Filme Americano – Cap 97

Filme Americano – Cap 97

O calor do sol já ardia nas pernas de Beca e Nina. Entrelaçadas e descobertas, as duas tinham dormido exaustas depois de fazerem amor até o meio da madrugada. As costas arranhadas de Nina deixavam uma lembrança dos momentos quentes que haviam compartilhado sob a luz da lua. A boca rosada de Beca e o chupão que ela ostentava na nuca mostravam que o fogo que as queimava por dentro deixou marcas e um rastro de paixão e tesão.
O sol já ia alto quando Beca começou a despertar sentindo o braço pesado de Nina pressionando suas costas. Ela estava de lado com o corpo da namorada encaixado atrás do seu. Ela sempre agradecia por seu pai lhe dar uma cama de casal, mesmo que não tivesse motivos aparentes. Elas agora podiam dormir sem se preocupar com espaço e como Diogo não era ingênuo, não se importava com o casal dentro de casa. Como ele mesmo gostava de dizer, “prefiro saber onde vocês estão do que me preocupar com vocês na rua”. Ainda sem abrir completamente os olhos, Beca fez um carinho na mão de Nina, que não se moveu com o toque da namorada. Mesmo sem olhar, Beca sabia que Nina estava com o nariz enrolado em seu cabelo e que a outra mão estava embaixo da cabeça, como ela gostava de dormir. Além das pernas cruzadas, uma mania engraçada que Beca sempre reparava.
– Amor, acorda… já está tarde! – Beca falou baixinho para começar a acordar a namorada
Tentando não fazer movimentos muito bruscos, Beca começou a virar o corpo para ficar de frente para a namorada. Assim que seu corpo girou, Nina resmungou algo, mas seus olhos permaneceram fechados e ela não se mexeu. A goleira respirou fundo ainda dormindo e voltou a relaxar o corpo quando Beca se acomodou na posição contrária, agora de frente para ela. Beca sorria para a namorada mesmo sabendo que ela não podia vê-la, é que só de sentir o calor do corpo dela e a respiração quente batendo em seu ombro, uma onda de felicidade a invadia e ela tinha certeza que estava no único lugar do mundo que deveria estar. Nos braços daquela menina que havia derretido seu coração e derrubado todas as barreiras em pouco tempo. Como era possível sentir algo tão forte em tão pouco tempo? Não importava, só importava que ela estava feliz com Nina e nada poderia estragar seu momento.
A mão de Beca começou a desenhar uma linha imaginaria no braço de Nina que estava jogado em cima do seu corpo. Horas tocando, horas não tocando, o traço imaginário, bem leve, subia e descia do cotovelo até o ombro da goleira. Beca estava em dúvida se queria acordar a namorada ou apenas aproveitar aquele momento em que sentia o calor dela tão próximo ao seu. Enquanto seu dedo ia e voltava, seu olhar decorava cada pequeno detalhe e movimento do seu rosto. A respiração mais profunda fazia as maçãs de seu rosto mexerem bem de leve. Ela tinha aquele formato de rosto mais redondo, mas que era na medida certa para dar vontade de morder e apertar sempre que se estava muito próximo.
É impossível precisar quanto tempo Beca ficou brincando com o toque em Nina. Ela estava hipnotizada com a leveza na expressão da namorada, como se ela estivesse dormindo em algum lugar tranquilo e leve. A mais nova gostava de imaginar que essa sensação vinha do fato de estarem dormindo juntas. Pelo menos, ela se sentia mais feliz, mais leve e mais tranquila sempre que dormia ao lado de Nina. Enquanto ela se perdeu em pensamentos aleatórios envolvendo os corpos unidos, Nina começou a respirar diferente. Ela estava acordando. Finalmente. Beca pensou assim que sentiu os dedos da namorada se mexerem em cima de sua pele. Ela apenas sorriu e acompanhou aquele processo pelo qual se apaixonaria todos os dias, se possível.
Primeira foi a respiração que se tornou mais rápida. Os lábios que estavam entreabertos se juntaram e a língua passou bem de leve os deixando úmidos novamente. A mão que estava em baixo de sua cabeça se mexeu lentamente para coçar a ponta do nariz. Era uma outra mania que Beca adorava reparar nela. A mão que estava sobre o corpo de Beca foi se recolhendo até chegar ao corpo de Nina. Ela agora já mexia um pouco as pernas e aos poucos ia conectando os músculos do corpo. Enquanto isso, Beca assistia a todos os movimentos como uma câmera que filmava e guardava todos os detalhes. Ela já sorria sem medo ao ver a namorada acordando daquele jeito.
