Manifesto de uma mulher brasileira

Hoje não vim contar histórias ou fantasiar romances (apesar de gostar muito de fazer isso). Hoje vim falar da realidade, da rotina, do nosso dia a dia.

Sou mulher, tenho idade suficiente para pagar pelas minhas atitudes, tenho uma família linda, trabalho, tenho algumas tatuagens no meu corpo, tenho meu emprego, carteira de motorista, passaporte e carteira de motorista. Sou pós graduada e futura professora. Sou uma pessoa aparentemente, normal. Exceto por um detalhe. Nasci gay.

Minha família sabe, me aceita e me ama. Meus amigos também sabem, meus colegas de trabalho também. Todos me respeitam, me aceitam e entendem que eu não estou “fazendo putaria” por aí. Apenas estou seguindo o meu coração, já que foi assim que nasci. Até aqui, tudo certo, não é? Não!

Sempre disse que as pessoas não deveriam bater de frente com o mundo para que eles pensem da mesma forma que você e continuo pensando assim. Porém tem uma parte desse mundo a qual você deve bater de frente, sim! É o Estado.
Aqui no Brasil, vivemos em uma democracia laica, ou seja, a religião não determina leis, direitos ou deveres do Estado. Nós sabemos que não é bem assim que as coisas são na prática. Eu, particularmente, não vejo problema em líderes religiosos participarem do governo, afinal são seres humanos também, mas vejo problema nas crenças deles interferirem nos meus direitos!

Eu não quero que o papa abençoe o meu casamento, nem que o pastor guarde meu espaço no céu junto do da minha esposa, não quero nada disso, até porque se quisesse, iria na igreja ou no culto reclamar! O que eu quero aqui são os meus direitos como ser humano que sou! Como cidadã que sou.

Vamos fazer uma pequena reflexão: como cidadã eu pago meus impostos, são os meus deveres. Mas como cidadã, que paga impostos, não posso casar no civil com minha esposa? Então posso alegar que não sou cidadã e parar de pagar meus impostos? E aí vão me prender pois não exerci meus deveres de cidadã, mas o Estado não assegurou meus direitos de cidadã?

Parece complexo, se não entendeu leia de novo e com calma, não é difícil! É apenas sem sentido! Sim, não faz nenhum sentido eu ter que cumprir meus deveres como cidadã e não ter meus direitos assegurados pelo Estado.

Para os Felicianos, Malafaias e Bolsonaros só quero dizer que eu não quero interferir nas suas crenças e nos Deuses que vocês acreditam. Eu só quero ter o direito de viver a minha vida sem que as suas crenças interfiram nela! E se precisar, irei lutar até o fim para que isso aconteça, porque, por mais que seja clichê, eu sou brasileira e não vou desistir nunca. E fico feliz de ver, que não estou sozinha. Porque eu tenho certeza que as minorias é que começaram as maiores revoluções.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem 2 comentários

  1. Patricia

    Palavras inteligentes!

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