O Amor, Simplesmente – Cap 108

O Amor, Simplesmente – Cap 108

A praia as recebia de braços abertos. Depois do sol se pôr, algumas almas perdias gostavam de perambular por ali, por isso as três demoravam tanto para retornar. Encontraram o canto de sempre como mais gostavam: vazio e praticamente escuro. A única mochila que levavam com um apanhado de coisas das três era o resumo do que a noite a prometia: canga, vodka, maconha e isqueiro. Ah sim, e lá no fundo tinham um biscoito perdido.

– Qual vai ser a pauta de conversa da noite? – Tati falou assim que esticaram as cangas e sentaram.
– Sexo? Quem não gosta, não é mesmo? – Dani deu a idéia
– Apoiado! – Beta se pronunciou enquanto colocava a garrafa de vodka no centro delas.
– Eu começo: desafio qualquer mulher a ter um oral melhor que o da Estella.

A brincadeira era simples: uma delas falava algo, as outras contestavam. Se o argumento fosse aceito as outras bebiam, se não fosse, a pessoa que falou, bebia. No final das contas, todo mundo bebia, mas a brincadeira sempre rendia boas risadas e era ótimo para falarem os assuntos mais polêmicos.

– Duvido que o oral da Estella seja melhor do que o da Beta – Tati falou enquanto batia na areia sujando as outras duas.
– Todas as noites eu tenho orgasmos com o oral dela
– Já tiver orgasmos múltiplos só com oral da Beta

Dani ficou calada então, abriu a garrada e bebeu. Tati e Beta comemoraram a vitória se beijando e se jogando na areia. Dani ascendeu o primeiro cigarro, puxou e entregou para as outras duas que já continuavam deitadas olhando para as estrelas.

– Vocês me fazem feliz pra caralho – Beta falou logo depois de assoprar a fumaça do cigarro
– E você apareceu para completar a nossa felicidade – Dani comentou enquanto Tati apenas sorria olhando para a namorada
– Um brinde a isso – Tati falou depois das declarações

Dani então pegou o cigarro mais uma vez, deu um trago daqueles e complementou com um enorme gole de vodka. Beta pegou o cigarro puxou tudo que o ar a permitia e entregou aTati que fez o mesmo. O efeito já era visível e foi quando Dani levantou, abriu as pernas e sentou em cima de Beta, que continuava deitada. Tati olhou aquela cena e pouco se mexeu. Ela tinha superado aquela historia de ciúmes.

– Um brinde! – Dani então esperou Beta abrir a boca e virou um gole de vodka em sua boca.

Dani então levantou e foi em direção a Tati para fazer o mesmo.

– Bora, amiga. Um brinde. – E então Tati também abriu a boca e ganhou um gole vindo direto da garrafa.

Dani não saiu da posição e continuou sentada na cintura de Tati, que sem perceber, começou a se mexer em um, quase imperceptível, movimento de vai e vem. A vodka e a maconha deixavam os corpos leves demais e tendenciosos demais. Beta não deixou aquela cena passar despercebida.

– Vocês estão mexendo com a minha imaginação desse jeito

Só então as duas amigas perceberam a forma como os corpos se encaixavam. Seria mentira se negassem que se excitaram ao perceberem o que estavam fazendo, até então, sem querer.

– E agora? – Dani então virou a garrafa de vodka mais uma vez na boca de Tati e enquanto o líquido transparente caía, ela se aproximou da amiga, deitando em cima dela.
– Parem com isso que eu não to ficando bem, não – Beta respondeu enquanto virava de lado e se apoiava no cotovelo para assistir a cena.
– Está gostando, é, amor? – Tati falou depois que terminou de engolir a vodka de Dani
– Estou adorando.

Dani então pegou o cigarro da mão de Beta, deu mais um trago e colocou na boca de Tati enquanto se aproximava ainda mais. Agora elas estavam a pouquíssimos centímetros da boca de Tati. O coração das três começou a bater muito mais rápido. Era estranha aquelas novas sensações da noite. As três estavam gostando e muito daquele tesão compartilhado.

– Beta, posso beijar sua namorada? – Dani perguntou rindo ficando bem próxima de Tati.

A pergunta tinha um tom de brincadeira, mas nenhuma delas estava em plena consciência para distinguir a tênue linha entre o que poderia ser levado a sério ou não.

– Pergunta a ela. – Beta respondeu enquanto mordia o lábio inferior imaginando o que viria a seguir.

Tati estava rindo a toa. Não sabia o que aquilo tudo significava, mas não podia negar que estava gostando de sentir a amiga sentada em sua cintura, se movimentando conforme falava. Ela estava excitada demais para pensar nas consequências.

– Posso te beijar, amiga? – Dani falou se virando para Tati. A distância, ou a falta dela, chegava a incomodar.

Tati então olhou meio que de lado para Beta e viu a namorada com a cara de tesão que ela sempre fazia quando Tati tirava a roupa. Aquela forma só dela de morder o lábio inferior e lamber o superior. Aquele olhar de fome de Beta a deixou ainda mais excitada e sem pensar muito, Tati virou pra frente e deu de cara com o sorriso sacana de Dani. Não disse mais nada, apenas se deixou levar e encontrou os lábios da amiga. Não demorou para as línguas se encontrarem também. Em um tempo, que não era possível medir, Beta chegou mais perto e começou a beijar o pescoço da namorada. O que aconteceria dali pra frente era um mistério mas que elas estavam prestes a descobrir.

Mari Veiga

Autora, escritora, um pouco louca e uma mente hiperativa que acha que pode mudar o mundo com suas palavras.

Comente! ;)