O Amor, simplesmente – Cap 111

O trânsito começou a complicar conforme se aproximavam da cidade. Foi a hora que Tati acordou a tempo de ouvir alguma besteira que Estella falou e todas riram. No som, a playlist de Beta, a preferida do trio, tocava e fazia com que as quatro gritassem versos e batucassem na perna trechos conhecidos.

– Bom dia, minha criança – Beta falou enquanto jogava Tati no banco do carro deitando em cima dela

As duas começaram a se beijar e sorrir enquanto no banco da frente, Dani deixava a mão escorregar para o meio da perna de Estella, que levou um susto e quase freiou demais o carro. A professora já ia falar algo quando olhou e viu sua menina com a cara de quem sabia o que estava fazendo. Estella então viu pelo retrovisor o que trava acontecendo no banco de trás e deixou que sua menina a provocasse. Uma aventura não poderia machucar, não é mesmo? Além do mais, era o objetivo daquela viagem. Dani sentiu o ar de permissão e continuou a apertar, beliscar e massagear a namorada. Estella não esperava gostar tanto.

– Só não manchem o banco, tá? – Dani falou enquanto Beta e Tati ainda se agarravam no banco de trás.
– Nem deu tempo de tirar a roupa ainda! – Tati falou enquanto fingia tirar a blusa
– Para com isso, amor! Pornô de graça para essas duas não! – Beta falou enquanto puxava uma gargalhada geral.

Estella não falou mais nada, apenas ria das piadas e respondia quando era requisitada. Ela não estava acostumada com tamanha intimidade sitonia e por um momento se sentiu completamente de fora. Era como se ela fosse apenas a motorista do trio em uma viagem de aventuras. Finalmente chegaram. Estavam na rua principal. Aos domingos ela ficava fechada para os pedestres aproveitarem os restaurantes e lojas que ali estavam. Era um ponto de encontro de todos. Em uma ponta dela estava a praia e na outra ponta, o principal shopping da cidade.

– Estou com fome! – Tati reclamou assim que terminaram de sair do carro
– Vocês querem ir andar e eu levo a faminta aqui para comer? – Beta ofereceu

Estella já ia aceitar a proposta, mas Dani falou mais rápido do que ela.

– Vamos no de sempre! Hora de papar!

E com esta frase e puxando a mão de Tati, seguiram pela rua movimentada. Beta ficou e esperou Estella para acompanha-la.

– Com o tempo você se acostuma. – Beta falou olhando e rindo para a professora
– Com o que?
– Com esta sintonia delas. Eu também morria de ciúmes, mas aí eu preferi construir a minha própria com elas.

Estella ficou um tempo calada. Era engraçado como uma menina tão nova como Beta tinha uma percepção do ser humano tão grande.

– Como você foi parar naquela cidade? – Estella perguntou para Beta
– A história que contamos é que meu pai foi transferido, mas a verdade é que ele pediu transferência quando eu comecei a sofrer algumas ameaças no condomínio que morávamos.
– Ameaças? Como assim?
– Descobriram que eu sou gay e aí começaram a arranhar os carros, me xingar e por aí vai…
– Meu Deus! Que horror!
– Pois é…e aí quando nos mudamos até tentei ficar longe de mulheres, mas me apaixonei pela Tati…
– Mas a cidade parece ser tranquila em relação a vocês…
– Agora, professora!
– Ah não! Professora não! – Estella riu enquanto impedia Beta de chamá-la assim.
– Desculpa, Estella.
– Mas o que você quer dizer com agora? Não era antes?
– A sua aluna particular, a Fernandinha, ela infernizou bastante nossa vida!
– Jura? Mas ela parece tão….
– Tão fofa e simpática, né? Pois é! Ela contou para a D. Carmela, uma senhora maluca lá da cidade que infernizou nossas vidas e nossas famílias.
– E aí? Como isso acabou?
– Nós enfrentamos. Continuamos juntas e batemos de frente.
– Simples assim?
– Não foi simples, mas nós estávamos juntas e era isso que contava.
– Uau.

Estella estava surpresa com a história que Beta acabara de contar pra ela. Não sabia que elas já tinham passado por tudo isso e mesmo assim continuavam tão felizes e certas do que queriam. Era inspirador ver e participar daquela alegria toda. Os ciúmes até passaram.

– Posso participar da conversa? – Estella falou enquanto jogava os braços pelo ombro de Dani e se juntava ao trio
– Decidindo o que vamos comer. Tati está faminta. – Dani respondeu enquanto puxava a namorada para mais perto e lhe dava um beijo no rosto.
– Tô mesmo! Vamos logo!

E então as quatro seguiram em frente em direção ao restaurante que já conheciam. Estella ganhou um pouco mais de atenção de Dani e Beta roubou Tati um pouco para ela. Parece que o domingo estava seguindo como planejado. Mas uma coisa ainda não estava certa. Dani queria contar para Estella o beijo que ela e Tati tinham trocado na noite passada. Mesmo que não significasse nada, ela não achava justo esconder da namorada. Só não sabia como contar.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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