Meninas são filmadas enquanto são felizes

Adolescencia. Fase que todas nós já passamos e que, diria eu, é uma das mais difíceis da vida. Aquele momento que você ainda não sabe se é criança, mulher ou nenhum dos dois. Aquela época que você quer seguir o que as amigas falam mas também precisa ser independente com as suas decisões. Fase de experimentos, testes e descobertas. Fase de julgamentos e pré-conceitos.

Quando eu estava nesta fase lembro que meu objetivo número um era encontrar um menino bonitinho para beijar na boca. Mal sabia eu que as bocas femininas eram tão melhores. Eu tinha uma amiga na época que o objetivo dela era se tornar jogadora de tênis profissional. E tinha também uma que queria estudar muito para passar para uma faculdade federal, tinha até uma que o sonho dela era ser modelo. Não importa o que você quer, é nesta fase que tudo parece acontecer.

Um víde postado no Facebook em 23 de novembro mostra algumas meninas se beijando no banheiro de um tradicional colégio do Rio. O post que o acompanha alerta para tal “comportamento” e manda os pais se atentarem ao que acontece com suas filhas. E isso me faz imaginar o seguinte: será que se no vídeo tivéssemos um menino e uma menina descobrindo os prazeres do primeiro beijo o comentário seria o mesmo? Será que todos aqueles que comentaram denegrindo e julgando aquelas meninas o fariam se no vídeo tivesse um menino tentando beijar a força uma menina, por mais que fosse de forma “delicada”? Aposto que o teor seria algo do tipo: “olha que fofo, um casal descobrindo o amor” ou “olha que lindo ele insistindo, boba ela que recusa”. Até quando vamos nos permitir vive com este machismo, com esta falsa pureza enrustida em nós? Até quando vamos viver sob os moldes de uma sociedade onde beijo na boca pode ser crime?

Eu nem acho que aquelas meninas sejam homossexuais, ou talvez sejam, o que importa é que elas tiveram uma vontade, realizaram e assim vão descobrindo a vida. Desapegando de estereótipos e moldes impostos. Pode ser que com elas, surja uma sociedade um pouco mais livre e de cabeça aberta.

E a todos que comentaram “alertando” os pais delas, eu diria apenas para que os pais conversassem com suas filhas sobre camisinha, drogas e cuidados. De resto, elas podem descobrir sozinhas.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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