Gostava tanto de você – Cap 1

Hoje é dia de estreia! Este é o primeiro capítulo da nossa nova história. O autor? Felippe. Espero que vocês gostem como eu gostei!! 

É o primeiro dia do ano. Mais um que começo longe de Fernanda. Adorei a noite de Réveillon, bebemos e nos divertimos muito, eu e meus amigos, em especial o Maneco, que é o último vinho remanescente da melhor safra da minha vida. Fernanda também era, ou melhor, é… Sei lá. Mesmo passados cinco anos que não nos falamos, não aprendi ao certo como me referir a ela. Para ser bem sincera, acho que, de alguma forma, ainda estou presa no último Réveillon que passei ao lado da Fê. Ainda estamos em um camping na praia, tim-tim, as taças batendo, o Maneco dançando loucamente na beira do mar, a gente pulando sete, vinte, trinta e sete ondas, feito loucos, sequer conseguíamos contar tamanha a alegria de estarmos juntos… Hoje, sei muito bem a conta: cinco anos afastadas.

Fernanda foi minha melhor amiga, no sentido mais controverso da palavra “melhor”. Não era a melhor porque chegava em primeiro, porque me atendia em tudo, muito pelo contrário. Fernandinha era a melhor porque se descabelava, apontava o dedo na minha cara, gritava quando tinha convicção de que estava certa, batia na mesa, quebrava o pau. Era expansiva, ansiosa, neurótica, queria saber das histórias com todos os detalhes, ficava puta por qualquer coisinha, e por qualquer coisinha também ria, amava. Fernanda fervia, pelava como o sol, conviver com ela sem protetor era certeza de bronzeamento na alma. Só o que eu não imaginava é que sua ausência, sim, provoca queimaduras.

O Maneco ainda tem contato com a Fê, inclusive é padrinho do filho dela, o Tiaguinho, uma gracinha de menino. Talvez ela nem saiba, mas acompanho silenciosamente sua vida, é tipo a minha novela preferida. Com esse negócio de redes sociais, ficou fácil bisbilhotar, o Facebook é meu buraco da fechadura. Espio sempre, por cima do muro. Pena que não posso estar do lado de lá.

Até hoje, ainda me pergunto quem teve mais responsabilidade no nosso afastamento. Fui eu, que errei, ou ela, que não soube perdoar? Marco na folhinha cada dia que passo sem participar das decisões de Fernanda, sem ajudá-la a escolher que roupa comprar, sem ouvir suas desilusões amorosas. Cada X que faço no papel é uma cruz que boto em meu coração. O erro que cometi vem me custando tempo, um preço alto demais para se pagar em apenas uma vida.

Daqui a pouco, começa mais uma rodada de churrascos, Maneco vai entrar por aquela porta gritando, fazendo a linha bicha louca como só ele sabe. É Verão, vamos sair para curtir o primeiro dia do ano, é claro que vou sorrir, me acabar no pagodinho, posar para fotos fazendo caretas… Mas nada, absolutamente nada disso afasta a lembrança de Fernanda. Quando eu estiver sambando, vou imaginar que, de alguma maneira, ela está ali, do meu lado, requebrando as cadeiras. Na piscina, vou ficar nadando e apostando corrida com ela, que na água era rápida como um peixinho. É Verão, faz um calor absurdo, mas é a saudade de Fernanda que realmente me queima.

***

Ai, que ressaca! Também, quem mandou eu fazer a linha esponja? Deu no que deu. Que dor de cabeça! Sempre fico piradinha nas noites de Réveillon. Isso é obra da Tereza, antes de conhecê-la eu não bebia desse jeito. Quer dizer, beber, não; eu entorno. Que saco, não gosto de lembrar da Tereza. Nenhuma bebedeira se compara à ressaca de ter perdido essa amizade… Se bem que, parando para pensar, acho que nem sinto tanta falta dela assim. Sinto mais falta de mim quando estava com ela, do que eu fui e ela levou. Porra, Tetê! Por que você fez aquilo? E por que eu fui incapaz de perdoá-la?

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Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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