Karen – Cap 1

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Eu não ouvia uma palavra do que ele falava. Só olhava para o sorriso formado na boca dela. Eu tentava me segurar, mas era mais forte do que eu. Ainda mais depois de algumas taças de vinho, eu fazia menos questão ainda de disfarçar.

Jorge e Karen já eram amigos antigos meus. O meu casal preferido, como eu fazia questão de repetir. Ela estudou comigo na faculdade, grande amiga. Casou com Jorge dois anos depois da formatura e a nossa amizade até hoje permanece intacta. Ou eu achava que sim. Há uma mês atrás Karen me chamou para irmos a um congresso sobre música no jornalismo. Esse era o bom de termos a mesma profissão e interesses, conversávamos muito. Ela sempre soube que eu era gay e em nenhum momento mudou a maneira que agia comigo por causa disso. Amava isso nela.

No tal congresso ficamos juntas em um quarto, como sempre. E em uma das noites que passamos lá, resolvemos voltar aos tempos de faculdade, compramos três garrafas de vinho e fomos para o quarto fumar e beber. Terminando a noite já, ambas bêbadas relembrando eventos de adolescência Karen caiu dormindo no meu colo. Ela nem percebeu que apagou, mas eu não pude deixar de reparar em como os cabelos embaraçados dela caíam pela minha perna. A maneira pela qual a boca dela se entreabria para respirar e em como a mão que segurava a taça de vinho agora sem nada caía jogada pelo meu pé em cima da cama. Como se percebesse o meu olhar analisando cada detalhe ela se mexeu e de lado se acomodou ainda mais no meu colo. Conseguia sentir a respiração quente na minha pele. O cheiro de vinho e menta do cigarro espalhados pelo quarto, eu não conseguiria dormir e ter que tirar ela daquela posição linda. Desisti de dormir.

No dia seguinte ela não lembrava de muita coisa, falei que caímos no sono e só. A verdade é que depois daquela noite não conseguia tirar aquela imagem deliciosa da minha mente, eu ficava imaginando finais diferentes para aquela noite, como ela acordar, me olhar fundo e cairmos em um beijo infinito e um sexo apaixonado. A verdade é que eu estava apaixonada pela minha amiga hétero, casada e nem um pouco gay.

O mês seguinte foi um dos mais difíceis, nos encontrávamos pelo menos umas duas vezes por semana e cada dia era mais difícil não imaginar como seria o beijo daquela mulher, como seria ter ela nua em minhas mãos, como seria ter ela nua, sorrindo pra mim enquanto eu beijava cada canto do seu corpo. Fiquei imaginando como seriam os nossos papos descontraídos em uma banheira de hidromassagem enquanto nos beijávamos, bebíamos e fumávamos. Ela não fazia idéia das coisas que eu pensava. Ela era minha amiga, melhor amiga. Até então.

E agora estava eu aqui, sentada com Karen e o marido dela, o Jorge em um bar, bebendo vinho e batendo papo. Ele contava alguma história do trabalho dele e eu só conseguia olhar para a boca dela que sorria, até o cigarro colocado gentilmente nos lábios delicados me faziam suspirar e novamente ser levada pelos pensamentos a quartos fechados, camas desarrumadas e corpos suados. Cada movimento das mãos, do corpo, das pernas por baixo da mesa me causavam reações inexplicáveis.

Me levantei, fui ao banheiro, com uma desculpa qualquer, precisava jogar uma água no rosto e afastar aqueles pensamentos que estavam me tirando do sério. E foi o que eu fiz, abri a torneira, enchi a mão de água e joguei no rosto. Quando abri os olhos novamente me deparei com Karen sorrindo atrás de mim. Ahhh, aquele sorriso, me matava, era sincero, cheio de alegria e dessa vez com um tempero a mais. Não sabia o que era, mas estava diferente, tinha um que de pimenta naquele sorriso dela.

Ela me abraçou pelas costas, olhou no espelho para nossos rostos grudados e como se analisasse meus olhos através do espelho disse “Nós fazemos um bonito casal”. Naquele momento me empurrou gentilmente para dentro de uma das cabines.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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