Grupos de torcidas criam páginas no Facebook contra a homofobia e o machismo

Essa é uma história verídica, de um torcedor que, também pelo futebol, decidiu levar uma vida dupla. Homossexual, André * se passava por heterossexual no estádio e na empresa multinacional onde trabalhava. Casou-se no cartório com Sandra*, uma mulher homossexual a quem também interessou o casamento de fachada. Os dois foram morar no mesmo prédio, mas em apartamentos diferentes. Cada um em seu andar, viviam com os “verdadeiros” companheiros. Para receber colegas de trabalho ou de futebol, no entanto, André e Sandra se juntavam em um dos apartamentos e viravam marido e mulher. Não era possível comemorar as vitórias do time sendo quem eles realmente são.

“Há muito machismo e muita homofobia no futebol e estes são temas totalmente intocados”, conta a criadora da primeira página de Facebook anti-homofobia e antissexismo no futebol brasileiro, a “Galo Queer”. Cientista social e torcedora do Atlético-MG, ela prefere se manter no anonimato. “Enquanto essas arenas de exceção continuarem existindo, arenas onde o preconceito é permitido, o preconceito e a intolerância nunca acabarão. Discutir machismo e homofobia no futebol é uma questão urgente”, diz ela, que não se identifica por medo da reação de pessoas intolerantes.

No mundo do esporte, principalmente no de futebol, uma iniciativa como essa pode atrair muita resistência. Ao fazer uma versão própria do escudo do time mineiro para a página com um fundo colorido, por exemplo, diversos torcedores se revoltaram. “Isso ficou um lixo, o que eles fizeram com a bandeira. P…. a gente não é Maria, não”, escreveu um torcedor pelo Facebook. Ainda assim, a “Galo Queer”, em 3 dias, conseguiu mais de 3 mil seguidores.

A idéia da criadora agora é conseguir o apoio do clube e levar a bandeira para dentro dos estádios. O Atlético-MG, por sua vez, diz não ter recebido nenhuma proposta e que por ora não tem planos de formar nenhuma parceria oficial, mas apoia qualquer iniciativa contra a violência. “Recentemente comecei a estudar gênero e teoria feminista e, por isso, da última vez que fui ao estádio, fui com outro olhar, e fiquei muito incomodada com a homofobia e o machismo generalizados e naturalizados por todos, mesmo por parte de pessoas que, fora do estádio, têm uma postura política de respeito à diversidade”, conta a criadora.

Na página do Atlético-MG foi postada a foto de uma menina com o cartaz “Galo Queer: Cartão vermelho para homofobia”, com o qual ela teria sido impedida de entrar no estádio. Segundo ela, um segurança teria dito que o cartaz “não tinha nada a ver com futebol”.

Depois da “Galo Queer”, surgiram páginas de diversos outros times, como Corinthians, Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo e Flamengo, que também se colocou favorável ao movimento e disse apoiar a iniciativa. O Palmeiras disse que não se pronunciaria a respeito e o Corinthians não deu uma resposta até o fechamento da reportagem. “Pelo visto, muita gente que gosta de futebol já queria dar esse grito contra o machismo, a homofobia e a intolerância e ficamos muito emocionados com todas as manifestações de apoio. Infelizmente, há também muita repercussão negativa, mas isso já era esperado, já que estamos mexendo em um terreno muito machista e conservador, que é o do futebol. O problema são as ameaças que recebemos. As pessoas se oporem ao movimento é totalmente aceitável, mas ameaça não”, diz a criadora do “Galo Queer”
(Os nomes são fictícios)

Fonte: Fox Sports

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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