– Você vai continuar me olhando acordar… – Nina falou ainda com a voz rouca, sem abrir os olhos
– Poderia passar o resto da vida apenas assistindo você acordar – Beca sussurrou para não incomodar a namorada
– Isso é uma promessa ou um desafio? – Nina ficou de frente para Beca, mas ainda sem abrir os olhos, coçou o nariz de novo
– Pode ser uma promessa, e se for, cruzo os dedos e beijo para garantir que cumprirei e se for um desafio, pode apresentar as regras que irei cumpri-lo com um enorme sorriso no rosto – Beca passava a palma da mão de leve pelo rosto, ainda meio marcado do travesseiro, de Nina.
A goleira sorriu abertamente com a declaração da namorada e abriu os olhos lentamente para encontrar um sorriso que poderia iluminar todo o quarto caso o sol sumisse. Era como se os olhares trouxessem as almas para fora do corpo e elas se abraçassem em um bom dia sussurrado. O encontro dos lábios em seguida fez com que os corpos se mexessem e se encostassem causando uma corrente elétrica que percorria todo o corpo.
Permaneceram na cama mais alguns minutos, ou talvez horas, mas o tempo suficiente para que elas se saciassem, logo pela manhã, da vontade que tinham uma da outra. Foram obrigadas a levantar quando a fome falou mais alto e quando escutaram os passos de Diogo no corredor. Por mais que ele entendesse e respeitasse a privacidade delas, Beca ainda se sentia tímida com o pai em casa. Além de tudo, tinham que convencê-lo a deixar Beca dormir na casa de Nina.
– Bom dia, pai – Beca deu um beijo na cabeça embaraçada do pai
– Bom dia, meninas! Que milagre é esse que minha filha está levantando depois das 10?
– Um milagre chamado Nina! Ela dorme igual uma pedra e eu acabo ficando com pena, aí fico na cama também
Nina ficou vermelha com a frase da namorada, mesmo que a intenção não tenha sido maldosa, as várias interpretações possíveis para que elas ficassem na cama deixou a goleira tímida na frente do professor. Mas ao ver Diogo rindo e comendo seu pão com mortadela, percebeu que foi a única a pensar besteiras. Talvez ela fosse a maldosa ali.
– Pai, preciso te pedir uma coisa -Beca iniciou depois de já ter bebido metade da xícara de café
– Lá vem… – Diogo encostou as costas na cadeira e cruzou os braços olhando para as duas
– Sabe o que é…eu tenho sido super exemplar em questão de estudos, não é? – Beca começou a elaborar o pensamento
– Sim! Mas isso deveria ser constante e não só nos castigos – Diogo falou sabendo que Beca se irritava com esse argumento
– Eu sei, mas eu sou uma boa aluna! E as meninas do time estavam combinando de se encontrar hoje para falar sobre o primeiro jogo do campeonato
– Você poder ir! Sem problema algum, passa o dia com elas e volta para dormir em casa
– Justamente aí que está a questão, pai…a gente vai se encontrar lá na casa da Nina e não sei que horas vai acabar….
Diogo já tinha decidido internamente que Beca estava liberado do castigo. Afinal de contas, ela se esforçou mais do que o normal na última semana e melhorou o comportamento. Ganhou até elogio de alguns professores, mas ele não deixaria ela saber disso.
– Filha, você sabe que ainda está de castigo não é?
– Diogo, eu prometo que amanhã nós duas vamos estudar lá em casa! Afinal de contas, eu também preciso estudar
– Com uma condição – Diogo pediu
– Pode falar, pai! – Beca já sorria
– Amanhã você vem dormir em casa. Quero que comece a semana aqui em casa, combinado?
Beca não respondeu ao pai, apenas o abraçou e levantou a mão para que Nina batesse na dela. No mesmo momento mandaram mensagem para o resto do time confirmando o churrasco. E dessa vez não teria ninguém de fora para atrapalhar elas.

Mari Veiga

Autora, escritora, um pouco louca e uma mente hiperativa que acha que pode mudar o mundo com suas palavras.

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