto mais longo da minha vida! Pedi para ele me levar de volta e nunca mais apareci, nem nas aulas nem para o Joaquim!
– Você contou para o papai?
– Contei! Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa depois do jantar! Aos prantos expliquei a historia toda, pedi milhões de desculpas e disse que o amava muito!
– E ele? Ficou muito irritado?
– Seu pai é um homem maravilhoso! Ele simplesmente me abraçou e me pediu que se eu ainda o amasse da mesma maneira que antes, que esquecesse isso, porque não seria um charlatão qualquer que iria tirar a mulher da vida dele, de perto!
– E foi isso? Nada mais?
– No início ele tinha ciúmes, ficava desconfiado de qualquer saída minha, mas depois acabou passando! Deixei claro para ele o quanto o amava!
– E o que eu faço então?
– Filha, por mais que eu não concorde muito, vejo o quanto você gosta da Beta, e mais ainda, o quanto ela gosta de você! Será que elas não merecem uma segunda chance? Afinal de contas, já disseram que o que aconteceu não foi nada né?
– Mas e o ciúmes? E essa insegurança toda?
– Faz o seguinte, sempre que sentir isso, respire antes de falar qualquer coisa. Feche os olhos e imagine os bons momentos de vocês e se esforçe para lembrar das coisas boas, dos motivos que fizeram você ficar! Com o tempo, o ciúmes e a insegurança, vão amenizar!
– Mãe, você ainda me ama né?
– Mais do que tudo nesse mundo tudo! Você é a razão da minha vida.

Um abraço, algumas lágrimas e um beijo na testa selaram aquele momento que mãe e filha estavam precisando. D. Ana ainda não aceitava completamente nem achava normal o relacionamento de Tati com Beta, mas vendo que nada mudaria, decidiu manter a filha ao seu lado.

O abraço foi interrompido por Tati que de longe viu Beta e Dani se aproximando lentamente, como se pedissem licenca em silencio para chegar e conversar. D. Ana viu, deu um beijo na testa da filha e se levantou.

– Vou deixar vocês conversarem e ajudar seu pai na barraca! Juízo as três, hein!

D. Ana se afastou sem olhar para trás enquanto Tati se arrumava no banco, Dani sentava ao lado dela e Beta no chão, de frente para a namorada. Era a hora de uma conversa entre as três.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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